Lembrete
28 mar 2012 5 Comentários
em literatura, poemas Tags:Álvaro de Campos, decepção, lembrete, mudanças
Quero deixar somente um lembrete Eu quero ser aquele que não deixa sua felicidade se afetar Por uma ação ou palavra torta. Aquele que aproveita as raras amizades, que veem como valiosa a companhia ao lado. Não quero a pessoa que se veste com um sobretudo refletindo ao mundo uma faceta irreal Quero uma humanidade que busca fazer memoráveis os poucos minutos de simples balbuciar. Quero mais pessoas que ficam até o final da festa, Quero longe dessa residência quem não se doa por inteiro, Quem sai à francesa, deixando o presente em qualquer canto da casa! A humanidade precisa de mais carinho pelo outro, Sem viver temerosamente ao demonstrar o que sente. Esse alguém pode ser fictício, talvez nesse sujeito caiba o mundo inteiro! Mas confrontar-me-ei com ele, Sujeito pertencente à vida de qualquer pessoa, Marcando a cada passo o lembrete que fiz. O convite que faço é o de lançar-se ao mar À infinidade de nomes desconhecidos na História, Entrar em um mundo que nunca me pertencera, Respirar a vida de um conhecimento infinito, Ficar sem fôlego com a presença de quem busca o mesmo. Lançar-me-ei pela multidão, tentando alcançar um significado, Na rua que me sustenta, no latido do cachorro, no pão quentinho assando na padaria. Quero abraçar um mundo receptivo aos vários mundos que quero fundar!Uma pílula
02 mar 2012 2 Comentários
em curiosidades, literatura, poemas Tags:independência, mudanças, pílula, poesia, superação
Há certos dias que são cinzentos demais. Aguarda-se por um fio de luz tímido por entre as nuvens Pronto para se expandir e mudar a própria existência. E nesses dias o que peço é um poema! Um poema-pílula, que cure as desavenças, Decepções e tristezas. Mas no mercado e na farmácia já o procurei. O vendedor encarou-me duvidando de minha sanidade. O médico não soube o que receitar para tal pedido. Indicou apenas uma novalgina, Como se meu mal fosse uma mera dor de cabeça! Resta-me produzir essa pílula, Com palavras e frases entrelaçadas Unidas a ponto de se enrolarem ao meu coração E fortificá-lo a cada segundo que fraquejar.
Para este poema me inspirei numa matéria curtinha do blog Não me culpem pelo aspecto sinistro, da Revista Bravo. Ela fala sobre a ideia do artista Morten Sondergaard em criar caixinhas de remédios simulando substantivos, adjetivos, pronomes, cada uma com sua bula poética, como se a gente pudesse encontrar na farmácia a solução para a falta de inspiração! Aqui está o link: http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=10500
Todo mundo
11 fev 2012 4 Comentários
em literatura, poemas Tags:humor, liberdade, melancolia, sonhos, todo mundo
Todo mundo já se viu sozinho na multidão Apertou-se ao casaco querendo fugir Resistindo à dor que sonha um dia sorrir Nas tardes que contemplam o chão.O calafrio denuncia o medo de escolher Como dar aos dias uma utilidade, Analisar os limites para viver. A escolha é a dolorosa liberdade.
O passado já está todo emaranhado, O coração, com a tristeza, acostumado Pulsa no casaco com uma mera lembrança, Vestindo a face da desiludida criança.
Sonhos no bolso pedem o fôlego de uma nova vida Mas encontram as asas destruídas no chão. Voar se torna restos de uma expectativa diluída A revolucionária vida que se reduzira em ínfimo grão.
Todo mundo já sorriu com os olhos devastados, Tentou arrumar a própria casa com as emoções confusas. Viu o céu outrora azul se fechar em temores resignados. E quis ser racional apesar das ideias difusas.
Todo mundo passa a ver que a vida é um turbilhão, Aprende-se que o humor vive ao lado da melancolia. O segredo é fazer de tal antítese uma harmonia E não olhar um mundo vivo na escuridão.
Cólera e matéria-prima
29 out 2011 1 Comentário
em literatura, poemas Tags:Álvaro de Campos, cansaço, cólera, inovação, mudanças
Ressoa em meus ouvidos os gritos coléricos de Álvaro de Campos. Todo o ímpeto de gritar, a vontade de a sociedade esmagar Os erros nomear… Hoje, talvez, ele entendesse: Falar de seu problema não o faz ser fútil diante de outros O choro e a lamentação tem prazo de validade Isso é fato. Permitir o desmoronamento interior, Como uma marca constante relembrando as dores, Destrói a humanidade. Mas o avançar do mundo anseia por uma circularidade louca Possível? Ascensão, queda…humores Não são pelas lamentações que se pretende um ato a mais? Esbravejar ao mundo o que o irrita é melhor do que não fazê-lo! Então é isso! Desejo do mundo o correr da água, veloz Chegar a algum lugar! Enlouquecidamente, a cada passo, quero o melhor! Cansaço vai e vem…abstrato Uma ilusão criada… É dele que tento arrancar freneticamente A matéria-prima De quem eu sou.Corredores metafísicos…
06 set 2011 6 Comentários
em filosofia, poemas Tags:amor, Descartes, devaneios, filosofia, Heidegger, inspiração, saber, USP
Imaginação à solta leva a caminhos misteriosos Tanto que já me perguntaram uma vez: Como seria a USP à noite? Na madrugada, majestosamente silenciosa? Então me peguei em devaneios… A luz pálida encobriria os corredores da Filosofia Fraca luminosidade que proporciona o saber em qualquer circunstância Que nunca se apaga, mesmo com o fechar de uma última porta. Talvez soassem pelos corredores os sussurros dos que já se foram? Heidegger dialogaria com Descartes animadamente! Quem sabe? As árvores que adornam os arredores Farfalham ao leve soprar da sabedoria, à espera da completa luz do dia seguinte. Dentro delas a seiva matemática as alimenta E os galhos buscam agarrar a verdade a todo custo. As raízes metafísicas se prendem ao passado. Então sossegam ao ver que são lindamente limitadas. Nos dias e nas noites aquele prédio ganha encantos incomensuráveis… P.S. Para os uspianos, especialmente a Renata que fez a pergunta “como seria a USP de madrugada?”Repouso
28 ago 2011 2 Comentários
em poemas Tags:arte, desenho, realidade, sonho
As cristalinas gotas caem do céu Olhos, nariz e boca insistem em surgir O lápis risca linhas difusas no papel É no desenho que vejo meu sonho dormir Não denomino ao certo o que desejo Tenho o ímpeto de um mundo retratar Resguardo-me com cuidado a um lugarejo A fim de me maravilhar com as cores a passarFace tristonha
21 dez 2010 1 Comentário
em filosofia, literatura, poemas Tags:ano novo, despedidas, futuro, Natal, sabedoria
Deparo-me com a loucura festiva do Natal e Ano-Novo E as despedidas batem à minha porta e mostram a sua face tristonha O ontem não é mais o meu hoje; é simplesmente o não mais. Esse é mais um enigma a cada dia que passa. Um velhinho uma vez já falara: “Não sabemos o que o futuro nos espera!” Apoiando, sabiamente, os óculos na ponta do nariz… Óculos que já viram muito… Gostaria de ter o poder das mágicas cartomantes Encontrar no tarô as respostas para o mundo! Mesmo com esse sonho desvairado de entender o futuro Qual seria a graça de acordar E saber, matematicamente, o que nos espera?Prateleiras e sonhos
20 nov 2010 4 Comentários
em filosofia, literatura, poemas Tags:fome, ideias, indivíduo, personficação, sonhos
O abrir da geladeira me frustra Por entre as prateleiras não há o que anseio Essa fome vai além da fruta, do pão Não é material e nem consumível Talvez seja uma procura em vão Vejo um espaço vazio ocupado por sonhos Não-tateáveis Intratáveis, Porque imperam a nossa existência Vêm quando querem…são orgulhosos! Ora são sonhos sem sabor, incógnitas Ora sonhos palatáveis, com gostinho de doçura Sonhar é o constante desejo do paladar à espera da fome abatida