Mamma Mia!
30 jan 2011 2 Comentários
em resenhas, teatro Tags:ABBA, Grécia, Kiara Sasso, Mamma mia, musical, Saulo Vasconcelos
Musical – Teatro Abril
Com Kiara Sasso, Saulo Vasconcelos, Pati Amoroso
As músicas do grupo sueco ABBA são atemporais. Mesmo animando as décadas de 70 e 80, vê-las, hoje, na peça Mamma Mia aqui no Brasil, é uma maneira de dar nova vida às músicas que já têm muita vivacidade e o ímpeto de colorir a Grécia do enredo.
A peça conta a história de Sophie, uma jovem que está prestes a se casar com vinte anos. O sonho da jovem, maravilhosamente interpretada por Pati Amoroso, é ser conduzida ao altar pelo pai, que ela desconhece. Então toma uma atitude: lê o diário da mãe, Donna, e convida os três possíveis pais, Sam, Harry e Bill. É o passado retornando para uma segunda chance.
A história mostra a separação entre pais e filhos, quando esses crescem e é preciso iniciar o próprio caminho. A busca de Sophie pelos pais é uma exploração dentro de si mesma. O fato de ser a Grécia o grande cenário do enredo só traz à tona a pergunta clássica que fazia parte da racionalidade dos filósofos gregos: “quem somos?”. E o nome da garota, Sophie, é a herança dessa sabedoria que a Grécia representa.
Kiara Sasso consegue recriar a personagem à sua maneira com tanta leveza que se esquece a comparação com o trabalho de Meryl Streep, no filme. Ambas foram muito competentes ao acrescentar características únicas à Donna. A personagem se esforça ao assumir o papel de família para a filha durante toda a vida, mostra as fraquezas que deseja ocultar ao deparar-se com o crescimento da menina que embalara por tanto tempo. Não deseja que a filha cometa os mesmos erros que ela, Donna, tenta guardar dentro da mala, com os pertences do grupo Dínamos ao qual pertencera.
Saulo Vasconcelos mostra uma outra faceta de sua atuação assumindo a leveza presente em Mamma Mia, com o personagem Sam. Para quem o viu como o sisudo Capitão Von Trapp em A Noviça Rebelde ou no dramático O Fantasma da Ópera, surpreende-se ao vê-lo com a “cara limpa” (sem máscaras e adereços) e figurino simples, dançando ao som de ABBA. A presença do ator no palco chama atenção e emociona ao cantar S.O.S., enriquecendo ainda mais a admirável carreira do ator.
O elenco é excepcional ao conduzir o humor da peça, o tom acelerado dessa busca pela verdade que Sophie tem e que Donna também enfrenta. A atriz Pati Amoroso cativa o espectador e contempla sua personagem com muita maturidade e carinho, pois nota-se a dedicação que tem ao interpretá-la.
Assistir à peça é presenciar uma obra-prima divertida, um musical com grande toque brasileiro. Consegue promover uma releitura das músicas do ABBA tão conhecidas, sendo a força motriz do musical, que mais parece um sonho. “Uma canção para cantar, que me ajuda a enfrentar qualquer coisa”, como diria I have a dream.
Obrigada novamente!
21 abr 2010 1 Comentário
em curiosidades, teatro Tags:agradecimento, Cats, Sara Sarres, Saulo Vasconcelos
Há alguns dias, eu disse aqui que o ator Saulo Vasconcelos postou a minha resenha sobre a peça Cats no blog dele. Agora descobri também que a Sara Sarres, atriz que interpreta a gata Jellylorum na peça e já interpretou Christine em O Fantasma da Ópera, postou no blog dela também! Assim, esse aqui é mais um agradecimento!
Um agradecimento…
14 abr 2010 5 Comentários
em curiosidades, teatro Tags:agradecimento, Cats, Saulo Vasconcelos
Eu mantenho esse blog desde novembro de 2009, faz pouco tempo. Tento escrever com frequência só para treinar ainda mais a escrita e porque eu realmente amo escrever. Fui assistir a peça musical Cats, escrevi uma resenha – tenho muitas aqui no blog – e mandei um e-mail ao ator Saulo Vasconcelos, muito reconhecido pelas peças O Fantasma da Ópera, A Noviça Rebelde, A Bela e a Fera, inclusive Cats. Disse a ele que havia escrito uma resenha crítica sobre a peça e que adoraria um comentário aqui no blog. Ele fez mais que isso: postou a resenha na íntegra no blog dele! Só posso agradecer porque assim é uma forma de divulgar mais o meu blog e, saber que o meu texto foi lido por alguém que admiro muito, faz com que eu continue a escrever.Cats
12 abr 2010 6 Comentários
em arte, resenhas, teatro Tags:Broadway, Cats, gatos, musical, Paula Lima, Saulo Vasconcelos, Teatro Abril, Toquinho
Peça musical Cats Brasil/2010 Com Saulo Vasconcelos, Paula Lima, Sara Sarres
As silhuetas de gatos iluminadas pelo luar, olhos felinos reluzentes no escuro. Assim que os gatos aparecem entre a plateia, a peça Cats, musical oriundo da Broadway em cartaz no Teatro Abril, cativa com músicas belíssimas e uma excelente construção metafórica de cada gato-personagem.
Os gatos do enredo são da tribo Jellicle que esperam ter uma chance de renascer, uma oportunidade que, a cada ano, o líder Old Deutoronomy dá àquele que a merece. Já que todos os gatos têm sete vidas, o líder escolhe um que poderá renascer.
A protagonista é a gata Grizabella, um tanto velha e maltrapilha que retorna à tribo depois de ter saído explorando o mundo. A personagem pode ser comparada ao indivíduo que sai da caverna, encontra o conhecimento e retorna a sua origem a fim de falar aos demais o quanto é vasto o mundo fora da caverna, narrado na Alegoria da Caverna, de Platão. Mas quando Grizabella retorna, tal qual o indivíduo na Alegoria, é incompreendida por aqueles que optaram em viver eternamente junto à tribo. Para os gatos Jellicle, a vida baseia-se em andar entre os becos à espera da decisão do líder de enviá-los a outro destino. Já a gata foi mais ousada e sonhou pela sua emancipação, em conhecer o mundo “pós-beco”.
A história não se concentra apenas em Grizabella. As músicas apresentam cada tipo felino Jellicle que não foge nada dos estereótipos humanos. Há o gato malandro, a dupla que vive de roubos, o ator que vive das recordações de sua era de ouro. São tipos com características humanas, personificam a malandragem, o mistério e a tristeza em recordar do passado que podem muito bem ser encontradas no ser humano.
A condição enfrentada por Grizabella e pelos demais gatos encena a marginalização humana. Ao ficarem à margem da sociedade, os gatos tentam viver da melhor maneira possível, sonhando com o dia em que poderão viver uma vida diferente da atual. É a ideologia humana por um lugar mais justo, igualitário.
A peça é bem amarrada e com cenas surpreendentes. As músicas traduzidas por Toquinho ficaram devidamente abrasileiradas e emocionantes. A cena em que Paula Lima, como Grizabella, canta a versão de “Memory” é de levar o espectador às lágrimas. Mais uma vez o ator Saulo Vasconcelos traz um personagem encantador ao palco, atuando como o líder sábio e cativante Old Deutoronomy. Os atores que assumem os demais gatos conseguem representar muito bem os trejeitos felinos, como a agilidade e o andar sinuoso. É uma verdadeira obra-prima, grandiosa e inesquecível.
