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Águas

Bacia hidrográfica,
Drenada por afluentes e subafluentes,
Tal qual letras entrelaçadas com outras
Originando frases, as vírgulas as interrompem.
O mar de Aral suplica por água.
Aquela que lhe foi tirada,
Que desviara os olhos do lago salgado,
Agora é como um mar no deserto,
Solitário.
Grandiosos pluviais,
Rios que encharcam a terra e trazem fertilidade,
Águas tão aguardadas no sertão.
Puramente águas que secam no período da estiagem
E fica na lembrança o momento em que foram abundantes.
A água que banhara outrora população
Não é mais a mesma que a banha hoje
São águas históricas que se renovam
Em eternos moinhos.
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Certezas?

São das dúvidas que eu vivo.
Crio, recrio, descarto modelos.
Há mais no mundo para se (tentar) descobrir
Mas é o desconhecido, a assimetria que deve prevalecer.
É a loucura que faz do homem alguém sensato,
Que vê o firmamento sempre de uma nova maneira.
Pode parecer uma contradição:
O homem precisa de algo em que se sustentar
Porém,
Debruçar-se apenas nas verdades fornecidas,
Viver com receio de agir por si mesmo,
É uma forma de só desvalorizar a razão humana.
O pensar, o agir
Perdem-se no meio das ideias que acobertam o homem
E este se aprisiona em si mesmo.
Como?
Exatamente aquilo que ele procura como certeza,
Uma busca incessante e desvairada,
É só a tentativa de trazer ordem para si mesmo.
E o círculo das certezas o pressiona e se transforma num monstro.
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Obrigada novamente!

Há alguns dias, eu disse aqui que o ator Saulo Vasconcelos postou a minha resenha sobre a peça Cats no blog dele. Agora descobri também que a Sara Sarres, atriz que interpreta a gata Jellylorum na peça e já interpretou Christine em O Fantasma da Ópera, postou no blog dela também! Assim, esse aqui é mais um agradecimento! 😀

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Um agradecimento…

Eu mantenho esse blog desde novembro de 2009, faz pouco tempo. Tento escrever com frequência só para treinar ainda mais a escrita e porque eu realmente amo escrever.
Fui assistir a peça musical Cats, escrevi uma resenha – tenho muitas aqui no blog – e mandei um e-mail ao ator Saulo Vasconcelos, muito reconhecido pelas peças O Fantasma da Ópera, A Noviça Rebelde, A Bela e a Fera, inclusive Cats. Disse a ele que havia escrito uma resenha crítica sobre a peça e que adoraria um comentário aqui no blog. Ele fez mais que isso: postou a resenha na íntegra no blog dele! Só posso agradecer porque assim é uma forma de divulgar mais o meu blog e, saber que o meu texto foi lido por alguém que admiro muito, faz com que eu continue a escrever.
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Cats

Peça musical Cats
Brasil/2010
Com Saulo Vasconcelos, Paula Lima, Sara Sarres
 

As silhuetas de gatos iluminadas pelo luar, olhos felinos reluzentes no escuro. Assim que os gatos aparecem entre a plateia, a peça Cats, musical oriundo da Broadway em cartaz no Teatro Abril, cativa com músicas belíssimas e uma excelente construção metafórica de cada gato-personagem.

Os gatos do enredo são da tribo Jellicle que esperam ter uma chance de renascer, uma oportunidade que, a cada ano, o líder Old Deutoronomy dá àquele que a merece. Já que todos os gatos têm sete vidas, o líder escolhe um que poderá renascer.

A protagonista é a gata Grizabella, um tanto velha e maltrapilha que retorna à tribo depois de ter saído explorando o mundo. A personagem pode ser comparada ao indivíduo que sai da caverna, encontra o conhecimento e retorna a sua origem a fim de falar aos demais o quanto é vasto o mundo fora da caverna, narrado na Alegoria da Caverna, de Platão. Mas quando Grizabella retorna, tal qual o indivíduo na Alegoria, é incompreendida por aqueles que optaram em viver eternamente junto à tribo. Para os gatos Jellicle, a vida baseia-se em andar entre os becos à espera da decisão do líder de enviá-los a outro destino. Já a gata foi mais ousada e sonhou pela sua emancipação, em conhecer o mundo “pós-beco”.

A história não se concentra apenas em Grizabella. As músicas apresentam cada tipo felino Jellicle que não foge nada dos estereótipos humanos. Há o gato malandro, a dupla que vive de roubos, o ator que vive das recordações de sua era de ouro. São tipos com características humanas, personificam a malandragem, o mistério e a tristeza em recordar do passado que podem muito bem ser encontradas no ser humano.

A condição enfrentada por Grizabella e pelos demais gatos encena a marginalização humana. Ao ficarem à margem da sociedade, os gatos tentam viver da melhor maneira possível, sonhando com o dia em que poderão viver uma vida diferente da atual. É a ideologia humana por um lugar mais justo, igualitário.

A peça é bem amarrada e com cenas surpreendentes. As músicas traduzidas por Toquinho ficaram devidamente abrasileiradas e emocionantes. A cena em que Paula Lima, como Grizabella, canta a versão de “Memory” é de levar o espectador às lágrimas. Mais uma vez o ator Saulo Vasconcelos traz um personagem encantador ao palco, atuando como o líder sábio e cativante Old Deutoronomy.  Os atores que assumem os demais gatos conseguem representar muito bem os trejeitos felinos, como a agilidade e o andar sinuoso. É uma verdadeira obra-prima, grandiosa e inesquecível.