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Ensaio sobre Alice no País das Maravilhas

Muita gente – há exceções, claro – não gostou da versão cinematográfica de Alice no País das Maravilhas, dirigida por Tim Burton. Assisti ao filme, já escrevi o que eu achei, mas assim que o filme terminou, resolvi que leria o livro de Lewis Carroll, afinal é um clássico literário. E fico fascinada por obras que são classificadas como infantis, pois pode acreditar, muitas apresentam ideias interessantes nas entrelinhas. Por isso, resolvi escrever um ensaio sobre o livro, que está aí embaixo! Boa leitura : )

Ensaio sobre Alice no País das Maravilhas

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Alice e as mudanças

A polêmica atual é a qualidade do filme Alice no País das Maravilhas, dirigido por Tim Burton. Diversos sites estão discutindo-o: uns dizem que o filme é belo e outros insistem em mostrar certa decepção após um longa que era muito aguardado pelos fãs do diretor.

Sem dúvida, o visual do filme é lindo. Tudo muito colorido, remetendo à infância e ao clima psicodélico típico do desenho produzido pela Disney. O detalhe do enredo que faz de Alice uma adolescente é interessante, porque ela está prestes a ingressar na esfera pública, o que a faz ficar com dúvida sobre quem é diante das escolhas que precisará fazer.

A atriz Mia Wasikowska cumpre o seu papel satisfatoriamente, representa Alice com doçura e ingenuidade. Helena Bonham Carter é brilhante, mais uma vez mostra o seu talento como atriz, sendo expressiva mesmo com uma cabeça demasiadamente grande, como mais um efeito especial.

Johnny Depp pareceu uma repetição do famigerado Willy Wonka de A Fantástica Fábrica de Chocolates. O Chapeleiro Maluco pareceu repetitivo e “gentil” demais no enredo, ao contrário do personagem de Carroll, que muitas vezes demonstra impaciência com Alice. A menina, no filme, destaca-se aos olhos do Chapeleiro como uma musa, muito diferente de como ele a visualizava antes.

Detectei mais características típicas da Disney do que do estilo Burton. O clima gótico, a vasta trilha sonora, a atuação cativante de Johnny Depp, perderam-se entre as cenas. O filme faz pensar, assim como o livro de Carroll, e o enredo flui rapidamente. Mas dá a sensação de faltar cenas, momentos de ação, mais relações com o livro. É necessária a adaptação de obras para um público atual, porém deve-se tomar cuidado em como o meio cinematográfico vai apropriar-se da Literatura de modo que respeite o personagem e o enredo que já está imortalizado entre os leitores. Talvez seja o momento de Burton se reinventar e, junto com Alice, aceitar que, como a Lagarta, passar por uma metamorfose de vez em quando pode cair bem.

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Adolescência da Liberdade

Tema do Simulado Enem – Guia do Estudante 2010

Não é fácil discutir a importância das eleições no Brasil diante de tamanha corrupção noticiada pelos meios midiáticos. Adultos e jovens, nessa “pós modernidade”, perderam o interesse pelas Grandes Narrativas que já motivaram, durante a História, os brasileiros a se revoltarem, por exemplo, em face da República Velha e o poder restrito à elite, pertencente às oligarquias.

Essa perda de interesse pelas utopias é compreensível, pois se vê políticos comprando castelos com o dinheiro público ou ocultando-o na própria meia. Há uma verdadeira banalidade na política, porque parece que “os fins justificam os meios”, como disse Maquiavel ao abordar o poder no Ancien Regime. Os direitos defendidos na Revolução Francesa, além do conhecido lema “liberdade, igualdade, fraternidade”, parecem tornar-se inúteis ou meramente esquecidos no passado, sem fazer sentido no meio desse caos político que é a corrupção.

A atuação do jovem na esfera pública é fundamental para que haja uma constante mudança na política e evitar a deterioração de uma sociedade que continua com as mesmas ideias. Hoje são os mesmos políticos de ontem, com vasta lista de ações corruptas e degradantes, que governam o país, porque se perdeu o incentivo ao novo, à formação do jovem e à responsabilidade que deve ser destinada à juventude para que esta possua a capacidade de liderar as decisões dos brasileiros futuramente.

“A liberdade na adolescência é a adolescência da liberdade”, frase do filósofo Gusdorf, expressa o que é preciso ter em mente para guiar a juventude na política. As instituições como o Estado e a Família devem guiar o jovem de modo que este saiba lidar com o que lhe é herdado como a Cultura. O passado não pode tornar-se “coisa” sem utilidade e sim, deve ser revisitado pelo jovem. Este necessita aprender a aperfeiçoar a liberdade de escolha durante a vida, tendo consciência de que a liberdade na juventude é só um primeiro passo; uma liberdade ainda tênue, difusa, que crescerá a fim de possibilitar sabedoria diante da esfera pública e a persistência em acreditar nas Grandes Narrativas.   

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Um caso recuperável

Em ano de vestibular, Capitães da Areia, obra de Jorge Amado, é um dos livros obrigatórios. Narra a história de meninos de rua que, ao invés de representarem simplesmente meninos delinquentes, Jorge Amado os coloca como heróis malandros, cheios de defeitos e qualidades que o humanizam. Com isso, descobri a história real de Roberto Carlos Ramos, que mais parece um personagem de Capitães da Areia. Como é uma história digna de um conto, resolvi escrevê-lo.

 Conto: Um caso recuperável

Soube da história de Roberto Carlos Ramos através de algumas entrevistas e um texto escrito por ele em que é citada a difícil infância que vivenciou, no livro O Pequeno Príncipe me disse. Além disso, é sobre o Roberto que o filme O Contador de histórias se trata. Mas escrevi meu conto apenas juntando alguns relatos das entrevistas e do texto. Espero que gostem =)

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Um sábado na zona eleitoral

Tirar o título de eleitor mais parece uma batalha épica, uma prova de resistência, daquelas narradas por Camões em Os Lusíadas. Não estou sendo hiperbólica.

Mães levam carrinho com o bebê dormindo tranquilamente; crianças não agüentam mais ficar em pé, pessoas com cachorros em plena zona eleitoral. Coitado do cachorrinho preso pela coleira que não tem livre-arbítrio, ele está lá pela escolha egoísta do dono. Pais acompanham os filhos que estão tirando o título pela primeira vez – dá para ver pela expressão confusa destes ao deparar-se com a fila.

Passa-se uma, duas horas e você lá, ainda na fila. Esta parece a mesma desde o início. A fila anda não pelo atendimento e sim, por desistência. E torça para que as pessoas na sua frente desistam. Assim, os minutos na fila possivelmente podem diminuir.

Acredito que a fila na zona eleitoral é mais uma metonímia, reflete a falta de organização e a burocracia típica no Brasil. Obviamente em outros países deve existir. Mas são nesses momentos que dá para perceber onde está a teoria do Sérgio Buarque de Holanda sobre o homem cordial. Pessoas que levam a família inteira – até o cachorro – furam fila só porque está com uma criancinha de colo, além do carrinho e da filha pequena.  É a tentativa de usar a esperteza para ficar menos tempo na fila em vez do restante que está lá há horas.  Mesmo que idosos e mulheres grávidas tenham direito de não ficar na fila – tem lógica – levar um bebê de pouquíssimos meses para a zona é expô-lo a um estresse desnecessário.

Uma mulher, já prestes a receber o título de eleitor, estava estressada e o marido também. “Ah, não dá para você ficar nervosinho agora, não! Já estamos aqui mesmo, não tem jeito. Demora e é ridículo ter que passar por isso!”, disse a mulher. Quando, após alguns minutos, essa senhora recebeu o título, ela comemorou diante de um monte de gente, com gritinhos, como se tivesse ganhado algo de valor inestimável! Deve ser, depois de passar por uma prova de resistência tão intensa em pleno sábado.  

Enfim, este foi o primeiro passo de algo que tem uma complexidade ainda maior: escolher um candidato. Tem até outubro para pensar, mas é preciso saber que nenhum deles irá fazer do Brasil um país utopicamente perfeito.