Adolescência da Liberdade

Tema do Simulado Enem – Guia do Estudante 2010

Não é fácil discutir a importância das eleições no Brasil diante de tamanha corrupção noticiada pelos meios midiáticos. Adultos e jovens, nessa “pós modernidade”, perderam o interesse pelas Grandes Narrativas que já motivaram, durante a História, os brasileiros a se revoltarem, por exemplo, em face da República Velha e o poder restrito à elite, pertencente às oligarquias.

Essa perda de interesse pelas utopias é compreensível, pois se vê políticos comprando castelos com o dinheiro público ou ocultando-o na própria meia. Há uma verdadeira banalidade na política, porque parece que “os fins justificam os meios”, como disse Maquiavel ao abordar o poder no Ancien Regime. Os direitos defendidos na Revolução Francesa, além do conhecido lema “liberdade, igualdade, fraternidade”, parecem tornar-se inúteis ou meramente esquecidos no passado, sem fazer sentido no meio desse caos político que é a corrupção.

A atuação do jovem na esfera pública é fundamental para que haja uma constante mudança na política e evitar a deterioração de uma sociedade que continua com as mesmas ideias. Hoje são os mesmos políticos de ontem, com vasta lista de ações corruptas e degradantes, que governam o país, porque se perdeu o incentivo ao novo, à formação do jovem e à responsabilidade que deve ser destinada à juventude para que esta possua a capacidade de liderar as decisões dos brasileiros futuramente.

“A liberdade na adolescência é a adolescência da liberdade”, frase do filósofo Gusdorf, expressa o que é preciso ter em mente para guiar a juventude na política. As instituições como o Estado e a Família devem guiar o jovem de modo que este saiba lidar com o que lhe é herdado como a Cultura. O passado não pode tornar-se “coisa” sem utilidade e sim, deve ser revisitado pelo jovem. Este necessita aprender a aperfeiçoar a liberdade de escolha durante a vida, tendo consciência de que a liberdade na juventude é só um primeiro passo; uma liberdade ainda tênue, difusa, que crescerá a fim de possibilitar sabedoria diante da esfera pública e a persistência em acreditar nas Grandes Narrativas.   

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16 comentários sobre “Adolescência da Liberdade

  1. Pois é, os políticos de hoje são os mesmos de ontem. Quando isso irá mudar? Nós adultos perdemos realmente o interesse, ficou cômodo. Mas fico esperançosa quando leio seus textos críticos. Você me incentiva a mudar!

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  2. Você cree que a juventude hoje está “por um fio”?
    Digo,
    a política está em decadência? se está, existe uma possibilidade de resolvê-la? Você acha que o nível de alienação do jovem brasileiro é um fator aditivo para essa decadência? (desculpa o comentário em duas fases, eu acabei apertando “enviar” por acidente).

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  3. Vou responder as suas perguntas:
    Sim, a juventude (intelectualmente) está por um fio (veja as escolas, o respeito que se tem pelos professores).
    A política, como consequência, está em decadência (isso também se deve ao fato ao baixo nível de instrução das classes baixas brasileiras). Ela só será alterada, quando o Brasil mudar estruturalmente. Obviamente o nivel de alienação do jovem brasileiro faz com que a situação nao mude.

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  4. Não acho que apenas haja alienação do jovem. Parece mais um círculo vicioso. E ainda é um erro pensar que o futuro do país só está nas mãos dos jovens.
    Prefiro ter um pouco de esperança, mas é impossível não ser pessimista algumas vezes diante da banalidade política e a falta de vontade do jovem em ter senso crítico, a falta de respeito com os professores…

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    • Bem, o futuro está sim nas mãos dos jovens. E, atualmente, este é o problema. Interessante o seu ponto de vista quanto a alienação. O jovem, então, não está alienado?
      Minha cara: esperança sozinha morre, esperança com ação sobrevive. Se a senhorita viver apenas de esperança, a mesma morrerá. O jeito é jovens como você e este Bruno (o qual comentou abaixo) influenciarem outros intelectualmente. Enfim, espero que o futuro esteja na mão de tais como vocês.

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      • Sim, não dá para viver apenas de ideologias. Acho que escrever pelo menos é uma forma de usar a razão publicamente…
        Em relação aos professores, acho que também há erros na didática, na falta de estímulo, como vc disse. Mas é péssimo ver profissionais excelentes que sabem controlar a sala enfrentando problemas de depressão. Vejo muito jovem que desvaloriza o próprio ato de estudar. Acho que, em alguns casos, vem da formação do próprio aluno, pois existem muitos jovens que ainda têm prazer em ler uma obra machadiana ou participar de uma aula de química

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  5. A mente não é nada além do que um reflexo do seu estado incorpóreo (leia-se: de alma). Quando sua alma está desatenta, sua mente o está, e seu corpo por consequência. O problema na atualidade é, de fato, a desatenção do jovem ao que é importante. Entretanto, isto é uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que o jovem está desatento o professor não faz nada para fazê-lo atentar-se. Você citou o problema nas escolas, sobre o respeito pelos professores: como o professor pode querer respeito se ele não impõe respeito. Lembro-me de uma professora de geografia que tive há 6 anos, quando ainda estava no ensino médio. A mesma era excelente no que diz respeito a conteúdo e didática, com um revés: não impunha respeito. Nisso, ninguem conseguia aprender com ela, e ela acabou sendo dispensada por depressão, tendo de ser hospitalizada. Quanto ao baixo nível de instrução do brasileiro, isto é história antiga: a escravidão e portugal nos fizeram tal qual somos hoje. Da escravidão, herdamos problemas sociais como a marginalização e evasão, bem como a falta de interesse político. Mesmo havendo um grande preconceito dentro do brasil (racial e regional), existe ainda possibilidade de melhorar. Basta entrar alguem no poder disposto a de fato ajudar.
    E, perdoe-me a pergunta, o que é essa tal de Íris que citou entre colchetes? é aquela dos olhos?
    Grato

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  6. A questão, minha cara, não é o fato de gostar de uma ou nao matéria, mas sim de usar o cérebro para aprendê-la. Eu sinto pelas pessoas que desprezam uma aula de História do Brasil, ou de Sociologia Marxista, ou talvez de Psicanálise Froidiana, quem sabe Filosofia aristotélica. Essas pessoas que desprezam tais aulas são as mesmas pessoas que se encontra na massa, massa aquela que nao pensa, que age por impulso ou age a comando de terceiros. Esses adolescentes que pensam só em beber e balada são aqueles que, mesmo que tenham boa carreira no futuro, não terão capacidade de tomar quaisquer atitudes intelectuais, mesmo a mais simples dela. Sabia que, como qualquer outro órgão, o cérebro pode atrofiar? Assim como a escrita? Considerando a juventude atual, esses jovens, mesmo aos 28 anos, terão cérebro e escrita desfuncionais (não que eu deseje, mas essa é a verdade).

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      • Bem, meu caro, como eu disse acima, a escrita atrofia (mesmo que virtual). Nunca vira aqueles que escrever erroneamente, e ainda tem orgulho de chamarem-se de “manos” ou “trutas” ou “malucos”? Eu sinto por eles, eles são a mostra viva da displicência mental.

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    • Entendo o seu ponto de vista e concordo plenamente. O jovem que despreza o pensamento abstrato que a Filosofia traz – matéria extremamente rica e fascinante – não terá uma posição plena na sociedade. Fará parte do coletivo, já que é mais “fácil” integrá-lo. Pensar por si mesmo é difícil…

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  7. Bem, novamente, espero que você Marina (e você bruno, seja la se gostar de escrever ou nao) continuem a exercer essa capacidade que têm de escrever. Digo com infelicidade que não poderei visitar seu blog até setembro, uma vez que estarei a fazer diversas pesquisas de campo neste período. Tenham um bom dia.

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