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Caeiro urbano

Hoje, dia 13 de junho, é o 123º aniversário de Fernando Pessoa! Escrevi o poema abaixo, baseando-me no heterônimo Alberto Caeiro, no ano passado, influenciada pelas aulas de Literatura. Resolvi postar como uma homenagem ao Pessoa, um poeta multifacetado que se via em Caeiro, em Ricardo Reis, em Álvaro de Campos, pois “o poeta é um fingidor”.

 

O sol é meu companheiro
Acordo e sinto os raios preenchendo cada camada do meu ser
Mas não venha dizer que o Sol é algo além do Sol
Pois direi que o Sol é o Sol
E ponto final.
Para que se afundar na metafísica,
E esquecer de sentir os raios solares?
Raios que iluminam a flor – que é só uma flor
Iluminam a minha existência
Eu sou eu.
O Sol é o Sol.
Não há nada além dos sentidos.
“Pensar é estar doente dos olhos”.
Neste momento repentino
Somos um: Caeiro e eu.
Quero esquecer o pensar.
Mesmo que seja por um instante;
Guardar a Razão numa caixinha
E usar apenas os meus olhos para brincar com a realidade.
Descascar palavras, esquecer versos e rimas.
Não vou me ocupar com vogais e consoantes.
A alma da palavra está no meio sensorial,
No ipê amarelo-vibrante que consigo ver por entre a mancha cinza urbana.
Eu consigo ver. Você consegue?
Digo que não!
O urbano poluiu seus olhos a ponto de não ver mais a flor e a árvore
Consegue ver a si mesmo?
Não! Está descaracterizado com tanta racionalidade.
Para que eu quero fórmulas absolutas se nenhuma delas me mostra a natureza como é?
Não sou guardadora de rebanhos,
Meu tempo é, para alguns, a pós-modernidade
A pré-filosofia está distante de mim.
Perto? Só nos livros.
Alberto Caeiro foi só um heterônimo
Mas foi o mestre de Fernando Pessoa
Por isso,
Mesmo que seja só por um dia,
Quero a realidade pertencente à flor, ao Sol e a mim.
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