Negação

Não penso que saiba muita coisa. A melancolia que me envolve por essa constatação não tem nenhum fundo socrático. Não, não quero parecer demonstrar uma sabedoria que não tenho. Isso fica com Sócrates. Não li muitos dos livros que a maioria considera clássicos da Literatura. Dostoievski, Hemingway, Tolstói. Gostaria de lê-los com o mesmo ímpeto que tenho ao comprá-los! E o Cinema, então? Inúmeros filmes à minha espera. Planejo o meu futuro, mas não sei se tais objetivos irão se consumar. E quem sabe? Não consigo decidir (e acho que nem precisa) se Capitu traiu mesmo Bentinho. Perguntaria ao Machado se pudesse. Provavelmente não conseguirei ler todos os livros de filosofia que desejo. Não sei fluentemente outras línguas. Só o português, e então ecoa em minha mente Pessoa, com “a minha pátria é a língua portuguesa”.  Não sei por que, apenas mera lembrança. Talvez eu tenha tempo para aprendê-las, assim espero! Não sei grandes frases e poesias para recitar por aí. Ou seja, eu não daria certo vivendo na Grécia Antiga, talvez não conseguiria declamar um só canto de Homero! Por fim, essa crônica não é uma referência intencional ao último capítulo de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em que tudo é uma negação. Imagina, pessoas citadas aqui foram apenas homenageadas, são admiradas por mim. Nem sei o que me levou a escrever tudo isso. O propósito de ser irônica? A intertextualidade? Um desabafo que não leva a lugar nenhum? Quem sabe se por uma negação, encontro uma afirmativa? Digo que não sei, mas pelo menos conheço tais autores. Meio complicado isso. Então sei alguma coisa? Hm, talvez. Mas vamos combinar que conhecer e apreciar autores e filósofos vai além de citações. Lembro-me dos indivíduos pedantes que desfilam por aí, orgulhosamente, as citações que decoraram para recitar em jantares ou conversas informais, apenas com a intenção de parecer um conhecedor das artes ou algo do gênero. Talvez o único propósito aqui seja perceber que um conhecimento pode ser compreendido como superficial. Pois o engano ocorre quando o tal pedante se vê como especialista em tudo o que diz. A verdade é que admiro quem se diz amante de Literatura ou Cinema. Compreendo amante como aquele que é apaixonado pela área, mas reconhece o vasto conhecimento que ainda está à sua frente para ser aprendido. Melhor, vivido. Eu diria que Woody Allen, em Meia-noite em Paris, se expressou melhor. No filme, a arte deve ser vivida, não pelos livros, mas pela imaginação. O texto em si é uma profusão de autores, pela admiração que tenho por eles. Essas são ideias lançadas aleatoriamente aqui. Provavelmente compreenderei muito do que escrevi, no momento, aos poucos. Como isso é possível? Não sei! Com uma escrita descontrolada, sem parágrafos ou alguma formalidade necessária entre os grandes autores, encerro apenas dizendo que tudo fora uma vivência sobre o sentido da escrita, o conhecimento. Parece-me mais um devaneio, um monólogo que sempre terá continuidade…

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4 comentários sobre “Negação

  1. Ma, adoro quando você coloca sentimento no seu texto.
    Você ainda não leu todos os clássicos, mas vibra e se emociona quando fala deles.
    Ainda não viu todos os filmes que comprou e quer comprar, mas sabe do conteúdo de cada um.
    Quando você fala, transborda a paixão que tem pela Filosofia, Literatura, Cinema, Teatro, Fotografia, portanto você é uma amante de todas essas áreas.
    Você ainda tem muito tempo pela frente para aprender e se tornar uma conhecedora, mas que nunca vai deixar o sentimento de lado.
    Acredite na sua capacidade, lembre que desde pequena um desenho, uma revista, um livro já despertava em você várias emoções, reflexões e atitudes.
    Não tenho nenhuma dúvida que você atingirá seus objetivos, mesmo que eles mudem durante o caminho.
    Adorei esse texto. Uma grande escritora sabe colocar no papel uma simples situação vivida ou imaginada.
    Obrigada por você existir!!

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  2. Eu acho que, por meio de uma negação, você encontrou várias interrogativas… Então, vá ser gauche na vida e tratar de resolvê-las.. rs A nação e seu espírito agradecem! (A nação ou a sua pátria, fique à vontade para escolher… rs)

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  3. Pois é..eu também tenho vários livros e filmes para ler e assistir. Na verdade, eu sinto que devia ter aproveitado melhor meu tempo livre para conhecer mais coisas, mas só depois que eu cresci, virei gente grande (pelo menos fisicamente) e vi que não tenho tempo para mais nada eu percebo isso, ai, ai…(bom, segundo Sartre, a culpa é minha por ter escolhido isso para minha vida, né? ^^)

    Bjos, Marina. Até mais! ^^

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