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Ah, aquele dia…

Sala de espera, as minhas mãozinhas suavam frio e sentia certo nervosismo ao ver aquelas pessoas altas com casacos brancos. Várias pessoas sentadas na recepção, aguardando para serem atendidas no hospital. Eu, meu vestidinho, o cabelo bem longo, com cachinhos na ponta, usando uma tiara para afastar a franjinha dos olhos. Apenas 4 anos de idade. Ao meu lado minha mãe esperava que me chamassem para fazer o exame de sangue.

A enfermeira se aproxima e diz:

– Vamos lá, garotinha, tirar o sangue?

Olho perdida para a minha mãe. Será que vai doer?

-Ma, não fica com medo. A moça só vai dar uma picadinha com uma agulha no seu braço para fazer o exame, vai sair um pouco de sangue, mas não vai doer quase nada. Será bem rápido, tá?

Assenti com a cabeça e fui fazer o exame. Lembrei do que minha mãe disse, virei o rosto para o outro lado e, num instante, foi feito o exame. Em seguida, percebi que minha mãe iria passar pelo mesmo. Sentei-me ao lado dela, pousei a minha mão na dela, acariciei o seu braço e disse:

-Ó mãe, só vai dar uma picadinha no seu braço pra fazer o exame, não vai doer nada, tá? Vai ser rapidinho.

A enfermeira olhou atônita para nós duas e deu uma risadinha.

Creio que a nossa relação de cumplicidade e confiança se iniciou a partir desse momento de pura compaixão.

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