Poeta

Poeta

A verdade é que eu queria ser poeta
Daqueles que, numa mesa de bar,
A alegria e dor num copo se faz cultivar
E do real esse vagabundo é um profeta.
 
Ou o poeta de alma desgraçada
Com a alegria pendendo, cansada 
Ultrarromântico desiludido
com o mundo e consigo.
 
Ou quem da infância extrai beleza
Emociona pela delicadeza.
Mesmo já adulto tem dramas incertos
Quanto a si mesmo e seus versos.
 
Mas aqui estou
Achando que escrevo poesia
Falando com nostalgia,
Em frente ao computador.
Medusa

Medusa

Sou tomada por vertiginosa sensação 
Que ecoa perturbadora em meu interior. 
No metrô vejo o ziguezaguear do vagão, 
Insignificante, deixo-me levar em torpor. 
 
Dama indefinível, tem prazer com a agitação, 
Atrai com um manto costurado de gente. 
Com ela viramos anônimos na multidão,
Na dúvida se o encanto é vil e entorpecente. 
 
Sinto então percorrer o vagão hesitante, 
Como um só corpo, há pés e braços na multidão. 
Questiono: “Medusa, sou eu parte de você?” 
 
-Decides quem és, apenas a costuro ao meu ser. 
Sou às vezes turba e à felicidade, solidão. 
Mas em vício se embriagas em mel ondulante. 
 
 
Esse é meu primeiro soneto! Na verdade um “quase-soneto”. Ele é alexandrino (com doze versos) e a rima dos quartetos está alternada em ABAB e nos tercetos CDE EDC. Só faltou o cuidado com a sonoridade das sílabas em cada verso, um dia eu chego lá haha