Amor

Amor
Dir. Michael Haneke
França/Alemanha/Áustria – 2013
Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert
 

amouremmanuellerivaAmor é um filme independente, do diretor Michael Haneke, o mesmo do premiado A fita branca. Após assistir ao filme, é uma surpresa pensar na sua indicação ao Oscar 2013. Não em relação à qualidade – que é muito boa -, mas por ter o perfil que se denomina como cult, muitas vezes contemplado só quando se trata de Melhor filme estrangeiro. E, principalmente, pelo retrato difícil que faz da velhice, sem glamour ou sentimentalismos. Não é um filme fácil, que se vê para passar o tempo, somente. E, muito menos, um filme com diálogos que empurram o espectador a uma estrutura previsível. Ele se sustenta com o término da sessão e nos empurra a uma reflexão que, talvez, dure a vida inteira.

O filme conta a história de um casal idoso, professores de música, que estão vivendo bem, saem para assistir a concertos musicais. Tudo se torna melancólico e intenso quando Anne sofre um pequeno derrame ou apresenta alguma doença que a leva a perder, aos poucos, as habilidades motoras e a lucidez. O seu marido, Georges, é quem dá a sua prova de amor ao ficar do lado da esposa em cada momento no qual ela enfraquece.s, sem a pretensão de indicar acontecimentos lineares, só ruma para o final que já conhecemos. E, mesmo assim, o filme nos acerta em cheio com a vulnerabilidade dos personagens. E por que não a nossa, também, quando se trata da morte?

No apoio que Georges dá à Anne não se derruba lágrimas, não se diz te amo. Quando Anne grita de dor, o simples fato de Georges acariciar a mão dela a acalma.  Ele aguenta todas as situações, surpreso ou talvez até entediado quando vê a filha desmoronar de tristeza e choque com a doença da mãe. É ele quem se encontra no cotidiano de Anne, optou  por transformar a dor da esposa em algo com o qual deveria se habituar. Quando se ama, até mesmo a dor do outro deve ser compartilhada, sem o alarde do mundo exterior. É simplesmente sentida.

Há pequenos momentos em que o diretor aposta em simbologias, como um pombo que aparece no apartamento. Ele é um personagem que surge no enredo para representar justamente a força do amor de Georges. As ações que ele resolve tomar são explicadas quando se depara com esse pombo. É ele quem aparece como certo fantasma da vida que Georges e Anne levavam antes da doença. E quando o pombo voa, preserva viva as lembranças da primeira vida que o casal levava até esse último momento, que pôs à prova esse amor que os sustentava na banalidade do dia a dia.

Ademais, na mobília do apartamento em que vivem, agora no período da doença, se cristalizam as memórias de um passado irrecuperável. Quando Georges olha para o piano e lembra da esposa tocando, a realidade logo o retira dos devaneios e a música que ele ouve – antes tocada pela esposa – agora se torna dolorosa demais, como os móveis e os livros que já foram tocados por Anne, encerrando neles a vivacidade da amada.

Sendo assim, Amor consegue apostar num retrato honesto da vida, sem enfeites que poderiam prejudicar a veracidade de cenas tão comuns na nossa vida. A ida a um concerto, as refeições com a família, o choque da perda de um ente querido. E, principalmente, se vê como a morte, mesmo que pressentida em todo o filme e em toda a vida, surpreende e expõe a fragilidade humana.

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2 comentários sobre “Amor

    • Obrigada por visitar o meu blog! Realmente o final é confuso, pois a primeira cena do filme é um final que se encaixa antes das duas últimas cenas do filme. E fica em aberto também…

      Curtir

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