Rosa-púrpura no real

As roupas se penduram no varal
Tremem ao vento
Clamam por entre as pregas
A presença dessa ficção.
No varal suspendi minha bandeira
Implorando, acenando
Aos dias de casa cheia.
Volte, meu outro
Em que me vejo.
Outro que me acompanhava à padaria,
Chorava comigo no cinema.
Agora os filmes são solitários,
Até os atores espiam a plateia
Procurando você,
Meu outro eu
Quieto agora pela realidade cruel.
Os atores se ajuntam à tela,
Cogitam até sair à sua procura!
Em explosão de rosa púrpura
Você aparece na minha frente,
Preto e branco, adormecido.
De tanta espera o mundo envelheceu
As roupas e as lágrimas secaram.
Mocinha que espreita o horizonte
Fica para os trovadores.
É melhor as mentiras esquecer,
Com uma comédia blasé na TV,
E adeus à Ideia que foi você.
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2 comentários sobre “Rosa-púrpura no real

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