De castelo à pensão

O tempo me duvida,
E me esvazia.
Zomba, o deus soberano.
Os deuses de outrora deixaram seus fantasmas na Terra,
Perseguindo-nos com sussurros
E a maldição dos segundos que passam.
Deixam-nos nesse entrelaçar nas dúvidas vis, nas dores,
Mantos que só resvalam pelo homem
E voltam à constelação.
Mas deixam o vestígio no chão
Como terra sagrada,
Presente aos homens.
Nessa brevidade do viver terreno,
Ocupo um reino que pulsa pequeno demais para mim.
Ele incha e me abriga, ele encolhe e me sufoca.
Reino que escolhi.
Compõe-se de mitos já ouvidos em canções de ninar,
De um tempo distante de tudo. Minha herança. 
E nesse ínterim,
Torna-se fácil fazer uma descoberta:
Essa cidade é grande demais para mim.
Cidade-reino, de pessoas desconhecidas,
De amigos antigos,
Um reino na minha cabeça.
Só é um reino porque ele me parece meu.
Mas a verdade é que de reino
Ele se converte em democracia
Disposto a mudar sua política.
As bandeiras ao vento desse castelo
Acenam para a entrada de novos moradores,
Novos desbravadores,
Sozinhos nessa vida terrena
E que anseiam pelo expandir da palavra.
Vejo-me numa épica destruição do castelo
Pelas mãos dos outros.
Com essas paredes por vezes inúteis
É fácil ver a solidão cada vez mais se fortificar.
Pois então o castelo vira pensão,
Com uma infinidade de pessoas,
Casa agora em expansão.
Vida convertida
Na impressão
Nunca mais esquecida
Da areia que cai dos meus dedos.
Da morada inaugurada
Mais uma vez em mim.
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3 comentários sobre “De castelo à pensão

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