Conheça os incríveis detalhes do figurino de Game of Thrones

Matéria publicada no site Fashionatto

As tramas políticas, a disputa pelo trono dos Sete Reinos, as particularidades de cada Casa, a trajetória dos Stark, a morte cruel dos personagens que gostamos, o teor fantástico da série. Tudo isso já é conhecido pelos espectadores do seriado Game of Thrones, uma adaptação da obra “Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R.R. Martin. Entretanto, por vezes, deixamos de reparar na riqueza de detalhes dos figurinos, uma das várias proezas da parte técnica da série.

Michele Clapton é a designer responsável pelos vestuários que protagonizam o seriado. Ela já teve sua própria marca e também foi estilista de músicos antes de iniciar a sua carreira como figurinista voltada para a televisão. Agora, ela, que já é a vencedora do prêmio Emmy nesta categoria, foi novamente indicada por ser a responsável pelos inúmeros figurinos da série da HBO Game of Thrones.

A cada temporada é necessário que Michele analise como serão formulados os novos cenários, personagens, a fotografia e até mesmo considerar qual será o próximo personagem a morrer. Então, a pesquisa envolve os climas desses lugares novos, como é a política e o comércio locais, pois, afinal, deve-se considerar que tipos de especiarias e material estão disponíveis nos locais. Não dá para criar uma vestimenta muito pomposa se o personagem está em um lugar inóspito ou que não supra as necessidades climáticas. A partir daí, amplia-se a pesquisa começando a desenhar cada personagem.

Os desenhos são discutidos com os cortadores e armeiros. São criados pilotos para uma primeira prova. Ajusta-se o padrão e o tecido, o qual pode ser tingido, estampado, cortado, com aplicações em metal, pedraria. Assim, quando pronto, é entregue ao fabricante. Em seguida, têm, frequentemente, mais duas guarnições, no caso de trajes complexos, e em qualquer fase podem envolver o processo de envelhecimento, desgaste do metal e profissionais como a bordadeira e o armeiro, que levam em conta detalhes do próprio enredo da história.

Por conseguinte, esse não é um trabalho fácil e, muito menos, a escolha pelo figurino é aleatória. Se você estiver no Norte, por exemplo, a principal necessidade será a de ter uma roupa com tecido que esquente o suficiente quem mora em Winterfell. Ou a neve e a temperatura gélida da Muralha, que exige da Patrulha da Noite o uso de peles e inúmeras camadas que preservem a temperatura do corpo.

Além disso, a escolha pela cor é importante. King’s Landing tem um clima mais ameno e solar do que Winterfell. Nesse caso, a região fria pede cores sóbrias, como vimos Ned e Catelyn Stark usando nos episódios, pois o reino não possui tantos recursos de tingimento do tecido quanto há na capital do Sul. E, também, por questões estéticas do designer, já que a cor é responsável por criar uma identidade para cada um dos Sete Reinos, relacionando os climas às sensações proporcionadas por eles.

Como podemos ver, é um trabalho redobrado para a figurinista, pois se deve levar em consideração essa disponibilidade de material no local descrito pela ficção, além do clima e localização geográfica. Todos esses aspectos, então, fazem parte da composição do figurino, que dialoga tanto com as necessidades da série da HBO quanto com a imaginação do autor.

As peças passam por desgastes e tingimentos  para adquirirem a cor exata. O fato dos vestidos de Cersei apresentarem cores tão vivas e uma indumentária luxuosa remete à riqueza de King’s Landing. O local apresenta a abundância de recursos devido à localização no porto, em que é possível a negociação com outros reinos e a obtenção de joias e especiarias, além da posição de destaque da Casa Lannister no cenário político.

Outro figurino que, definitivamente, encheu os olhos do espectador foi da cidade Qarth, que recebeu Daenerys, a Filha da Tormenta. A cidade está situada em Essos, numa posição estratégica, o que a faz ser um portal de comércio e cultura entre o Oriente e o Ocidente, e entre o Norte e o Sul. Assim, é uma cidade extremamente rica, com uma arquitetura adornada por ouro, bronze e pedras preciosas. Em face disso, o figurino ganha detalhes também muito sofisticados. Antes, Daenerys, por viver com os dothraki, usava roupas feitas de couro de animais, numa indumentária rústica e simples, pois não havia recursos e tinha como objetivo ser resistente para a vida selvagem. Já em Qarth, ela precisou se adaptar e demonstrar gratidão por àqueles que a receberam, vestindo as roupas luxuosas típicas da cidade.

Michele também procura levar símbolos de cada Casa para a vestimenta. Por exemplo, a Casa Tully, que tem como símbolo um peixe. Assim, a figurinista desenvolveu um trabalho de modo que a armadura tivesse um aspecto escamoso, como o do animal. Michele também opta por bordar na vestimenta de Lady Catelyn alguns peixes, já que ela pertence a essa Casa.

O figurino usado por Sansa Stark também é mais uma boa surpresa. Um de seus vestidos tem um rico bordado que não foi escolhido por acaso. O leão, o lobo e o peixe que entrelaçam a cintura da jovem e os poucos fios em vermelho remetem à ligação feita entre os Stark (e os Tully – família de Lady Catelyn) e os Lannister, já que o símbolo das duas casas são, respectivamente, um lobo e um leão, além da cor vermelha que pertence a essa última. Na parte de trás do vestido, próximo ao pescoço, há somente um leão, que indica a forte influência que a Casa tem sobre Sansa, a escolha dela e quem venceu no embate entre as duas casas: os Lannister.

Clapton, que trabalha em Belfast, Irlanda, dirige uma equipe de tecelões, bordadeiras e armeiros que a ajudam a desenvolver os figurinos, em sua maioria, a partir do zero: eles têm o seu próprio tear em que tecem os tecidos. É inegável o realismo que as peças da figurinista dão à série. A exatidão dos detalhes, dos tecidos e das cores possibilita que a ficção se torne tateável não somente ao espectador, mas também aos atores.

Os elementos fantásticos da série surgem na vestimenta de Clapton, a qual consegue, com maestria, unir as várias camadas densas que encontramos na indumentária medieval ao enredo dos livros. Segundo Michele, ela não lida com um período histórico específico, o qual poderia ajudá-la a compor as peças com mais facilidade em meio a diversas referências que já temos em mãos. Pelo contrário, a dificuldade está em dar vida à criação presente nas páginas de um livro. Por isso, ela precisou se inserir entre os Sete Reinos e saber como aplicar o seu trabalho aliando as impressões dos diretores, dos atores, de modo que o figurino significasse também um trabalho em equipe.

Desta forma, visualizamos Westeros não como um reino fictício. Por uma hora de episódio, acreditamos no realismo da história não somente pela fotografia, elenco e roteiro impecáveis, mas pelo figurino também, um dos primeiros elementos que se apresenta a nós em um seriado. Com certeza a criação de Michele Clapton deixa uma ótima impressão ao espectador.

 Agora, Michele Clapton poderá ter seu trabalho novamente reconhecido, já que Game of Thronesrecebeu 17 indicações ao Emmy 2013, sendo uma delas a de melhor figurino, pelo episódio “Walk of Punishment”, da terceira temporada.

Aqui, você pode conferir um vídeo dos bastidores no qual Clapton fala sobre o processo de criação.

E aqui mais fotos dos figurinos!

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