Florence and the machine desfila de pés descalços e encanta no Rock in Rio

Resenha publicada nos sites Literatortura e Fashionatto

A apresentação de Florence and the machine no palco Mundo do Rock in Rio na noite desse sábado (14) conseguiu levar o público à histeria e encantar até mesmo quem não conhece o trabalho da cantora. O grupo inglês trouxe uma música orgânica, cheia de nuances e intercalada pelo som já conhecido da harpa entre os instrumentos, tudo liderado por uma Florence angelical e de vocal intenso.

Diferente de shows mais complexos visualmente, como o da Beyoncé e as diversas trocas de figurino que a americana apresentou, Florence compôs um show em um traje simples e esvoaçante, correndo pelo palco sem parar e cantando todas as músicas em um só fôlego. A inglesa foi ao extremo em cada música de sua apresentação, sendo acompanhada em uníssono por um público que sabia de cor todo o repertório e que ainda gritava o nome da cantora no fim de cada música. O coro do palco, na música Shake it out ou What the water gave me, se misturou de tal maneira ao público que se tornou impossível saber de onde vinha o som. Florence conseguiu a façanha que compõe o espírito do Rock in Rio: interligar-se com o público de tamanho descomunal e atingir todos, deixando-os estupefatos durante uma hora e dez minutos de apresentação.

Na verdade, diversos adjetivos cumprem bem a função de definir o show, mas a elevação sublime que cada música provocou tanto no público que estava no show quanto em que viu somente pela TV, é inexplicável. Florence tem uma presença de palco de uma cantora veterana. Mas a inglesa tem somente 2 álbuns, Lungs (2009) e Ceremonials (2011), muito bem-sucedidos. O trabalho dela é totalmente autoral, em que ela apresenta diferentes expressões artísticas para criar uma aura mágica e teatral em torno de seus trabalhos.

Florence pediu por sacrifícios humanos no palco, referência à criação de seus dois álbuns, que têm fortes influências místicas, desde o culto religioso de uma igreja envolta em vitrais – como vimos na apresentação de Shake it out, que mescla a presença do demônio ao paraíso – até o costume dos sacrifícios humanos nos cultos de povos antigos em tribos que tinham como intuito alcançar a divindade. Essa mistura entre cristianismo e até mesmo a mitologia greco-romana (como percebemos em Spectrum) faz da música de Florence uma tentativa de alcançar o divino. Mas não em uma figura única e plena. E sim, fazendo do artista e do público aqueles que se sujeitarão de bom grado ao sacrifício para alcançar o sagrado. E sagrado esse que subsiste na música da inglesa, em cada nota.

A ordem estabelecida na apresentação é quase como um culto. Podemos dizer que as primeiras músicas apresentam as nuances de romances vividos pelo eu-lírico até Shake it out, um passo para que cheguemos ao ápice de Dog days are over. Há até uma sincronia entre elas, já que na primeira a intenção é livrar-se do demônio que pesa sob as costas após o término de um romance complicado e a segunda é o momento de exaltar a liberdade após esses dias difíceis, “de cão” do título, com uma felicidade que atinge bruscamente.

Florence foi uma verdadeira divindade no palco que tanto sentimos nos versos das músicas compostas por ela. Ao descer repentinamente do palco e correr entre o público no meio da apresentação, resgatando as coroas de flores que os fãs traziam (uma marca da artista) e ainda a bandeira do Brasil, era a divindade saída de seu altar. Quando a cantora pede, em Spectrum, “say my name”, o que mais sentimos é a presença da divindade colorida corporificada em Florence. E só desejamos gritar o nome dela bem alto para que continue aqui entre os meros mortais.

Para ver o show completo, clique aqui

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