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De Frida Kahlo a Chaplin: os ícones retratados no cinema

Matéria publicada no site Fashionatto

Quando um filme biográfico é divulgado, logo a primeira expectativa que temos é se o ator ou atriz principal conseguirá representar bem o papel. Talvez essa seja uma das grandes dificuldades: inserir-se no mundo do personagem e lidar com a pressão de trazer à tona o lado humano de um ícone.  Para isso, a aparência é um dos primeiros pontos levados em conta. Obviamente, aliada ao estudo artístico que busca os trejeitos do personagem e a vestimenta certa, temos uma representação verossímil do personagem. No cinema, vemos muitos exemplos. Frida Kahlo, Charles Chaplin, Margaret Thatcher, Ray Charles, Johnny Cash. E muitos outros que podem ser vistos logo no final da matéria.

Um dos pontos em que pensamos é se o ator precisa mesmo já ser semelhante ao personagem que irá interpretar. Não necessariamente. A atriz Meryl Streep, por exemplo, se encontra quase irreconhecível no papel de Margaret Thatcher no filme A Dama de Ferro, no momento em que aparece idosa. Mas não chega a ser tão chocante quanto a caracterização de Cate Blanchett como Bob Dylan, sendo assim, irrelevante se é uma mulher que interpreta um papel masculino. Ou o ator Joaquin Phoenix, que não é muito parecido com Johnny Cash, mas sua interpretação traz o cantor à vida de uma forma assustadoramente real, pela forma com que ele cantava e segurava o violão. Ou ainda Michelle Williams, diferente de Marilyn Monroe, mas que conseguiu reproduzir com naturalidade o timbre de voz da atriz icônica.

Os exemplos dados demonstram que o denominador comum para que dê certo a caracterização é o que imaginávamos: o talento do ator. Sem deixar de lado o trabalho dos figurinistas e maquiadores, claro. O que não podemos esquecer é que se o ator não sabe como dar vida ao personagem, ele se torna uma caricatura. A roupa pode estar certa, mas o tom do personagem, não. Essa é a parte delicada do trabalho artístico: lembrar-nos que se trata de uma ficção, mas que o essencial do ícone está lá, na interpretação.

O último filme que assisti, o qual retratava uma personagem real, foi o alemão Hannah Arendt, ainda em cartaz em poucas salas. O filme trata da história da filósofa judia Hannah Arendt, a qual se envolveu numa grande polêmica ao escrever um artigo ao The New Yorker sobre o nazismo. Não cabe aqui entrar em tantos detalhes sobre o enredo e a importância do que o filme tratava. O fato é que a atriz não precisou se apoiar tanto em maquiagem e figurino para a filósofa aparecer ao expectador. Mas eu tive quase uma epifania com a atuação dela. Eu poderia jurar, por um segundo, que ela era Hannah Arendt. A forma com que a atriz fez o discurso argumentando as suas ideias tão duramente criticadas na época soou heroico, febril, intenso e verdadeiro.

Ben Kingsley (Georges Méliès, A Invenção de Hugo Cabret)

Outro ator que convence escandalosamente por sua atuação é Ben Kingsley, interpretando o cineasta George Méliès, no filme A Invenção de Hugo Cabret. Parece até insano dizer isso, mas é quase possível dizer que ele é o Méliès, que toda a história do filme realmente existiu. A atuação dele é o ponto de convergência para a interpretação de todos os outros atores do elenco e, principalmente, a capacidade do filme em surpreender. Acreditamos no drama do personagem porque a atuação de Kingsley é elegante. Isso porque pouco se sabe do próprio Méliès, portanto ele precisou dar a sua própria forma ao cineasta.

Marion Cotillard (Edith Piaf, Piaf – Um hino ao amor)

Não podemos nunca esquecer, também, da performance que rendeu um Oscar à atriz Marion Cotillard por Edith Piaf. É uma das maquiagens mais impressionantes e reais que eu já vi no cinema. A atriz também adotou os mesmos trejeitos da cantora no palco, a postura curvada, resultado de um reumatismo. O processo de maquiagem durava 4 horas, no qual o maior trabalho era conseguir apagar as feições de Cotillard e aplicar as de Piaf, como a sobrancelha desenhada, a testa maior que a da atriz, os lábios desenhados pelo batom vinho, como na época, e a peruca. Além disso, havia a dificuldade na expressão corporal da cantora – afinal, ela sentia muita dor a ponto de usar morfina constantemente – e do envelhecimento durante o filme. Quando vi o rosto da atriz, achei impossível encontrar a Piaf nele. E sua atuação foi extremamente sublime e realista.

Meryl Streep (Margaret Thatcher, A Dama de Ferro)

Sabemos que, no caso da atriz Meryl Streep, devido ao seu inegável talento, muitos brincam que ela poderia até mesmo assumir o papel do Batman. E ela o faria muito bem. Em relação à Dama de Ferro, a primeira polêmica foi com a escolha de uma atriz americana para o papel. Como se Meryl Streep não soubesse reproduzir o sotaque britânico. A atriz conseguiu a façanha de transformar a figura de Margaret Thatcher – considerada “dama de ferro” por sua frieza – em uma pessoa humana. Isolada, recebendo críticas do mundo, envelhecendo: todas essas fases foram mostradas no filme. Meryl reproduziu o tom de voz agudo, os gestos, e a maquiagem a fez idêntica à Margaret. A postura da política pode ser questionável, e até mesmo a decisão por mostrar uma versão mais neutra dela no cinema, também. Mas a verdade é que o filme só ganha vida com a atuação de Meryl Streep, que é excelente. Com isso, a única certeza que tínhamos em 2011, durante a premiação do Oscar, é que ela levaria a estatueta.

Em suma, o papel do ator é conseguir representar as diversas facetas de seu personagem. Tomá-lo como ficção, mas preocupando-se em expor a humanidade presente nele. Quando os atores resolvem interpretar personagens tão multifacetados – porque são reais – eles podem muito bem ser críticos quanto à abordagem que será dada. Contudo, ao incorporar as suas características, os atores devem ser os seus personagens, no sentido de que não irão julgá-los exteriormente. É a partir desse trabalho interno, de imersão à vida do outro, que o ator consegue visualizar com certa clareza as nuances de seu personagem. Apresentar a hesitação, a raiva, o egoísmo, a fraqueza e o talento que fizeram dessas pessoas uma referência cultural.

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Família talentosa! 10 pais e filhos escritores marcantes

Matéria publicada no site Literatortura

“Filho de peixe, peixinho é”. Certamente, você já ouviu esse ditado, muitas vezes citado orgulhosamente quando nos deparamos com alguém que possui o mesmo talento surpreendente da família. Mas não dá para considerá-la verdadeira. Esse ditado nos faz pressupor que genética e laços familiares definem a pessoa como somente uma extensão dos pais ou que poderíamos herdar determinado talento por simplesmente ter nascido naquela família.

Não dá para negar que temos muito de nossos pais, mas não é algo herdado geneticamente, e sim, pelo convívio e as experiências que vamos adquirindo durante o tempo em que desenvolvemos a relação familiar. Afinal, a educação influencia quem seremos no decorrer de nosso crescimento.

Pensando nisso, inicialmente, fui escrevendo essa matéria com a impressão de que a relação entre pais e filhos escritores seria fascinante, entrelaçada pelos livros. Mas a verdade é que temos essa visão um tanto inocente, pois nós mesmos, como leitores, misturamos a impressão que temos sobre o significado da leitura e as nossas experiências com os livros. Não pareceria bom ter uma família com o mesmo gosto que você? Aparentemente, sim.

Como um leitor comum, a relação que temos com os livros e com escritores costuma ser carregada de carinho. As lembranças que temos realmente nos influenciam. Um livro que seu pai deu a você de aniversário; a primeira coletânea de histórias infantis que você ganha assim que aprende a ler; uma dica de livro dada a esmo – mas nunca esquecida -; uma história lida antes de você dormir; o primeiro livro sem imagens apresentado a você, um leitor ainda precoce. Ou até mesmo um momento inesquecível como ganhar, das mãos dos seus pais, os livros que pertenceram a eles quando tinham a sua idade. Tudo isso se torna uma lembrança muito doce, para quem é simplesmente um leitor em formação. Faz com que a gente se apaixone ainda mais pela literatura.

 Sabemos que é comum os pais influenciarem seus filhos quanto à profissão que eles irão seguir. Muitos optam por serem médicos, advogados, pois se espelham na família, admiram a profissão ou, em casos mais específicos, escolhem-na por pressão. E os filhos de escritores? Vendo-os criando tantas histórias fascinantes, não é possível se encantar e querer seguir os passos dos pais?

Parece, à primeira vista, ser curiosa a relação entre eles, permeada pelas ficções. E pode ser realmente boa para o filho, encontrando na família um apoio para aquilo que passa a significar muito a ele: a escrita. Se a relação com o pai foi boa, ele servirá como inspiração, fato que podemos observar logo abaixo com a família de Stephen King. Não teve jeito, os filhos se tornaram fascinados, também, pelas histórias de horror, personagens que passam a aparecer nos cenários que eles criaram como escritores, agora já adultos.

Ter um pai escritor pode proporcionar um companheirismo diferente. Divide-se entre pai e filho as expectativas e o momento inquietante de partir de um papel em branco a uma verdadeira criação literária. Mas, em outros casos, escrever se torna um peso complicado com o qual lidar, pois se tornam inevitáveis as comparações entre pai e filho, se o primeiro obteve grande reconhecimento literário.

Mais ainda, pode ser conturbada a relação entre ambos. E isso já não se explica pela escolha da mesma profissão, mas sim do que ocorre entre a família. Infelizmente, no caso do escritor John Steinbeck IV, filho do autor John Steinbeck, além de carregar o mesmo nome do pai, o passado em sua companhia foi doloroso. No fim, a escrita tornou-se o seu consolo e única forma de relatar suas experiências, talvez para canalizar o sofrimento pelo qual passou.

Desta forma, há mais de uma faceta na relação entre pais e filhos escritores, como em qualquer outra família. O fato de ser escritora não torna uma família melhor. Os dramas fazem parte desse microcosmo. Mesmo que a relação não tenha sido boa entre os dois, no fim das contas o amor pela escrita acaba falando mais alto. E é por ela que as lembranças se convertem em uma criação importante. Ou em mais um modo de ficar próximo da inspiração paterna e o amor pelas ficções que esse proporcionou ao longo da formação do filho.

Por isso, reunimos aqui uma breve lista de escritores consagrados que possuem filhos também apaixonados pela escrita e que seguiram os passos da família.

1 – Alexandre Dumas: sabemos da grande importância de Dumas para a literatura. Mas não podemos esquecer que Dumas é um sobrenome dividido entre dois escritores, pai e filho. Alexandre Dumas Pai foi responsável por obras como  O Conde de Monte Cristo e a trilogia Os Romances de D’Artagnan nos quais surgem os Três Mosqueteiros e O Homem da Máscara de Ferro. E Alexandre Dumas Filho, inspirado pela carreira do pai, nos presenteou com mais um clássico literário assinado pelo célebre nome, o livro A Dama das Camélias. O curioso é que ele é filho ilegítimo de Dumas com uma costureira e, por isso, o autor tirou a criança da guarda da mãe. Devido ao sofrimento da separação da própria mãe presenciada por Dumas filho, a figura feminina permeia constantemente as obras dele. Enquanto o primeiro constrói enredos mais imaginativos e cheios de aventuras, o segundo é autor de obras mais provocativas em relação à burguesia.

2 – Érico Veríssimo: no Brasil, temos a família Veríssimo. Érico, autor da saga O Tempo e o Vento, inspirou seu filho e tão clássico quanto o pai, Luis Fernando Veríssimo, autor de romances consagrados e dono das melhores crônicas do país, como parte das coletâneas Comédias para se ler na escola e Comédias da vida privada. E as duas filhas de Luis, Mariana e Fernanda, optaram também pelo jornalismo e pela literatura. Luis diz lembrar muito do pai, “ele nunca foi um ativista político, mas foi um homem correto, decente e coerente nas suas posições e declarações”, e ainda acrescenta: “meu pai foi um dos maiores romancistas brasileiros e sua obra continua atual e importante. Tenho orgulho disso e não tenho nenhuma pretensão de igualá-lo”. Mas, paradoxalmente, ele diz que nunca conversou com o pai sobre literatura, o que foi uma das causas, segundo ele, para que começasse a escrever tão tarde, tendo seu primeiro livro de crônicas publicado com 37 anos.

3 – H. G. Wells: ele é o autor de A Guerra dos Mundos, livro de 1898 que fez milhares de pessoas acreditarem que a Terra estava sendo invadida por alienígenas, ao ouvir uma transmissão de rádio, em 1938. Não eram marcianos e sim, a divulgação do filme que adaptou o livro. O que poucos sabem é que o filho Anthony West, inspirado pelo pai talentoso e um dos mestres da ficção científica, também foi escritor, o qual escreveu meia dúzia de livros, incluindo uma biografia sobre Wells, Aspectos de uma vida.

4 – Stephen King: talvez nem todo mundo saiba, mas Stephen King também teve dois filhos escritores. Joe Hill, já lançou dois romances, A Estrada da Noite e Fantasmas do século XX, além de trabalhar com Graphic Novels. Tanto que uma de suas obras, O Pacto, deve ser lançada em breve nos cinemas, com o ator Daniel Radcliffe. Já Owen Hill, o caçula de King, lançou três livros, mas recebeu fortes críticas, nos Estados Unidos. Fico pensando quais tipos de histórias Stephen deveria contar para os filhos, antes de dormir. A presença de criaturas fantásticas e o clima de terror presentes em King também se mostram nas obras de Joe. Segundo o caçula, histórias de horror são o negócio da família.

5 – Dias Gomes: renomado autor de novelas, peças para o teatro e membro da Academia Brasileira de Letras, Dias Gomes também possui importante careira na literatura com publicações como A dama da noite e Odorico na Cabeça. E ainda a ótima peça O pagador de promessas, que originou o filme de 1962 que ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, por Melhor Filme. A filha dele, Mayra Dias Gomes, também decidiu seguir a carreira do pai, tendo entre seus livros Mil e uma noites de silêncio e Fugalaça. Como curiosidade, Dias Gomes foi casado com a também autora de novelas Janete Clair, que escreveu Irmãos Coragem e Selva de Pedra. Podemos dizer que ambos foram marcantes para o gênero na televisão, criando modelos que, hoje, são repetidos incansavelmente pelas novelas da programação.

Três gerações de escritores do jornal The New Yorker: John Updike, o filho David e Linda, mãe de John.

6 – John Updike: escritor, crítico literário e vencedor de dois prêmios Pullitzer por Rabbit Run, John Updike é conhecido como autor de As Bruxas de Eastwick. Ele teve quatro filhos, sendo um deles David Undike, autor de diversas histórias publicadas em jornais e uma coletânea de quatro livros destinados a crianças, as quais foram ilustradas por ele. Ele também é professor e fotógrafo. Curiosamente, ele ilustrou com fotos de sua autoria o livro infantil A Helpful Alphabet of Friendly Objects, escrito por seu pai, John Updike.

7 – Carlos Nejar: um dos principais poetas brasileiros, membro imortal da Academia Brasileira de Letras, Carlos Nejar deixou obras ricas de vocabulário, como Sélesis. Nelas presenciamos o uso de aliterações, que proporcionam uma musicalidade aos versos, construídas belamente pelo autor. O filho do autor, o irreverente Fabrício Carpinejar, é um dos principais escritores da literatura contemporânea, o qual aborda em seus livros temas recorrentes ao cotidiano. E ainda, no livro, Um Terno de Pássaros ao Sul, Carpinejar faz o que a crítica considera uma versão do clássico Carta ao Pai, de Kafka.

8 – John Steinbeck: uma lenda da literatura, com o Nobel e o Pulitzer na estante, Steinbeck teve dois filhos, Thomas e John IV. E os dois se tornaram escritores. Thomas escreveu roteiros e documentários diversos, assim como um livro de contos, Down to a Soundless Sea, o qual foi publicado em seis línguas. John IV serviu no Vietnã como correspondente de guerra. E isso proporcionou a ele tamanha experiência que o levou a relatar o que presenciou nas páginas do In Touch. Mas a relação dele com os pais não foi boa, envolvido em um mundo de alcoolismo, divórcio, a distância do pai e um provável abuso dos pais e alguns amigos próximos da família, fato que o levou a começar a escrever sua autobiografia The Other Side of Eden, livro publicado após a sua morte, com co-autoria da esposa do autor.

9 – William F. Buckley: comentarista e fundador da revista National Review, figura presente em diversos jornais televisivos e autor de mais de 50 livros sobre a escrita, fala, história, política, Buckley também criou uma série de romances sobre um agente da CIA chamado Blackford Oakes. Seu filho, Christopher Buckley, é conhecido como um satirista político e por romances como Obrigado por Fumar e Little Green Men.

10 – Família Waughs: o trabalho dessa família foi épico. Produziu escritores por quatro gerações. Primeiro foi Arthur Waugh, que rompeu com a tradição familiar da medicina e se tornou um influente colunista, editor e biógrafo. E, então, Arthur teve dois filhos, Alec e Evelyn, os quais continuaram o legado de seu pai. Auberon, filho de Evelyn, é responsável pela biografia da família, com o livro Pais e Filhos. E Peter Waugh, filho de Alec, não é escritor. Ele relata, em entrevista ao The Guardian, que sempre foi muito distante do pai. Arthur Waugh sempre deixava claro a diferença que fazia entre Alec e Evelyn, preferindo o primeiro. Para Evelyn, havia rancor pela relação quase incestuosa entre Arthur e Alec, pois o patriarca considerava como único herdeiro o filho favorito. E Alec acabou sendo um pai negligente com Peter, demonstrando desinteresse pela presença do filho. Porém, nos últimos anos de convivência com o pai, a relação entre eles se estabeleceu com mais carinho e proximidade, apesar da melancolia quanto ao passado.

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Personagem Mônica posa para revista com looks de estilistas brasileiros

Matéria publicada no site Fashionatto

Podemos afirmar que, para muitas crianças, a Mônica foi uma das primeiras heroínas que conhecemos pelos quadrinhos, em nossa infância. O vestido vermelhinho da Mônica se tornou inconfundível e sua marca registrada nos quadrinhos. Quando mostravam o guarda-roupa da menina, na história, havia só vestidos vermelhos. Mas eu me lembro que, no alto dos meus sete anos, fiquei encantada com uma edição em que a Mônica e a Magali participavam de um desfile de moda. E não era incomum gostar dos quadrinhos da Tina justamente pelas peças modernas que a personagem usava.

Mônica tirou a sorte grande agora. A edição 15 da revista L’Officiel Brasil, comandada no Brasil por Erika Palomino, trouxe um ensaio exclusivo como comemoração dos 50 anos da Mônica. A garota troca seu vestido vermelho por looks do verão 2014 brasileiro, com poses referentes à edição francesa da revista. Há peças clássicas inspiradas nos anos 60 e assinadas por estilistas especialmente para o ensaio, como você pode conferir abaixo.

A estilista Adriana Degreas, conhecida por seu beachwear luxuoso, foi homenageado com seus maiôs listrados, que foram destaques na última SPFW.

Contudo, não foi somente pela revista que a personagem Mônica ingressou no mundo da Moda. O desfile da Apoena, na Fashion Rio, resolveu homenagear os 50 anos da Mônica com um desfile que trouxe os personagens como estampas, misturando-os aos florais, e com cores presentes nos quadrinhos, como verde, vermelho, preto e branco. Confira aqui.

A Turma da Mônica é uma das poucas histórias infantis genuinamente brasileiras que compõe um mercado extremamente vasto. Já teve um parque temático, não é difícil encontrar itens como bolsa e roupas com estampas dos personagens. Em 2008 foi lançada a primeira edição da Turma da Mônica Jovem, com traços que remetem aos mangás japoneses, agora com os personagens adolescentes e adultos. Já pudemos conferir até mesmo o primeiro beijo e o casamento da Mônica e do Cebolinha. E esse ano foi lançada a edição Laços, com uma história distinta dos quadrinhos, com traços mais minimalistas e teor fantástico, edição essa que tem sido elogiada como um trabalho muito bem feito e cuidadoso.

A primeira exposição considerada artística que vi foi História em Quadrões na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Maurício de Souza recriou quadros considerados clássicos, com os personagens da Turma da Mônica, num jogo de intertextualidade que muitas escolas adoraram, como meio de inserir os alunos na história da arte. O museu ficou lotado de crianças, com mais de 1 milhão de visitantes durante todo o período da exposição, que contemplavam curiosas os personagens dos quadrinhos em poses pomposas, enquanto os professores explicavam a referência aos artistas. Havia Mônica como Mona Lisa, Magali com a vestimenta de bailarina, marca de Degas, Chico Bento no quadro de Van Gogh, a escultura do Cebolinha como O pensador de Rodin ou O tocador de pífaro, de Manet.

A Turma da Mônica já fez parte da infância de muitas gerações. As crianças que se encantaram pelas páginas da turma hoje são pais e mães, que transferiram a história aos seus filhos que, por sua vez, já são adultos hoje. Os quadrinhos em mangá vieram para conquistar mais uma geração que, surpreendentemente, se mostra fã dos personagens, da mesma forma que fomos há mais de 10 anos. Só podemos esperar que Mônica complete ainda muitas décadas nos quadrinhos.

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Conheça os principais casais dos filmes de Tim Burton

Matéria publicada no site Literatortura

Tim Burton é um diretor conhecido pelo mundo à parte que criou para o cinema. O sombrio torna-se regra em seus filmes, mas aliado a um lirismo incomum; o que consideramos aterrorizante, normalmente, ganha sentido no mundo do diretor.  Em seus filmes, conhecemos personagens esquisitos, mas com profunda humanidade. E é aí que entram os casais. Praticamente todos os casais de Burton não constituem o estereótipo dos personagens alegres, que se tornam melosos ao se declararem apaixonados, em algumas comédias românticas. Eles são singulares, do jeito que só Burton pode imaginar. Confira abaixo a lista dos principais casais dos filmes do diretor.

Sweeney Todd e Mrs. Lovett (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, 2007)

Não é bem um filme romântico. Mas até na mente genial de Tim Burton a parceria entre Sweeney Todd e Mrs. Lovett pode se tornar romântica, mesmo que carregada de humor negro. Ou só na mente de Mrs. Lovett. A relação entre os dois começa assim que o barbeiro Benjamin Barker, após ter respondido por um crime que não cometeu, retorna à Londres e procura Mrs. Lovett, dona de uma loja de tortas falida. Ela aceita ajudá-lo a se vingar de seus inimigos, como uma forma de tentar conquistar o coração do barbeiro. A união dos dois se faz pelo projeto ousado o qual têm em mente: reerguer a loja de tortas usando a carne… do padre, do poeta, do advogado, do juiz. Carne humana. Afinal, o preço da carne está muito alto. E com tanta carne passando por aí, seria um desperdício, não? Aquelas tortas que, antes, eram as piores de Londres, feitas entre uma barata e outra, se tornam um sucesso. Mas o mundo colorido sonhado por Mrs. Lovett vai se esvaindo diante da vontade de Sweeney em se vingar. Ela até tenta conquistar o barbeiro mostrando a vida colorida que os dois poderiam ter, mas a resposta é o ar blasé de Sweeney e a sua sede de vingança. Sem dúvida, um dos casais favoritos de Tim Burton, não só por ser interpretado por Johnny Depp e Helena Bonham Carter, mas porque o romance ganha o charme estranho de uma deliciosa torta de carne.

Adam Maitland e Barbara (Os Fantasmas se Divertem, 1988)

Adam e Bárbara formam um jovem casal que sofrem um acidente de carro e morrem. Para que possam ter finalmente paz, precisam ocupar, como fantasmas e por cinquenta anos, a casa na qual moravam. Porém, logo um casal compra a casa. Adam e Bárbara, por serem fantasmas inofensivos, não conseguem assustar os novos moradores. Esse é o estopim para que o casal resolva contratar os serviços de Beetlejuice, uma espécie de exorcista que poderia assustar os novos moradores e, assim, Barbara e Adam conseguiriam reaver a casa. Mas tudo foge do controle. Mesmo assim, em meio a toda a confusão, o casal continua apaixonado após a morte, apoiando um a outro na tentativa de recuperarem a vida, mesmo que ela seja numa dimensão um tanto diferente. Sabe a famosa frase “até que a morte os separe”? Para eles, a morte é só o começo.

Edward e Kim (Edward Mãos-de-Tesoura, 1990)

Esta poderia ser uma história comum entre dois jovens. Mas não é. Edward é um jovem que possui tesouras no lugar das mãos e, por isso, vive solitariamente numa mansão. Ele foi criado por um cientista que morreu antes de dar mãos à sua criação, então foram substituídas por lâminas. Após ser acolhido por uma senhora, Edward passa a conviver com humanos, mas é visto com desconfiança e deboche pelos vizinhos. Porém, logo se percebe o talento que o jovem tem ao podar arbustos, criando belíssimas figuras, além de criar cortes de cabelos ousados. A única que percebe a inocência e a bondade de Edward é Kim, filha da senhora que o ajudou. A relação entre os dois é complexa, permeada por conflitos, preconceitos e desentendimentos com a vizinhança. Mas o carinho e admiração são a essência do relacionamento dos dois, sendo Kim aquela que inspira Edward em suas criações e a se tornar independente.

Batman e Mulher-Gato (Batman: O Retorno, 1992)

O romance entre Batman e Mulher-Gato não é lá muito simpático. Ambos são inimigos. Mas isso não chega a ser um empecilho para Bruce Wayne e Selina Kyle se apaixonarem. Em meio aos planos de Pinguim e da própria Mulher-Gato, Bruce Wayne ainda arranja tempo para ser seduzido pela vilã. A crítica afirma que Tim Burton não soube dosar muito bem o romance, deixando um final confuso e a sensação de que Bruce Wayne, no fim, perde a sua estranha amada. Independente disso, Batman e Mulher-Gato compõem mais um casal inusitado do diretor.

Victor Van Dort e Emily (A Noiva Cadáver, 2005)

Na adorável animação A Noiva Cadáver, conhecemos a história de Victor Van Dort e Emily. O jovem está prestes a se casar com a doce Victória Everglot. Nervoso com a perspectiva do casamento, o rapaz resolve sair à noite, na véspera, para espairecer um pouco. Victor ruma, então, para um cemitério, no qual passa a ensaiar em voz alta para o casamento, levando-o a pedir acidentalmente em casamento Emily, uma noiva que foi assassinada há muito tempo. Assim, Emily apresenta-o à Terra dos Mortos, um mundo colorido e animado pelo jazz, bem diferente do tédio e das convenções da Londres do século XIX na qual Victor vivia. Há um grande carinho e respeito entre Victor e Emily. Mas Victor também ama Victória. Assim, vemos uma relação tão conflituosa quanto a linha tênue que separa a Terra dos Mortos da realidade viva.

Ed Bloom e Sandra (Peixe Grande e outras histórias, 2004)

O filme Peixe Grande é um dos poucos filmes de Tim Burton com clima solar. O personagem principal da história é Ed Bloom, um contador de histórias. Segundo ele, quando jovem, saiu sem rumo de sua cidade natal para realizar uma volta ao mundo. Ele conta para o filho Will todas as aventuras que teve nessa viagem. Mas seu filho, já adulto e prestes a ser pai, passa a colocar em dúvida a veracidade dessas histórias, tomando-as somente como ficções que o pai inventara. A questão é que, sendo verdadeiras ou não, Ed Bloom conta como foi mágico conhecer a sua esposa Sandra. Ele a conquista com simplesmente um jardim cheio de flores amarelas, pois lembram o tom de cabelo da amada. Se aconteceu mesmo ou não, ficaremos sem saber. O mais importante é presenciar como o amor dos dois sobreviveu à guerra e a outros infortúnios, tornando-se real sem deixar o lirismo das ficções. Nem importa se a história foi inventada. Ela torna-se real nas palavras de Bloom. Mesmo sendo um filme doce e puramente romântico, Burton não abandona o caráter fantástico que atribui a seus filmes, o que torna Peixe Grande mais uma bela história do diretor.

Jack Skellington e Sally (O Estranho Mundo de Jack, 1993)

Podemos dizer que Estranho Mundo de Jack é o filme no qual sentimos o mundo particular de Tim Burton ainda mais vívido na tela, além de ser um dos filmes mais conhecidos do diretor. Jack é um rapaz admirado por todos da Cidade do Halloween. A cada ano, os moradores se organizam para a festa de Halloween, mas aos poucos Jack mostra-se entediado com a mesmice da celebração. Com isso, em uma de suas andanças solitárias pela floresta, ele descobre diversos portais pelos quais conhece outros tipos de celebração. E uma delas é o Natal. Jack fica encantado com o espírito natalino e, ao voltar para a cidade, resolve tentar organizar o Natal, convencendo a população a ajudá-lo a sequestrar o Papai Noel. E é Sally quem tenta fazê-lo voltar atrás, mostrando que o Natal não poderia ser feito por meio de um ato egoísta. É o amor de Sally e Jack que acaba salvando o Natal e trazendo à tona o espírito natalino na Cidade do Halloween. É preciso dizer que o casal já é tão emblemático que, apesar de ter sido criado há duas décadas, continua inspirando músicas, filmes, indo também parar em bolsas, camisas, acessórios e até cosplays mundo afora.

Alice e o Chapeleiro Maluco (Alice no País das Maravilhas, 2010)

Nesta versão de Tim Burton, Alice é uma jovem de 17 anos que, após fugir de sua festa de noivado ao ver um coelho apressado segurando um relógio, cai novamente em um buraco, indo parar no País das Maravilhas. Mas ela não lembra de já tê-lo visitado. Há o reencontro de Alice com o Chapeleiro Maluco. Em vez de presenciarmos uma relação amorosa, vemos uma química entre eles, uma paixão platônica. E, acima de tudo, uma grande admiração da mocinha por aquele chapeleiro que não sabe mais em que mundo vive. E ele pela adulta que Alice está se tornando, o que implica tomar decisões por si mesma.

Ichabod Crane e Katrina Van Tassel (A lenda do Cavaleiro-Sem-Cabeça, 1999)

O cenário é o Condado de Sleep Hollow, em 1799. O investigador Ichabod Crane é chamado após estranhas mortes assombrarem a cidade, nas quais as vítimas apareciam decapitadas. Acredita-se que o assassino é o Cavaleiro-Sem-Cabeça. Para solucionar o caso, o investigador recebe a ajuda de Katrina Van Tassel, por quem se apaixona. É ela quem o ajuda a seguir as pistas e também a controlar o medo de ficar face a face com o assassino, dando-lhe a coragem que faltava para Crane ser o herói da história.

Barnabás e Angelique Bouchard (Sombras da Noite, 2012)

O filme Sombras da Noite narra a história de Barnabás, um jovem que é amaldiçoado após seduzir e partir o coração da bruxa Angelique Bouchard. Por isso, a moça o transforma em vampiro e o aprisiona por dois séculos em uma tumba, além de matar a amada de Barnabás, a mocinha Josette. Barnabás só consegue se libertar em 1972, com sede de sangue e de vingança. Ele volta à casa que lhe pertencia e se une aos familiares que restaram. Logo ele se apaixona por Victoria Winters. Digamos que esse é o casal oficial da trama. Porém, durante o filme, queremos mesmo é ver as cenas insanas e apaixonadas entre ele e Angelique, que continua viva e ainda muito perigosa. Não é um dos melhores filmes do diretor, pois beira a um non-sense exagerado, o qual faz a história se perder um pouco. Mas, certamente, a relação entre um vampiro e uma bruxa é mais uma artimanha de Tim Burton para mostrar que o amor, no seu mundo, sempre vem carregado de ironia e uma boa dose de humor negro. Acho que já concluímos que esse é seu denominador comum, e faz o mundo criado por Burton ser particularmente fascinante.

Fonte.

Revisado por: Patricia Oliveira

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Os sinais de que você é Hermione Granger

Matéria publicada no site Literatortura

Você está disposto a ter uma revelação? É a sensação que muitos leitores tiveram ao ver essa lista publicada pelo Buzzfeed, algo do qual uma grande parcela já suspeitava em todos esses anos em que lemos os livros e vimos os filmes de Harry Potter. Muitos que resolveram ler essa matéria provavelmente terão uma revelação mais importante que aquela que o Chapéu seletor pôde dar ao Harry quando quase o colocou na casa Sonserina: você pode ter mais semelhanças com Hermione do que pensa, além de ser estudioso ou um leitor assíduo. A verdade é que, se não fosse a Hermione, muita coisa não teria dado certo na saga do Harry Potter. Ela sabia resolver enigmas, fazer as melhores pesquisas na biblioteca, analisar racionalmente o comportamento dos colegas e o que poderia acontecer se Harry agisse de determinada forma. Ou seja, ela é realmente uma das bruxas mais inteligentes que Harry, Rony e nós conhecemos. Vamos à lista, então.

Você é fisicamente incapaz de dominar o seu cabelo. Nos filmes modificaram um pouco o cabelo de Hermione: eles foram ficando menos espessos e até loiros. Na Pedra Filosofal, eles eram bem cheios. Já no Enigma do Príncipe, durante um experimento na aula do prof. Slughorn, os cabelos da garota ficam arrepiados por causa do vapor, e lembramos com carinho quando conhecemos a Mione pequenina de cabelos cheios. Mas, gente, o que é um cabelo diante da genialidade dela? É mais um dos charmes de Hermione. Vale lembrar que ela também dá um jeitinho de consertar os dentes por meio de magia, com a ajuda de Madame Pomfrey, numa cena que aparece no livroCálice de Fogo. Sabemos que, no caso dos cabelos, depende da genética e aqui esse item não se aplicaria a todo mundo. Então, vamos ao próximo.

Você prefere estar em uma biblioteca a qualquer outro lugar. E sabe muito bem como encontrar um livro, memoriza fotograficamente onde se encontram as obras de determinado autor que você já procurou e dá pulinhos de alegria quando o professor diz que o livro não está na xerox da faculdade, mas que devem procurar na biblioteca. É um lugar mágico, não precisa ser bruxo para saber disso. Você, querido trouxa, deve se sentir bem quando entra na biblioteca e, sendo potteriano, lá no fundo se imagina procurando Hogwarts: uma história por entre as estantes de literatura estrangeira ou discutindo com seus colegas sobre Nicolau Flamel.

Você, às vezes, é um pouco intensa. Fica nervoso(a) quando tem prova, trabalho, seminário, discussões em sala. É um tanto perfeccionista e neurótico(a) com os estudos. Não se acanhe, Hermione é o maior exemplo desses defeitos. No Prisioneiro de Azkaban, descobrimos que o maior medo que Hermione tem – que é incorporado pelo bicho papão quando se fica diante dele – é a Profa. McGonagall dizer que ela bombou em todas as matérias. É, prova o quanto ela é intensa. No mesmo livro, a estudante fica aflita quando recebe o resultado de suas notas e percebe que em Defesa Contra as Artes das Trevas tirou um “ótimo” e em todas as outras um “excelente”. Os amigos podem dizer que não há nenhum problema com a nota, mas Hermione fica inconsolável. O bom é que, aos poucos, ela vai controlando essa neurose pela perfeição que, na verdade, era só a necessidade que ela tinha de se provar como uma grande bruxa, pois queria o seu espaço e sabia que alguns a julgariam por ser nascida trouxa. Por isso, ela esperava muito de si mesma. Se tivesse eliminado esses defeitos por completo de sua vida, não seria a Hermione e não estaríamos aqui criando essa lista.

Você é o estudante que, desde a escola primária à universidade, levanta a mão para responder as questões. No começo, Hermione irrita os alunos por ter essa compulsão em responder às perguntas, tendo que ouvir provocações dos alunos da Sonserina e até mesmo ironia por parte de Rony. Mas logo se acostumam com o jeito da menina. No Prisioneiro de Azkaban, quando Snape assume as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas no lugar de Lupin, Hermione tenta responder a uma questão sobre lobisomens e o professor desconta cinco pontos da Grifinória, chamando-a de “intragável sabe-tudo”. Com isso, Hermione chora, os alunos olham feio para o professor e Rony a defende – “o senhor nos fez uma pergunta e Hermione sabe a resposta!” – mas o garoto recebe uma detenção do professor por isso. As aulas não são as mesmas sem as respostas certeiras de Hermione.

“Aquela é maluca, estou falando…” geralmente é a primeira reação das pessoas quando veem você pela primeira vez. Esta é uma cena do filme A Pedra Filosofal, no qual Rony fala que Hermione não é lá muito normal quando vê o nervosismo da menina diante do Chapéu Seletor. Há uma cena também em que Rony ironiza o fato de Hermione não ter amigos por sua fama de sabe-tudo, depois que ela o corrige durante a aula de Feitiços, na famosa cena em que Mione enfatiza a pronúncia do feitiço Wingardium Leviosa. A menina escuta o que Rony fala sobre ela, sai chorando, passa a tarde no banheiro feminino, um trasgo foge das masmorras, ele vai para o banheiro, Harry e Rony correm para salvá-la e a amizade entre os três começa, desde então. Em suma, bastante coisa decorreu só do que Rony disse. Ele logo se arrepende por ter magoado Hermione e, verdade seja dita, graças à correção dela, o garoto consegue acertar o feitiço e derrotar o trasgo. E não é todo dia em que se derrota um trasgo montanhês adulto, por isso a Profa. McGonagall concede pontos à Grifinória pela façanha.

Você se sente responsável por manter seus amigos na linha ou com os pés no chão. E, na maioria das vezes, é a “voz da razão” em um grupo. Hermione sempre manteve Harry e Rony na linha. Inúmeras vezes, ela ajudou os amigos nas atividades escolares, montava o horário de estudos deles. Mas não foi a voz da razão no grupo somente em relação às obrigações escolares. No quinto ano de Harry, foi Hermione quem teve a ideia genial de fundar a Armada de Dumbledore, na qual Harry ensinaria feitiços para que os alunos se preparassem caso houvesse um embate com Voldemort e os Comensais da Morte. Quando Harry estava confuso quanto aos sentimentos de Cho, a jovem de quem ele gostava, Hermione explicou tudo o que estava se passando pela cabeça da menina que havia perdido o ex-namorado justamente na presença de Harry. Para o Torneio Tribruxo, foi Hermione quem manteve Harry na linha para que ele encontrasse a resposta para o enigma de cada uma das etapas da competição. Sem deixar de citar a perspicácia de Hermione ao planejar cada lugar no qual eles iriam acampar e ao procurar as horcruxes, no livro Relíquias da Morte. Os cenários pensados por ela, a fuga do casamento de Fleur e Gui Weasley e até a bolsa mágica na qual ela carregava milhares de pertences. Tudo muito bem pensado por Hermione.

Você quase nunca sai de casa sem que leve algo para ler. Aposto que esse é o um dos itens que irá agradar mais os leitores do Literatortura. Obviamente, Hermione vai para todo canto com um livro, como muitos de nós. Sempre nos lembramos das suas citações sobre o livro Hogwarts: uma história, provavelmente uma obra que os fãs adorariam ter em sua estante. Não é à toa que foi Hermione quem leu a polêmica biografia que a desagradável jornalista Rita Skeeter escreveu sobre o passado de Dumbledore ou ainda o porquê de o diretor de Hogwarts ter deixado para ela o livroContos de Beedle, O Bardo, no qual havia as pistas para as Relíquias da Morte que, se encontradas, derrotariam Voldemort.

Às vezes, você é um pouco mais crítica do que a maioria. Mas vamos ser francos: você geralmente está certa.  Até aqui já percebemos que Hermione é, de fato, inteligente. Quanto ao seu senso crítico, citemos alguns exemplos: a raiva que ela sempre teve em relação à jornalista Rita Skeeter por causa de seus truques em deturpar qualquer frase dita por Harry ao jornal Profeta Diário, no Cálice de Fogo e o discurso da profa. Umbrigde no início do ano letivo, na Ordem da Fênix, a que só Hermione se manteve absorta, concluindo que o Ministério da Magia iria interferir nas decisões de Hogwarts. E ela estava certa, pois logo a Profa. Umbrigde começou a se mostrar cruel punindo os alunos de diversas maneiras. E, então, a garota teve a ideia de criar a Armada de Dumbledore para se opor à postura da enviada de Fudge. E ainda podemos citar mais um trecho do livro Prisioneiro de Azkaban, em que Hermione fica tão aborrecida com as superstições da Profa. Sibila Trelawney, a qual ensinava a disciplina de Adivinhação, que simplesmente abandona a matéria, raivosamente. Dá para perceber, então, que Hermione era um pouco mais crítica que os outros da sua idade.

Você literalmente cometeria um assassinato só para ter um vira-tempo. Não precisa nem ser fã de Harry Potter para desejar ter um vira-tempo, que possibilita fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo. Para quem adoraria fazer várias matérias e ainda conseguir descansar, o vira-tempo seria um sonho realizado. Hermione usava-o, claro, para assistir a várias aulas no mesmo horário. Mas não é qualquer um que pode tê-lo. A Profa. McGonagall autoriza o seu uso pela estudante, pois sabe que Hermione será sensata, que tem muito interesse pelos estudos e não sairia contando por aí que sabe manusear o tempo. Mas, quando Dumbledore sugere a ela e a Harry que voltem ao passado para salvar o hipogrifo Bicuço e o padrinho de Harry, Sirius Black, Hermione percebe o quão delicado significa tê-los em mãos. E, também, ela não aguenta estudar tanto, afinal não dá para fazer tudo o que se quer. Às vezes, o que significaria perda de tempo pode ser bom, no fim das contas.

Esta é sua reação quando se depara com cenas românticas em público. Principalmente porque você tem dificuldade em expressar seus sentimentos. A verdade é que você não se aborrece sempre com manifestações públicas de casais, muitos deles podem ser bonitinhos. Mas Hermione tem razão em ficar impaciente quando se depara com a Lilá Brown ou alguém como ela. Desde o começo, Rony e Hermione sempre foram amigos, apesar das provocações feitas um ao outro. O tempo foi passando e J. K. Rowling nos dando pistas de que, um dia, eles seriam um casal. Mas, no livro Enigma do Príncipe, Rony tem um romance abrupto com Lilá Brown. O garoto fica feliz por ter sido protagonista de um bom jogo de quadribol representando a Grifinória, e fica com Lilá na frente de todos os amigos. Hermione fica magoada e, como uma ótima bruxa, investe magicamente vários passarinhos de papel raivosos contra Rony. O drama adolescente já conhecido por aí em filmes e livros. A questão é que a garota gruda nele pelos corredores, o chama de Won-Won (oi?), não gosta da presença da Hermione e os dois se afastam, tudo por causa de Lilá Brown. O romance dura pouco tempo e logo Rony e Hermione recuperam a amizade.

Você dá abraços muito entusiasmados. E faz isso com todos os seus melhores amigos, eles já estão acostumados. Se algum de seus amigos é gentil com ela, Hermione logo o abraça. Não precisa ser a Hermione para fazer isso. Muitas vezes ela desata a abraçar os amigos, como, por exemplo, quando Harry está sozinho esperando a primeira prova do Torneio Tribruxo com um dos dragões mais perigosos, por estar preocupada com ele. Ou depois de ter ficado petrificada por um tempo, na Câmara Secreta, ao avistar de relance os olhos do Basilisco, quando ela finalmente volta ao normal e, obviamente, fica aliviada por tudo ter se resolvido.

Geralmente não engole a estupidez alheia. Hermione sempre se mostrou muito observadora quanto às pessoas. Draco Malfoy, primeiramente, sempre irritou a garota, por conta de seu caráter duvidoso e as provocações que fazia a ela, chamando-a de sangue ruim, por ser nascida trouxa. Rita Skeeter, jornalista do Profeta Diário, cismou em criar um romance sensacionalista cheio de dramas juvenis entre Harry e Hermione, no período do Torneio Tribruxo. Sibila Trelawney, quando percebeu que Hermione não levava nada a sério a sua matéria, foi logo dizendo que a garota era fria e tinha uma mente limitada. Dizer isso justo para a Hermione? Não é à toa que a estupidez alheia a irrita.

Você não consegue parar de corrigir as pessoas quando estão fazendo algo errado. Você não quer mandar, só quer ajudar, mas as pessoas não entendem. Bom, se para Hermione é impossível não corrigir um colega que fala errado algum feitiço, para muitos trouxas, a gramática da língua portuguesa deve ser protegida. A verdade é que, aos poucos, a gente aprende a não ficar corrigindo as pessoas quanto a erros gramaticais, dá para conviver com isso. Mas, no caso de Hermione, acho que é mais aceitável fazê-lo, afinal, você pode acabar explodindo alguma coisa se disser o feitiço de maneira errada. E a garota não faz por mal, ela só quer ajudar! Pois, no fim, sempre dá certo.

Você não se incomoda com a cara de desprezo de ninguém. E você não tem medo de partir para a porrada (mas só se já se esgotaram todas as opções lógicas e quando é realmente necessário fazer isso). Calma aí, leitor. Quando alguém olha para você com desprezo – Draco Malfoy, por exemplo – você tende a não se sentir intimidado. Sem problemas. É uma surpresa alguém tão racional como a Hermione não hesitar em dar um soco no Malfoy. Isso ocorreu pois ele fez uma brincadeira de mau gosto ao saber que o Bicuço, hipogrifo e bicho de estimação de Hagrid, seria sacrificado só porque machucou o braço do garoto. Nem Bicuço o suporta. O que Hermione fez? Não bastou a magia, deu logo um soco no estudante da Sonserina. Agora, não significa que você deve sair por aí batendo em quem é insuportável só porque está na lista e a Hermione fez. Pode ser que o cinema e os leitores tenham vibrado com a atitude dela. Nesse caso, a ficção serve muito bem como válvula de escape. Por isso mesmo, não veja nessa lista o incentivo para fazer o mesmo com o coleguinha da sala, por favor.

Você é uma amiga extremamente leal e é capaz de fazer qualquer coisa pelas pessoas que você ama. Ah, é a maior qualidade de Hermione. Por eles, a garota até abriu mão de Hogwarts no último ano a fim de ir atrás das horcruxes, pois Harry precisava destruir cada uma delas para que Voldemort fosse derrotado. E ainda se arriscou indo a Godric’s Hollow para procurar uma pista, visitar o túmulo dos pais de Harry, o que os levou a enfrentar Nagini, a cobra de Voldemort. E quem não sofreu quando a garota precisou usar o feitiço Obliviate em seus pais, para que se esquecessem dela e não corressem o risco de morrer nas mãos dos Comensais da Morte? Ela ainda voltou no tempo para resgatar Sirius Black, padrinho de Harry. E foi até o Departamento de Mistérios, junto a Harry, Rony e outros para resgatar a profecia que tratava do futuro do amigo.

Enfim, se você chegou até aqui, provavelmente está surpreso por se identificar tanto com Hermione. Até no que poderíamos chamar de defeitos que, na verdade, são justamente o que adoramos nela. Por vezes, Hermione pode não ser muito humilde, mas é inegável que ela é uma das personagens mais incríveis criadas por J.K.Rowling.

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Para uma menina com uma flor, de Vinicius de Moraes

Resenha para o site Indique um livro

Autor: Vinicius de Moraes

Edição: Companhia das Letras, 2009.

Para uma menina com uma flor é uma coletânea de crônicas de Vinicius de Moraes escritas entre 1941 e 1966. É um grande achado. Conhecemos Vinicius como poeta e músico. Porém, esta aqui é mais uma de suas facetas: cronista. Algumas são líricas, outras beiram à prosa poética e ao conto ou possuem um tom cômico e leve sobre o cotidiano carioca. Mas é interessante perceber que a coletânea também se faz por memórias do autor e críticas sociais.

Vinicius era um cosmopolita, um homem do mundo. Por conseguinte, tinha um olhar apurado para buscar a poesia nas prostitutas do Mangue, nas mulheres que conhecia e idealizava, nas cidades e ruas percorridas. Essa coletânea é praticamente um diário do que o poeta via pelo mundo e o que esperava dele. Com gêneros tão amplos e uma escrita que facilmente se aproxima do leitor, a coletânea se torna marcante. Ao fim da leitura, não é difícil perceber que ficam resquícios, na memória, de sua narrativa.

A menina que possui uma flor, do título, é Nelita, uma de suas esposas. Ela foi retratada por Carlos Scliar, para a edição de 1966, desenho que está como capa dessa resenha. A crônica que dá nome ao livro tem uma delicadeza singular. Por ser um tema recorrente na literatura, às vezes pode ser difícil escrever uma crônica sobre o amor. Contudo, Vinicius consegue fazê-lo com maestria. Acostumados com o teor mítico dado à mulher em alguns de seus poemas, somos surpreendidos pela simplicidade dessa crônica. A ponto de rirmos baixinho por nos identificarmos com a personagem-título, justamente nos trechos que a faz ser humana. A flor, o item que torna essa menina-mulher tão especial, são seus gostos peculiares, as manias, o olhar doce e paciente com a vida, e suas fraquezas. Os fatos que se conhece durante o relacionamento são o que torna fascinante, para Vinicius, a sua companheira.

A crônica Praia do Pinto possui uma frase que marca o leitor durante a narrativa: “há uma praia dentro de uma praia”. Vinicius aponta para uma praia que ninguém vê, ofuscada pela beleza padronizada do Leblon: a Praia do Pinto. Vive-se em meio à miséria, dividindo espaço com a lama e a favela. O discurso do autor é sincero, cru e real. Nesse cenário, Vinicius vê a música de Ogum, os violões como o rasgo de poesia para a sobrevivência na Praia do Pinto.

Ouro preto de hoje, ouro preto de sempre é a ode de Vinicius a uma de suas cidades favoritas. Um taradinho de quatrocentos anos é uma carta de Vinicius endereçada a Deus. Suave amiga é uma homenagem póstuma à Cecília Meirelles. Susana, flor de agosto trata do crescimento da filha de Vinicius. Em Operários em construção, Vinicius se põe como um espectador emocionado diante do trabalho árduo dos operários na construção de um edifício.

A crônica Dia de sábado traça um diálogo com o poema O Dia da criação, presente no livro Antologia poética. Vinicius faz do sábado um dia de sonhos, planos eternos e liberdade. Cada elemento posto pelo autor na crônica – que é quase uma lista – tem em suas palavras um tom nostálgico. Mas uma nostalgia quanto ao futuro, aos sonhos já abandonados, os quais retornam em um dia para que tragam à luz o encanto que os constituem como sonhos. Curiosamente, em outra crônica – Conversa com Caymmi – Vinicius começa citando o sábado como o dia da criação e no qual ele teve uma conversa memorável com o cantor e compositor Dorival Caymmi. O assunto? A água. Retratada de um modo inusitado, com humor e leveza peculiares.

Gostaria de poder destacar mais e mais crônicas do Vinicius. Mas deixo aqui, aos leitores, a tarefa de descobri-las. A coletânea carrega temas densos, retratados com a linguagem simples que aproxima Vinicius do leitor. É como se ele estivesse à espreita vigiando os acontecimentos cotidianos. A ponto de você ler a obra no ônibus em um período em que as páginas dos jornais falam sobre um caso de desmoronamento de terra no Rio, enquanto Vinicius o trata também em sua crônica Conversa com Caymmi. Enfim, Vinicius de Moraes espanta por ser atemporal e exprimir o poético com a facilidade de uma conversa entre amigos.