Conheça os principais casais dos filmes de Tim Burton

Matéria publicada no site Literatortura

Tim Burton é um diretor conhecido pelo mundo à parte que criou para o cinema. O sombrio torna-se regra em seus filmes, mas aliado a um lirismo incomum; o que consideramos aterrorizante, normalmente, ganha sentido no mundo do diretor.  Em seus filmes, conhecemos personagens esquisitos, mas com profunda humanidade. E é aí que entram os casais. Praticamente todos os casais de Burton não constituem o estereótipo dos personagens alegres, que se tornam melosos ao se declararem apaixonados, em algumas comédias românticas. Eles são singulares, do jeito que só Burton pode imaginar. Confira abaixo a lista dos principais casais dos filmes do diretor.

Sweeney Todd e Mrs. Lovett (Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, 2007)

Não é bem um filme romântico. Mas até na mente genial de Tim Burton a parceria entre Sweeney Todd e Mrs. Lovett pode se tornar romântica, mesmo que carregada de humor negro. Ou só na mente de Mrs. Lovett. A relação entre os dois começa assim que o barbeiro Benjamin Barker, após ter respondido por um crime que não cometeu, retorna à Londres e procura Mrs. Lovett, dona de uma loja de tortas falida. Ela aceita ajudá-lo a se vingar de seus inimigos, como uma forma de tentar conquistar o coração do barbeiro. A união dos dois se faz pelo projeto ousado o qual têm em mente: reerguer a loja de tortas usando a carne… do padre, do poeta, do advogado, do juiz. Carne humana. Afinal, o preço da carne está muito alto. E com tanta carne passando por aí, seria um desperdício, não? Aquelas tortas que, antes, eram as piores de Londres, feitas entre uma barata e outra, se tornam um sucesso. Mas o mundo colorido sonhado por Mrs. Lovett vai se esvaindo diante da vontade de Sweeney em se vingar. Ela até tenta conquistar o barbeiro mostrando a vida colorida que os dois poderiam ter, mas a resposta é o ar blasé de Sweeney e a sua sede de vingança. Sem dúvida, um dos casais favoritos de Tim Burton, não só por ser interpretado por Johnny Depp e Helena Bonham Carter, mas porque o romance ganha o charme estranho de uma deliciosa torta de carne.

Adam Maitland e Barbara (Os Fantasmas se Divertem, 1988)

Adam e Bárbara formam um jovem casal que sofrem um acidente de carro e morrem. Para que possam ter finalmente paz, precisam ocupar, como fantasmas e por cinquenta anos, a casa na qual moravam. Porém, logo um casal compra a casa. Adam e Bárbara, por serem fantasmas inofensivos, não conseguem assustar os novos moradores. Esse é o estopim para que o casal resolva contratar os serviços de Beetlejuice, uma espécie de exorcista que poderia assustar os novos moradores e, assim, Barbara e Adam conseguiriam reaver a casa. Mas tudo foge do controle. Mesmo assim, em meio a toda a confusão, o casal continua apaixonado após a morte, apoiando um a outro na tentativa de recuperarem a vida, mesmo que ela seja numa dimensão um tanto diferente. Sabe a famosa frase “até que a morte os separe”? Para eles, a morte é só o começo.

Edward e Kim (Edward Mãos-de-Tesoura, 1990)

Esta poderia ser uma história comum entre dois jovens. Mas não é. Edward é um jovem que possui tesouras no lugar das mãos e, por isso, vive solitariamente numa mansão. Ele foi criado por um cientista que morreu antes de dar mãos à sua criação, então foram substituídas por lâminas. Após ser acolhido por uma senhora, Edward passa a conviver com humanos, mas é visto com desconfiança e deboche pelos vizinhos. Porém, logo se percebe o talento que o jovem tem ao podar arbustos, criando belíssimas figuras, além de criar cortes de cabelos ousados. A única que percebe a inocência e a bondade de Edward é Kim, filha da senhora que o ajudou. A relação entre os dois é complexa, permeada por conflitos, preconceitos e desentendimentos com a vizinhança. Mas o carinho e admiração são a essência do relacionamento dos dois, sendo Kim aquela que inspira Edward em suas criações e a se tornar independente.

Batman e Mulher-Gato (Batman: O Retorno, 1992)

O romance entre Batman e Mulher-Gato não é lá muito simpático. Ambos são inimigos. Mas isso não chega a ser um empecilho para Bruce Wayne e Selina Kyle se apaixonarem. Em meio aos planos de Pinguim e da própria Mulher-Gato, Bruce Wayne ainda arranja tempo para ser seduzido pela vilã. A crítica afirma que Tim Burton não soube dosar muito bem o romance, deixando um final confuso e a sensação de que Bruce Wayne, no fim, perde a sua estranha amada. Independente disso, Batman e Mulher-Gato compõem mais um casal inusitado do diretor.

Victor Van Dort e Emily (A Noiva Cadáver, 2005)

Na adorável animação A Noiva Cadáver, conhecemos a história de Victor Van Dort e Emily. O jovem está prestes a se casar com a doce Victória Everglot. Nervoso com a perspectiva do casamento, o rapaz resolve sair à noite, na véspera, para espairecer um pouco. Victor ruma, então, para um cemitério, no qual passa a ensaiar em voz alta para o casamento, levando-o a pedir acidentalmente em casamento Emily, uma noiva que foi assassinada há muito tempo. Assim, Emily apresenta-o à Terra dos Mortos, um mundo colorido e animado pelo jazz, bem diferente do tédio e das convenções da Londres do século XIX na qual Victor vivia. Há um grande carinho e respeito entre Victor e Emily. Mas Victor também ama Victória. Assim, vemos uma relação tão conflituosa quanto a linha tênue que separa a Terra dos Mortos da realidade viva.

Ed Bloom e Sandra (Peixe Grande e outras histórias, 2004)

O filme Peixe Grande é um dos poucos filmes de Tim Burton com clima solar. O personagem principal da história é Ed Bloom, um contador de histórias. Segundo ele, quando jovem, saiu sem rumo de sua cidade natal para realizar uma volta ao mundo. Ele conta para o filho Will todas as aventuras que teve nessa viagem. Mas seu filho, já adulto e prestes a ser pai, passa a colocar em dúvida a veracidade dessas histórias, tomando-as somente como ficções que o pai inventara. A questão é que, sendo verdadeiras ou não, Ed Bloom conta como foi mágico conhecer a sua esposa Sandra. Ele a conquista com simplesmente um jardim cheio de flores amarelas, pois lembram o tom de cabelo da amada. Se aconteceu mesmo ou não, ficaremos sem saber. O mais importante é presenciar como o amor dos dois sobreviveu à guerra e a outros infortúnios, tornando-se real sem deixar o lirismo das ficções. Nem importa se a história foi inventada. Ela torna-se real nas palavras de Bloom. Mesmo sendo um filme doce e puramente romântico, Burton não abandona o caráter fantástico que atribui a seus filmes, o que torna Peixe Grande mais uma bela história do diretor.

Jack Skellington e Sally (O Estranho Mundo de Jack, 1993)

Podemos dizer que Estranho Mundo de Jack é o filme no qual sentimos o mundo particular de Tim Burton ainda mais vívido na tela, além de ser um dos filmes mais conhecidos do diretor. Jack é um rapaz admirado por todos da Cidade do Halloween. A cada ano, os moradores se organizam para a festa de Halloween, mas aos poucos Jack mostra-se entediado com a mesmice da celebração. Com isso, em uma de suas andanças solitárias pela floresta, ele descobre diversos portais pelos quais conhece outros tipos de celebração. E uma delas é o Natal. Jack fica encantado com o espírito natalino e, ao voltar para a cidade, resolve tentar organizar o Natal, convencendo a população a ajudá-lo a sequestrar o Papai Noel. E é Sally quem tenta fazê-lo voltar atrás, mostrando que o Natal não poderia ser feito por meio de um ato egoísta. É o amor de Sally e Jack que acaba salvando o Natal e trazendo à tona o espírito natalino na Cidade do Halloween. É preciso dizer que o casal já é tão emblemático que, apesar de ter sido criado há duas décadas, continua inspirando músicas, filmes, indo também parar em bolsas, camisas, acessórios e até cosplays mundo afora.

Alice e o Chapeleiro Maluco (Alice no País das Maravilhas, 2010)

Nesta versão de Tim Burton, Alice é uma jovem de 17 anos que, após fugir de sua festa de noivado ao ver um coelho apressado segurando um relógio, cai novamente em um buraco, indo parar no País das Maravilhas. Mas ela não lembra de já tê-lo visitado. Há o reencontro de Alice com o Chapeleiro Maluco. Em vez de presenciarmos uma relação amorosa, vemos uma química entre eles, uma paixão platônica. E, acima de tudo, uma grande admiração da mocinha por aquele chapeleiro que não sabe mais em que mundo vive. E ele pela adulta que Alice está se tornando, o que implica tomar decisões por si mesma.

Ichabod Crane e Katrina Van Tassel (A lenda do Cavaleiro-Sem-Cabeça, 1999)

O cenário é o Condado de Sleep Hollow, em 1799. O investigador Ichabod Crane é chamado após estranhas mortes assombrarem a cidade, nas quais as vítimas apareciam decapitadas. Acredita-se que o assassino é o Cavaleiro-Sem-Cabeça. Para solucionar o caso, o investigador recebe a ajuda de Katrina Van Tassel, por quem se apaixona. É ela quem o ajuda a seguir as pistas e também a controlar o medo de ficar face a face com o assassino, dando-lhe a coragem que faltava para Crane ser o herói da história.

Barnabás e Angelique Bouchard (Sombras da Noite, 2012)

O filme Sombras da Noite narra a história de Barnabás, um jovem que é amaldiçoado após seduzir e partir o coração da bruxa Angelique Bouchard. Por isso, a moça o transforma em vampiro e o aprisiona por dois séculos em uma tumba, além de matar a amada de Barnabás, a mocinha Josette. Barnabás só consegue se libertar em 1972, com sede de sangue e de vingança. Ele volta à casa que lhe pertencia e se une aos familiares que restaram. Logo ele se apaixona por Victoria Winters. Digamos que esse é o casal oficial da trama. Porém, durante o filme, queremos mesmo é ver as cenas insanas e apaixonadas entre ele e Angelique, que continua viva e ainda muito perigosa. Não é um dos melhores filmes do diretor, pois beira a um non-sense exagerado, o qual faz a história se perder um pouco. Mas, certamente, a relação entre um vampiro e uma bruxa é mais uma artimanha de Tim Burton para mostrar que o amor, no seu mundo, sempre vem carregado de ironia e uma boa dose de humor negro. Acho que já concluímos que esse é seu denominador comum, e faz o mundo criado por Burton ser particularmente fascinante.

Fonte.

Revisado por: Patricia Oliveira

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