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Possível obra inédita de Leonardo Da Vinci é encontrada na Suíça

Matéria publicada no site Literatortura

O anúncio de uma pintura recém-descoberta como pertencente a um artista renomado costuma ser recebido com grande entusiasmo. Não seria diferente no caso de um quadro de ninguém menos que Leonardo Da Vinci. Na sexta-feira, 18 de outubro, um mistério que perdurou por 500 anos parece ter sido solucionado. O semanário Sette, suplemento do jornal italiano Corriere della Sera, anunciou que um quadro de Da Vinci foi encontrado no cofre de um banco na Suíça.

O retrato de Isabella d’Este: o esboço (à esquerda) e a passagem para o quadro recém-descoberto

O trabalho consiste em um óleo sobre tela de 61 cm por 46,5 cm, o qual retrata Isabella d’Este, a marquesa de Mântua, de perfil. Segundo o jornal, a pintura é ”a fiel transposição de um desenho preparatório de Da Vinci exposto no Louvre”. Até o momento presente, era esse desenho o único registro, o que levantava a dúvida se haveria um quadro perdido do artista, a conclusão de tal esboço. Considerava-se que a pintura estava perdida ou seria até mesmo uma lenda, fato que não é tão absurdo quando se trata de Arte. Uma aura é criada em torno de um artista e muito do que se fala – vide as teses acerca de Mona Lisa – são dificilmente provadas pelos estudiosos.

O quadro era parte de uma coleção privada composta por 400 obras compradas por uma família italiana e mantida no banco suíço. Especialistas agora têm observado e testado o quadro, o qual foi pintado a óleo e acredita-se que Da Vinci, de fato, o criou.

A Universidade do Arizona conduziu testes de carbono 14, revelando que o trabalho artístico foi pintado entre 1460 e 1650. Outros testes mostraram que o tipo de pigmento no retrato era o mesmo que Leonardo utilizava em suas obras, como era inicialmente aplicado o óleo na tela.

Leonardo Da Vinci conheceu Isabella d’Este, marquesa de Mântua, entre 1499 e 1500, traçando um esboço a lápis dela. O desenho agradou a marquesa, a qual enviou cartas a Leonardo pedindo que o artista fizesse um quadro dela. Historiadores de arte acreditavam que o artista nunca havia realizado a versão definitiva do retrato.

O professor Carlo Pedretti, especialista em Da Vinci, declarou à revista do Corriere della Sera que reconhece o estilo de Leonardo nessa “excepcional pintura”. “Não há dúvidas de que o quadro é um trabalho de Leonardo Da Vinci”, afirma o professor emérito de História da Arte na Universidade da Califórnia. “Eu posso, imediatamente reconhecer o traço de Da Vinci particularmente no rosto da mulher”.

Oficialmente, apenas pouco mais de quinze obras são atribuídas ao gênio do Renascimento italiano Leonardo da Vinci (1452-1519), entre elas a célebre Mona Lisa, também no Louvre. Se essa pintura recém-descoberta for reconhecida mundialmente como mais um de seus trabalhos, ela irá valer dezenas de milhões de dólares.

Como se trata de um quadro ainda à espera de reconhecimento, a análise que proponho, aqui, será inevitavelmente superficial. Primeiro, é curioso destacar na obra o teor quase etéreo do quadro, impressão dada pela técnica do sfumato de Da Vinci, a qual remonta o perfil da nobre com delicadeza e elegância. Há resquícios nela que apresentam, independente do fato de terem anunciado o pertencimento da obra ao renascentista, uma semelhança com a atmosfera de Madona das Rochas, obra de Da Vinci.

Porém, no caso, o Retrato de Isabella d’Este se aproxima bastante de outros retratos criados pelo artista. Percebe-se, de início, o destaque da figura no fundo enegrecido, como em Retrato de Mulher (La Belle Ferronière) e Dama com Arminho, respectivamente abaixo.

         

Ademais, a fim de descrever o Retrato de Isabella d’Este, podemos observar que a marquesa cruza as mãos diante do busto cheio. O mesmo gesto aparece em Mona Lisa, além da forma do vestido ser a mesma, isto é, o decote em ambas se assemelha pelos traços. Não é possível visualizar nitidamente, mas acerca do esboço já reconhecido, considera-se que Isabella tem as mãos repousadas em um livro. Essa seria a intenção da marquesa em transmitir, pelo gesto, a imagem de mulher culta e amante das letras. Contudo, na versão definitiva a óleo, a marquesa está segurando o que parece ser um louro, símbolo da glória. O problema é que o ramo na mão da nobre não se aproxima totalmente da forma de um louro, portanto permanece em aberto o seu significado. Por ora, considerá-lo um louro faz sentido. Finalmente, Leonardo deixa, no esboço, pequenos traços indicando uma futura manga bufante no vestido, a qual, de fato, aparece na versão definitiva encontrada.

Mais um fato curioso é que Isabella d’Este foi retratada por Tiziano, de 1534-1536. Com uma vestimenta claramente aristocrática, a obra de Tiziano já apresenta uma versão mais pomposa de Isabella d’Este.

Visto que ela mantinha contato com o artista por cartas, em uma delas enviada em 24 de maio de 1504, Isabella d’Este decide clamar por uma encomenda especial do artista, “…lhe pedimos que, desejando satisfazer o compromisso de fé que tem conosco, converta o nosso retrato em uma figura que me agradará ainda mais. Gostaria que me fizesse um Cristo jovenzinho, com cerca de 12 anos, que seria a idade com que teve a disputa no templo (de Jerusalém) e que o fizesse com aquela doçura e suavidade que sua arte alcança com excelência”. Não se sabe se tal pedido foi atendido. Mas agora, felizmente, podemos cogitar que o retrato descoberto pertence a Leonardo. Desta forma, pelo menos um dos pedidos de Isabella d’Este fora atendido: ser imortalizada, com excelência, pelos traços memoráveis de Leonardo Da Vinci.

Em julho de 2012 foi veiculado na mídia que os ossos de três mulheres foram encontrados no convento de Santa Úrsula (Florença), sendo que o de uma delas pode ter pertencido a Lisa Gherardini, uma possível modelo da Mona Lisa. Aqui na matéria do site Causas Perdidas.

E aqui você pode conferir um breve vídeo que apresenta a teoria de que o esboço de Isabella d’Este teria sido um modelo para a representação de um anjo na obra Angel in Red, de Giovanni Ambrogio de Predis, um dos seguidores de Leonardo Da Vinci.

Fonte.

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