Motherland chronicles: um mundo místico nas lentes de Jingna

Matéria publicada no site Fashionatto

O ensaio fotográfico a seguir carrega uma grandiosidade singular. Com uma atmosfera etérea, mesclando elementos mitológicos com estereótipos dos contos de fadas clássicos e animes orientais, a fotógrafa Zhang Jingna criou um mundo à parte, em um projeto que durou um ano. Ela consegue, por meio da fotografia, forjar uma nova realidade com um figurino surpreendente, o qual é o grande responsável pela beleza do ensaio.

O projeto foi nomeado Motherland Chronicles. Zhang Jingna, junto ao ilustrador Tobias Kwan, criou o que seria, inicialmente, um exercício semanal que se tornou em um book extremamente artístico. Uma história foi desenvolvida e um mundo conceitual surgiu pelas lentes da fotógrafa. A regra era publicar uma foto a cada semana, com o tema fantasia.

Para Zhang, este projeto foi uma junção criativa de imagens e temas que ela resgatou de sua infância, como o anime japonês e as influências das fantasias. Além disso, ela pôde desenvolver um trabalho diferente dos ensaios comerciais nos quais ela trabalha frequentemente, tendo em vista o deadline dos clientes. Em Motherland Chronicles, a fotógrafa ficava imersa nesse novo mundo de 5 a 8 horas, para finalmente capturar o conceito e os detalhes que pretendia transmitir. Para ela, o projeto “treina os olhos dela e a estética numa diferente perspectiva do que quando está desenvolvendo um trabalho comercial e relacionado à moda”. O curioso do projeto é que ele é desenvolvido a cada semana, o que a faz trabalhar intensamente nos conceitos envolvidos, na produção, no ensaio e edição, a tempo de terminá-lo.

No caso da imagem acima, que compõe o Motherland Chronicles nº 34, nomeado In the Secret Garden, a fotógrafa desenvolveu-a entre um e dois dias. Segundo ela, é inspirado nos séculos 10 e 13 da Rússia. Uma vez que ela teve a ideia inicial, primeiro comprou as flores durante a manhã no LA Flower Market. Depois, ela levou o resto do dia planejando o ensaio, assim como o convite à modelo e o estilo do figurino, cabelo e maquiagem. No dia seguinte, ela já estava pronta para o ensaio.

Tobias Kwan, então, fez a ilustração do ensaio, que ficou igualmente bela.

Em Motherland Chronicles nº 1, The First, é o mistério que reina no ensaio. Foi o modo com que Jingna começou o seu projeto, a fim de deixar a máscara se misturar à maquiagem do rosto e o cabelo desgrenhado às penas, criando uma identidade para o projeto e uma harmonia à imagem. Ela não sabia como iria fazê-lo, mas teve a ideia quando viu uma máscara numa loja de fantasias para o Halloween. Ela lembrou que tinha uma máscara que trouxe de Veneza, sendo o detalhe perfeito para o início do projeto.

Só de imaginar o desenvolvimento de um ensaio fotográfico debaixo d’água, já sabemos o quão difícil pode ser realizá-lo. Não seria diferente, no caso de Dive. Jingna ficou 6 horas na água, em todo o processo do ensaio. Foi necessário pedir a ajuda de outra profissional, que tinha uma câmera específica, para conseguir fazê-lo. Mas, por fim, ela conseguiu concluir o projeto, sempre com o objetivo de explorar um método novo.

Com o ensaio Raven Girl, Jingna narra um fato curioso que ocorreu nos bastidores. Ela precisou fazer o ensaio no seu apartamento e o processo foi cansativo. E para piorar, o clima estava muito quente. Durante 5, 10 segundos, a modelo ficou inconsciente, desmaiou porque, obviamente, o calor só dificultava o uso do vestido longo, preto e feito de penas. Quando ela acordou, perguntou “ah, oi, eu estive longe por muito tempo?” e o choque foi diluído pelos risos da equipe, afirmando o quão graciosa foi a queda dela com o vestido, parecendo a bela adormecida. Depois disso, ela foi para a emergência, claro.

A ilustração de Tobias traz a atmosfera bem bizarra e trágica do ensaio, em que ele desenhou a Raven Girl contando histórias do Goethe (o livro que ela segura) para um bebê gigante.

O projeto de Zhang Jingna é ousado porque demonstra que a fotografia não é somente um método de apresentar a realidade. Mas é capaz de criar um novo espaço. E ela o faz pelos detalhes presentes no figurino, na expressão da modelo. Cada ponto da foto conta uma história. Aqui, o figurino se torna protagonista.

Ademais, o projeto também traz à tona a ideia de que o processo artístico não se resume somente ao produto final. Ele está nos erros e acertos do artista durante o tempo dedicado. Visualizamos apenas o todo do trabalho, mas as partes que o compõem estão nas entrelinhas. E elas merecem ser reveladas pelo relato do artista a fim de que se conheça não só o produto final, mas levar a sério também a criação.

Mais imagens aqui e aqui 

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