Trapaça

Dir. David O. Russell
Roteiro de David O.Russell
Com Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Louis C.K., Alessandro Nivola
EUA, 2013
 
Indicado ao Oscar 2014 nas categorias: Melhor filme, Melhor diretor, Melhor atriz (Amy Adams), Melhor ator (Christian Bale), Melhor ator coadjuvante (Bradley Cooper), Melhor atriz coadjuvante (Jennifer Lawrence), Melhor roteiro original, Melhor figurino, Melhor montagem, Melhor design de produção
 

trapaçaO que leva alguém a escolher ter como profissão ser um golpista sagaz e engendrar planos, noite e dia, a fim de conquistar o prazer do triunfo e, claro, dinheiro? Essa é a pergunta que nos conduz no decorrer do filme Trapaça, do diretor David O. Russel. Porém, isso não pesa como uma questão moral a qual o espectador faz condenando a postura dos personagens. Ela surge timidamente por entre o humor leve do enredo.

O roteiro do filme é bem esperto, se constitui por diversas camadas que vão se encaixando aos poucos. É verdade que, por vezes, isso gera certa confusão no espectador ou até um pouco de tédio num momento ou outro justamente por essa sensação. Trapaça é um filme que tem um enredo audacioso, mas parece ser mais louvável o cuidado de David O.Russell em dar destaque igual a cada um dos personagens, muito bem conduzidos pelos atores do elenco.

Christian Bale está irreconhecível como Irving,  genial logo na primeira cena em que aparece arrumando a peruca. O personagem dele se envolve com Sydney Prosser, interpretada pela excelente Amy Adams, a qual se torna sócia de Irving em um negócio de falsificação de obras de arte. Logo, eles são forçados a trabalhar com o agente do FBI Richie DiMaso, um ótimo trabalho de Bradley Cooper. Essa aliança soa ambígua durante o filme e mais complicada ainda quando a esposa de Irving, Rosalyn, entra no jogo.  Ela é interpretada por Jennifer Lawrence numa atuação certeira para o humor do filme, convence nas poucas cenas que aparece e se torna marcante.

Como se pode ver, é impossível citar o desempenho de um ator sem falar do outro. É surpreendente o resultado que Russell consegue com um elenco harmonioso, o qual se faz tão cativante que acabamos apostando em cada um deles. Essa necessidade de se destacar o elenco vem junto com a observação de que os próprios personagens interpretam versões de si mesmos, o que vemos na maneira com que se vestem.

Há uma tentativa de aparentar um glamour que talvez não exista numa profissão arriscada como essa, a qual se faz à surdina. Ou seja, ao mesmo tempo em que esses personagens buscam disfarçar o crime cometido, eles o fazem destacando a face de novos personagens: a bela e culta londrina, o simpático agente do FBI, o tranquilo e bonachão negociante que põe panos quentes nas intrigas. Mas por trás disso, há insegurança e a complexidade de lidar com uma vida vazia e instável. Uma vida tão inesperada que ela se mostra evidente numa fala de Rosalyn, que a cada mudança enfrentada é como se ela sentisse que iria morrer.

Desta forma, David O.Russell cria um filme que pode soar um tanto cansativo em certos momentos, não é difícil se perder nele. Faltam alguns passos para que Trapaça tenha um toque final de brilhantismo, para que seja impecável. Mas a vivacidade que o elenco dá à obra e ao texto recupera consideravelmente o ritmo do filme e aprofunda a identidade dos personagens que vão além de meros impostores.

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