O lobo de Wall Street

Dir. Martin Scorsese
Roteiro de Terence Winter
Com Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, P.J. Byrne, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jon Bernthal, Kenneth Choi, Henry Zebrowski, Jean Dujardin, Cristin Milioti, Matthew McConaughey, Jon Favreau, Brian Sacca, Spike Jonze, Joanna Lumley, Ethan Suplee, Jake Hoffman
EUA, 2013
Indicado ao Oscar 2014 nas categorias: Melhor filme, Melhor diretor, Melhor ator, Melhor ator coadjuvante, Melhor roteiro adaptado 

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Dinheiro, sexo e drogas. Tudo isso povoa o novo filme de Scorsese, o Lobo de Wall Street. Ele cria um filme com a narrativa em off do protagonista Jordan Belfort, um sujeito que ingressa no mundo financeiro como corretor da Bolsa de Nova York e vive uma vida apaixonada pelo dinheiro e poder. Ele cria uma empresa audaciosa e passa a lidar com milhões, numa vida vertiginosa de pura ascensão e tanta euforia e absurda riqueza que Belfort se encontra engolido pela máquina financeira que representa Wall Street.

Belfort é um lobo que consegue contornar os caminhos e chegar ao topo. Consegue mais do que o seu primeiro patrão (Matthew McConaughey), que dá as primeiras dicas para ingressar nesse mundo sem volta e faz ecoar uma cantoria que tem grande significado no filme. O ritmo que ele produz na percussão corporal (sim, parece confuso, mas o personagem de Matthew começa a entoar uma espécie de canção num restaurante) se torna a inspiração praticamente interna de Belfort, o seu combustível nessa vida alucinada. Vamos observando que ela se propaga em massa. Belfort conquista a alma de seus funcionários, faz o seu sonho por dinheiro e poder residir nessas vidas.

O mais curioso, porém, é que o personagem não pode ser posto somente como um aproveitador ou riquinho ambicioso. De certa forma, ele cedeu emprego a várias pessoas que estavam endividadas, foi quase um Robin Wood, como o filme cita. Ele constrói um império que ama mais do que a própria vida e desistir dele pareceria o mesmo que jogar no lixo a vida de seus funcionários. Por isso, Belfort cresce no filme como um personagem de várias faces.

Scorsese faz, primeiramente, uma edição de qualidade invejável. O filme tem a estrutura dos documentários que por vezes vemos das narrativas de grandes pessoas de sucesso contando sua trajetória. Nunca perde o ritmo, nunca há desânimo, perda, tristeza. A vida de Belfort é elevada à enésima potência tanto no enredo quanto na representação dele por Scorsese. São 3 horas de filme que atropelam – num bom sentido – o espectador, que se sente entorpecido e agitado como Belfort, querendo muito mais.

O roteiro surpreende pela irreverência e comicidade. Mas quem consegue dar uma vida descomunal ao personagem é Leonardo DiCaprio. Ele produz os mais inúmeros gestos, dança freneticamente, faz caretas debochadas, entoa discursos que leva a sério, ele é Jordan Belfort. Um personagem cínico que poderia provocar até certo desprezo e raiva naqueles que desejariam a mesma vida acaba por nos conquistar.

É certo que o ritmo alucinado é metalinguístico, pois zomba da própria forma e da vida do personagem em questão. Tudo é tão fictício, exagerado, esfregado na tela, que consegue a proeza de trazer um humor e uma leveza muito espontâneos e dá espaço para o desenvolvimento de DiCaprio. A fotografia é de tirar o fôlego propositalmente, os corpos das mulheres nuas e as drogas consumidas já estão tão presentes no filme que nem produzem mais o choque no espectador. É desse jeito que Scorsese, então, acaba por mostrar a sua mensagem: estamos imersos na vida de Wall Street junto com Belfort ao ponto de nem notarmos mais os exageros e um fracasso iminente. Uma hora a coisa tem que dar errado, nos ocorre. E o filme vai crescendo aos nossos olhos.

O Lobo de Wall Street é uma aula pertinente sobre direção cinematográfica e como deixar uma atuação fluir a ponto de fazer o personagem saltar da tela. Apesar desse ritmo frenético, o filme possui equilíbrio e sabe bem como explorar os seus pontos. Assim, essa é mais uma obra bem sucedida de Scorsese e a promessa do tão esperado Oscar ao desempenho de Leonardo DiCaprio.

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2 comentários sobre “O lobo de Wall Street

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