Robin Williams, um ator de muitas facetas

Matéria publicada no site Literatortura

600full-robin-williamsA terça-feira amanheceu mais triste com a morte de Robin Williams. O ator foi encontrado morto na segunda (11) com suspeita de suicídio. É inegável a participação de Robin na infância de uma geração e na vida de muitos adultos. Ele era um ator ousado em compor personagens que se tornaram facilmente simbólicos no imaginário do cinema. Foi uma babá (quase perfeita!), um robô com emoções humanas em O homem bicentenário, Peter Pan, Popeye, o Gênio da lâmpada em Aladdin, um DJ irreverente que serve ao exército americano em Bom Dia Vietnã, o doce médico do filme Patch Adams que levou a alegria para inúmeros pacientes, um rapaz que se vê como peça de um jogo de tabuleiro em Jumanji.

E sem esquecer das representações memoráveis do ator como professor Sean Maguire em Gênio Indomável e John Keating. Ah, John Keating ainda é o meu ponto fraco. É o professor de A sociedade dos poetas mortos que clama aos seus alunos por Carpe Diem, pela poesia como modo de sobrevivência para uma vida baseada em paixões e palavras que podem mudar o mundo.

A Academia, que premia todo ano os melhores do cinema pelo Oscar, deixou uma singela homenagem ao ator no twitter. Robin interpretou o adorável e único Gênio da lampada, em Aladdin. Por isso, o perfil publicou a foto do personagem abraçando Aladdin com a frase “Genie, you’re free” (Gênio, você está livre). Para um personagem e um ator que cumpriu com os nossos desejos de vê-lo atuando em mais e mais filmes inesquecíveis.

Como Robin Williams se fez como ator? É só voltar e reler o parágrafo inicial. As expressões dos personagens estão frescas na memória. Muitos domingos, sessões da tarde e a tradição de assistir ao filme na tv quando se é criança acabou trazendo Robin para dentro de casa. Ele ocupava as minhas tardes e, principalmente, eu não lembro de assisti-lo sozinha. Eu chorava com Patch Adams junto com meus pais, eu me emocionava ao ver um robô chorando, junto com minha família. O Gênio passava a semana comigo. E aí no final de semana era a vez de sentar no sofá e ver estes filmes mais densos.

E aprendi a ver a poesia com naturalidade por esses primeiros momentos singelos ao entrar em contato com um filme. Robin me ensinou isso. Tanto que é difícil escolher um só filme para rever do ator.

A ironia ao ver a criança de ontem crescer é que hoje ela encontra a sua mais forte expressão no filme A sociedade dos poetas mortos. Jovens inseguros com os caminhos que precisam tomar, a autonomia que vai além dos 18 anos completos. Escrever acabou ganhando o mesmo significado que ressoa na voz de John Keating e se aprendi alguma coisa é que carpe diem precisa estar nas nossas mentes. Que pessoas vão e vem como os quadros dos mortos na parede. E que precisamos conhecê-los porque, um dia, eles se alimentaram da poesia como única forma de sobrevivência. Da mesma forma que, hoje, nós precisamos escrever para sobreviver.

Robin Williams também merece este espaço entre os atores do nosso imaginário. Para reencontrar a expressão mágica e doce de seus personagens poetas. Por isso, não é de se surpreender como o ator esteve presente com vivacidade nos nossos primeiros contatos com o cinema. Um grande mestre, um capitão, my captain.

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