A Morte, objetos inanimados e eleições: o clima de outubro pelas listas!

Outubro foi um mês cheio de muitas novidades – Mostra Internacional de Cinema, algumas estreias de terror e os debates das Eleições 2014. Por isso o Zona Crítica não podia ficar de fora. Toda semana a gente pega um tempinho e faz uma lista bem bonita com duas indicações de filmes por colaborador. Este mês foi particularmente divertido, principalmente resgatar na memória os filmes onde a Morte era personagem! Dá uma olhada abaixo, você pode conferir as minhas indicações mas também pode clicar em cada título para ver a lista completa.

A Morte é protagonista no Cinema

O Sétimo selo: A morte está em todos os cantos do enredo de O sétimo selo, de Bergman. Após retornar das Cruzadas, o cavaleiro Antonius se depara com uma população desolada, que aos poucos se esvai pelo horror da peste negra. O questionamento sobre o sentido da vida, a existência de Deus e do Diabo e a impossibilidade de uma vida além da morte permeia todo o filme pela resistência do protagonista, que encontra a Morte na praia e a desafia para um jogo de xadrez. Está posto aqui, então, a tentativa do cavaleiro em barganhar e descobrir a resposta pela boca daquela que está permanente na guerra e na peste. A Morte é irônica e carrega um meio sorriso que tende ao obscuro, ela quase nos seduz por ser instigante. Pelo jogo de xadrez, ela acaba se mostrando implacável: a Morte tem seus passos premeditados, sabendo quando deve convidar cada humano a dançar com ela.

Volver: No filme de Pedro Almodóvar a morte se mistura ao renascimento da vida. Raimunda sempre retorna à La Mancha para limpar o túmulo da mãe no Dia dos Mortos. E este início do filme dá o tom para todo o enredo que apresenta a família de Raimunda lidando com a morte como um dado de sua existência. Raimunda, precisando ocultar o segredo de ter matado o marido para proteger a própria filha, a irmã de Raimunda que teme os mortos, e Irene, mãe de Raimunda, que retorna dos mortos para tentar se reconciliar com a filha. No fim, se o filme contém apenas figuras femininas, a morte acaba sendo mais uma personagem inserida por Almodóvar, já que é ela quem sustenta, define, fragiliza e fortifica essas mulheres que sobrevivem numa melancolia que tem seus momentos sublimes de alegria entre a família. A morte acaba sendo o tom agridoce de suas vidas.

Harry Potter e as relíquias da morte – parte 1: O livro Contos de Beedle, o Bardo, deixado por Dumbledore à Hermione Granger, (livro esse que até J.K.Rowling publicou depois) é peça chave para a trama do filme. Há uma cena em que a garota lê para Harry e Rony o Conto dos três Irmãos, em que cada um deles pede um presente à Morte: a Varinha das Varinhas, a Capa da invisibilidade e a Pedra da Ressurreição. Destes presentes, o único que se mostrou simples, sem qualquer desejo de ambição, foi a Capa. Por causa dela, o irmão pôde viver até a velhice às escondidas da Morte, que demonstra respeito pelo irmão que a enganou para viver uma vida cheia de virtudes.

Objetos (in)animados no cinema

Frankenweenie: Desafiando os pais, os projetos comuns de ciência da escola e o processo natural da existência, um garotinho resolve trazer o seu cachorro de volta à vida. Esta é a história de Frankenweenie, uma animação em preto e branco de Tim Burton. Nela, presenciamos esse retorno à vida de uma criatura pelas mãos de um pequeno menino cientista – uma clara referência à Frankenstein – e até que ponto é possível dar vida a um animal de modo que o passado possa ser recuperado. Victor é fã de cinema e gosta de criar curtas e na companhia de seu cãozinho Sparky. Após um acidente, o garoto se vê perdido sem seu amigo. Então, num dia chuvoso, o cãozinho retorna pela eletricidade, na mesa de operação do garoto. Mas as consequências vêm logo em seguida. O filme de Burton é uma amostra poética do quanto todos gostariam de ter o poder de trazer os momentos e as pessoas de volta à vida, mas Sparky vem abanando o rabo e trazendo à tona também o peso que existiria nessas escolhas.

Casa Monstro: Bem lá no fundo você já passou em frente a uma casa abandonada, viu um movimento suspeito e cogitou que poderia ser mal-assombrada. O filme Casa Monstro trata disso literalmente. A casa ganha vida, engole triciclos, crianças, brinquedos e transeuntes da calçada. Na véspera do dia das bruxas, o menino DJ e seu amigo resolvem investigar, ao que veem a bola de basquete sumindo no terreno da casa. Assim, o filme nos leva a conhecer essa casa que possui uma alma e fome por tudo aquilo que passar pela sua frente.

Filmes e eleições

Milk – A voz da igualdade: Entre os debates políticos, a pauta LGBT tem se mostrado merecidamente urgente. Vimos o discurso homofóbico de Levy Fidélix e a voz dele soa, infelizmente, em outras mentes que ainda creem não ser justo aprovar a união homoafetiva. Nada como dar voz, então, a quem realmente merece. O filme Milk – A Voz da igualdade, traz a trajetória de Harvey Milk, considerado o primeiro gay assumido a alcançar um cargo público de importância nos Estados Unidos. Em 1977, após um intenso eleitorado, Milk consegue assumir um cargo no Quadro de Supervisor da cidade de San Francisco. Assim, o filme apresenta os seus dilemas e o preconceito que nega os direitos de exercer o uso de sua voz publicamente e ser integrado à sociedade.

Dama de Ferro: O grande mérito do filme é trazer a complexidade de Margaret Thatcher pela atuação de Meryl Streep. Em Dama de Ferro, conhecemos por flashbacks, a trajetória de uma das poucas mulheres que ganhou destaque no cenário político mundial. O filme busca se abster de um posicionamento forte e algumas vezes acaba por optar pela dicotomia esquerda-direita e focar no drama humano da personagem. Contudo, a atuação de Meryl Streep abre o campo para tentar entender quem foi Thatcher. Ela foi apelidada como dama de ferro em razão de seu conservadorismo, pulso firme ao governar a Inglaterra como Primeira-Ministra. Ela proibiu manifestações sindicais, houve um gasto excessivo com uma guerra ambígua e complicada como a Guerra das Malvinas, ainda teve seu governo marcado pela priva tização e a recessão econômica após a Crise do Petróleo de 1979. Ou seja, falar de Thatcher é complexo. Mas o filme é um bom começo para visualizar o cenário e o destaque dado à personagem.

 

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