Cenas mais engraçadas, pôsteres e as cidades no cinema: mais listas! The show must go on!

Já falei lá embaixo que neste semestre passei a escrever também para o site Zona Crítica, e toda semana a gente para tudo o que está fazendo – larga a louça, deixa o ponto do ônibus passar ou fala para o texto da graduação esperar – e faz duas indicações de filmes para a lista da semana. Abaixo você pode conferir as minhas indicações mas também pode clicar em cada título para ver a lista completa. Tem de tudo, tá lindo demais!

Célebres cartazes de cinema

Cisne Negro: Na época de divulgação de Cisne Negro, o que me despertou interesse pelo filme foram justamente as várias versões de pôsteres. Os minimalistas em preto e vermelho, o rosto de Natalie Portman rachado (colocando em questão a personalidade frágil da personagem), e finalmente o pôster que revela a caracterização de Portman como o Cisne Negro. O pôster funciona porque expõe a grande mudança pela qual a personagem passa ao alcançar a perfeição da criatura. Os olhos vermelhos ganham destaque na maquiagem que recria as asas negras, o rosto meio cadavérico não hesita e encara o observador. Num misto de mistério e sensualidade desconcertante, a personagem no pôster causa o estranhamento despertado ao longo do filme. É aí que o pôster já mostra como a transformação de Portman para o papel dá vida ao enredo.

Batman – O Cavaleiro das Trevas: Só de imaginar que o Coringa está do outro lado e que só há uma separação tênue de um tecido fosco afastando-o do observador já dá um arrepio. O pôster em que ele se encontra escrevendo “Why so serious?” foi muito bem executado porque cria uma sobreposição de cada ato do Coringa. Primeiro, ele não se revela tão cruel. O homem adornado por uma maquiagem branca, cabelos verdes e um sorriso rasgado nos cantos da boca que vemos ganhar forma no filme de Christopher Nolan inicia o seu ato teatral perguntando – quase com simpatia – por que estamos tão sérios. O desenho em sangue do pôster deixa suspenso o que acontece a seguir, como se congelasse a primeira pergunta para a grande resposta, na qual o Coringa já está diante dos nossos olhos e afirma “vamos colocar um sorriso neste rosto”. Tudo o que vemos é a expressão de Coringa enfraquecida pelo pano, mas a intenção quase revelada no sangue, na pergunta, no sorriso e no olhar assustador.

Lugares famosos e marcantes do cinema

Casablanca, em Casablanca: O casal Rick e Ilsa afirmam, numa das frases mais icônicas, “nós sempre teremos Paris”. Essa cidade acaba sendo o santuário dos protagonistas, eterna por guardar as lembranças que os faziam resistir. E Casablanca? A cidade marroquina é o presente permanente na vida de Rick e Ilsa, em que cada passo pode ser perigoso para quem revelar a sua ideologia abertamente diante da presença nazista. E é nela que Rick e Ilsa se reencontram, numa realidade onde não dá mais para recuperar o passado. Casablanca é o conflito permanente. Rick deve ajudar Ilsa a escapar dela com o marido. E, ao mesmo tempo, os dois desejam escapar desse presente para retornar ao tempo em que tinham Paris. O filme lança essas sobreposições do significado da cidade, em que Casablanca é o destino do qual não dá para fugir e Paris, um sonho utópico que talvez já não possa voltar mais. Casablanca é uma cidade dolorosa porque está em meio aos tiros e ao caos, vivendo apenas para isso, e guarda nela um bar e um piano com a música Time Goes By, que é capaz de trazer de volta toda a dor do passado impossível de retornar. Casablanca e Paris acabam sendo a grande representação dos tempos de guerra, onde é impossível saber se o horror irá acabar e se é possível retomar os tempos ingênuos dos sonhos.

Tóquio, em Encontros e Desencontros: Dois estranhos em uma cidade incógnita. Esta é a história de Encontros e Desencontros, em que Bob Harris, um ator de meia-idade casado se hospeda em um hotel para mais um de seus trabalhos, enquanto Charlotte, esposa de um fotógrafo, se encontra sozinha e melancólica na espera pelo marido que trabalha em outras cidades do Japão. Tudo soa ficcional e ilusório demais na Tóquio high-tech para o estrangeiro que se vê sozinho nela. O filme mostra uma sensação universal, de se sentir perdido e sozinho mesmo numa cidade cheia de pessoas. Como no título original Lost in translation, Charlotte e Bob estão perdidos até mesmo na tradução dos próprios sentimentos e ideias. Não apenas por conta do idioma tão diferente do inglês, mas também porque Tóquio se faz como uma redoma em que não encontram nada real em que se segurar. A ironia muito inteligente do filme é mostrar que o único lugar em que ambos encontram para viver é num hotel e entre dois amigos que encontram a mesma solidão no outro. Numa relação que dura poucos dias, mas que soa mais verdadeira do que as promessas ficcionais da cidade.

Cenas mais engraçadas do cinema

Make’em laugh, de Cantando na Chuva: A cena é quase metalinguística. O personagem de Donald O’Conner, Cosmo, quer fazer o amigo Don (Gene Kelly) rir e entender que a risada é importante em todo momento da vida. E então começa a cantar. O mundo é esquisito, com várias contradições como pessoas altas com rostos pequenos (‘Short people have long faces and long people have short faces’), e se o mundo é assim, cheio de tantas coisas, deveríamos ser tão felizes quanto esse grande número de acontecimentos. Mas não é o que acontece. Por isso mesmo, tanto a função que Cosmo está mostrando da figura do ator quanto dele mesmo, enquanto personagem de O’Conner, é fazer o público rir, perpetuar o riso para fazer a vida ser suportável. Pronto, ele começa um número musical de dimensão épica, jogando-se no chão, subindo nas paredes, dançando com uma boneca de pano, sem parecer ter dor alguma. Tudo por uma causa: fazer a gente rir. And the show must go on!

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Dory, em Procurando Nemo: A animação Procurando Nemo conta a história de um peixe-palhaço que procura pelo seu filho raptado por um mergulhador. Mas o filme não seria o mesmo se não tivesse a peixinha Dory. As frases dela se tornaram tão marcantes que fica difícil escolher apenas uma. Da frase conhecida “Continue a nadar” e a tentativa de falar baleiês (sim, você já tentou imitá-la), Dory é uma das poucas personagens femininas nas animações da Pixar que ganha um destaque cômico que supera o protagonista da história. Ela sofre de perda de memória recente, o humor é ingênuo e a personagem se mostra complexa quando notamos que a amizade com Marlin é a única história da qual ela consegue se lembrar de verdade. A aventura pelo mar não seria a mesma sem a Dory e a doçura com que ela busca incentivar o amigo na sua procura.

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