Sábado do Vídeo|8 curtas inspirados nas obras de Edgar Allan Poe

vincent burton

Matéria publicada no Literatortura

Tomada por um ímpeto de investigar o mundo existente no youtube, digitei “animation Edgar Allan Poe”. Um mundo de poeira, horror se abriu aos meus olhos numa descoberta que me causou uma vontade irrequieta, incessante, intensa em dividir com vocês neste Sábado do Vídeo.

Eu não conseguiria escolher apenas uma das minhas descobertas. Muitas dessas animações são bem desenvolvidas por animadores desconhecidos ou alguns já considerados clássicos, e preservam o horror psicológico guardado nas palavras emitidas por Poe. Ecoam no formato estranhamente infantil da animação, como um desejo de trazer à tona os pesadelos de uma criança que crê em monstros que moram debaixo da cama.

Apague a luz, coloque o fone de ouvido, dê o play e feche a janela. Não será agradável se ela bater com força no meio da animação. Mas se ela estiver fechada e bater com força, é motivo para se assustar. Ainda mais se um corvo pousar no parapeito.

É só clicar no título para assistir a cada curta-metragem!

1. The Tell Tale Heart (O coração denunciador), animação feita em 1953

É com uma elegância digna de textos de Poe que James Manson narra a história de um homem louco que não aguenta mais presenciar a vida pulsante em um velho que o encara com um olho de vidro.
“Yes, the eye, that eye. His eye staring. Milky white film. The eye, everywhere in everything!”

2. The Tell Tale Heart, numa versão mais moderna, de 2006

Annette Jung criou uma animação que consegue mostrar um humor cáustico diante do horror e expõe com riqueza de detalhes e num ritmo ágil a loucura do personagem.

3. Vincent, curta-metragem feito pelo diretor Tim Burton em 1982.

É com a épica narrativa de Vincent Price que o curta narra a história sobre um menino de 7 anos chamado Vincent, que deseja ser como Vincent Price. Ele vive no mundo criado por Edgar Allan Poe e crê que sua vida pode ser igual aos contos do autor. Toda a animação ainda é rimada com o mesmo ritmo encantador dos poemas de Poe.

4. Lenore, de Roman Dirge

Inspirado na personagem do poema Lenore, de Poe, Roman Dirge criou uma série de HQs sobre a adorável menininha morta. Há vários episódios disponíveis no youtube com as aventuras da garota zumbi, uma animação carregada de humor negro e um traço creepy.

5. The Oval Portrait, de Aidan McAteer, 2010

O Retrato Oval apresenta a história de um retrato misterioso de uma moça e as tragédias que se sucedem a partir da obra. A animação em preto e branco consegue recortar com simplicidade o horror presente no conto e os dilemas dos personagens.

6.The Black Cat, de Vít Přibyla and Noemi Valentíny (2011)

O Gato Preto, de Poe, narra a história de um homem atormentado por um gato preto. A atmosfera de horror e a condenação pelos atos do personagem faz com que seja um conto inesquecível. A animação é em stop motion e chama atenção os detalhes dos objetos produzidos para recriar o cenário da história.

7. The Raven, de Mariano Cattaneo e Nic Loreti (2011)

Numa voz sussurrante, Billy Drago dá vida ao personagem de O Corvo. A animação simples e obscura desenvolve bem a magia inexplicável dos versos clássicos de Poe, com um traço semelhante aos recortes das fotografias antigas de algum passado oculto e esquecido, talvez deixado lá atrás com Lenore. A atmosfera faz com que os versos ganhem vida em todos os trechos da animação.

“Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`’Tis some visitor,’ I muttered, `tapping at my chamber door –
Only this, and nothing more.'”

8.Annabel Lee

Um dos poemas mais tristes é Annabel Lee, sobre o lamento de um rapaz que perdeu o amor de sua vida, que repousa no reino à beira do mar. Mas é um amor que supera até mesmo os anjos do Paraíso e os demônios mergulhados no mar. A animação é bem simples, é a narrativa que ecoa pelos ouvidos o elemento que acaba conquistando, pois lembra o ritmo das águas, juntamente com o tom azulado e místico.

“It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me”.
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