Atores veteranos, grandes diretores e as cinebiografias

Com grandes estreias no final do semestre – três biografias, Elsa & Fred com dois grandes veteranos do cinema e a vontade de falar sobre os diretores atuais – o Zona Crítica organizou suas já tradicionais listas. Abaixo você pode conferir as minhas indicações e o link para acessar as listas completas!

Melhores atores veteranos 

Judi Dench: Vencedora do Oscar e de 6 BAFTA, Judi Dench encantou não apenas o cinema, mas o teatro e a televisão. Já interpretou a dona do Folies Bergère no filme não tão bem sucedido Nine (vale pela Judi cantando entre plumas rosas), a fria e rígida Lady Catherine de Bourgh em Orgulho e Preconceito (2005) ou ainda suas participações como a personagem M em James Bond. Os dois últimos grandes sucessos foram O Exótico Hotel Marigold e Philomena – que concorreu ao Oscar 2014, ambos apresentando a terceira idade como uma fase que precisa ser protagonista de filmes que os tomam com humanidade. O trabalho de Judi é de uma beleza que se destaca justamente pela sutileza com que ela trata os sentimentos humanos em seus personagens. Philomena, por exemplo, é frágil e destemível ao mesmo tempo. Vale acrescentar que a atriz está envolvida em vários projetos, incluindo um filme em produção, da BBC, que adapta a obra Richard III, de Shakespeare.

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Melhores e piores cinebiografias

Frida (a melhor): Este é um ótimo filme para compreender a profundidade da arte na vida de Frida Kahlo como forma de sobrevivência. O filme expõe a biografia da pintora de modo que possamos entender as camadas de simbolismo na sua própria pintura. Pelo menos foi a maneira que eu passei a me interessar mais pelas obras dela quando era adolescente e descobri uma pintura que explora cores fortes, aparentemente alegres, para situar a mulher de uma maneira heróica, porém, humana, dando espaço para uma mistura entre alegria e melancolia. Vemos as fases de vida de Frida no filme e como elas se refletem na composição dos quadros. Como ela viveu a sua vida, o romance conturbado com o artista Diego Rivera e o desejo de Frida em encontrar a liberdade para criar.

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Melhores diretores da atualidade

Wes Anderson: Wes Anderson criou uma estética própria aos seus filmes, uma paleta de cores pastéis, takes que se assemelham à dramaticidade do teatro, uma trilha sonora indie, o gosto pelo curiosamente estranho e os enredos agridoces. Moonrise Kingdom, Os Excêntricos Tenenbaums, A vida marinha de Steven Zissou e O Grande Hotel Budapeste poderiam muito bem ser crônicas de um universo de Anderson. Eles têm em comum uma narrativa que expõe os pequenos casos e as pessoas com comportamentos singulares como verdadeiros protagonistas: é o escoteiro que foge para viver seu primeiro amor, são as histórias do passado de um hotel, ou até mesmo uma raposa que lidera a sua família no stop motion O Fantástico Sr.Raposo. E o melhor nos filmes de Anderson é como o próprio filme sabe que é artifício. Ele sabe que é um filme, que há um espectador e como o humor irá funcionar justamente pelo ator e pelo espectador guardarem o segredo: estamos vendo uma ficção. Os atores formulam personagens com as reações caricatas porque, no fim, um filme é ainda uma história, uma produção humana. E estamos lá para ouvir uma que será singular, e poderá ser contada de várias formas. E a de Anderson é uma grande peça teatral, um conto que explora as maravilhas dos pequenos fatos curiosos.

Michael Haneke: Não é por causa das indicações recentes ao Oscar que Haneke consta nesta lista. O seu trabalho, em filmes como Amor e A fita branca, demonstram como o diretor parece capturar as emoções humanas direto da fonte. Ele não utiliza subterfúgios para que essa emoção seja exaltada, que se destaque aos nossos olhos. Ela é comedida e, por isso mesmo, muito realista. Ver o envelhecimento e a proximidade da morte em Amor, o peso da convivência de décadas e a responsabilidade até mesmo pela saúde do outro soam aqui, com o trabalho de Haneke, tudo aquilo com o qual nos deparamos e preferimos não discutir. Por isso o silêncio fala bastante nos filmes de Haneke. Ou o P&B em A fita branca dá o tom certo para a atmosfera sombria que se constitui no filme, numa narrativa que é sombria justamente pelos pontos principais que Haneke explora: a violência e a vulnerabilidade humana. Somos feitos de inúmeras camadas sociais, culturais, mas principalmente escolhas e atos que constituem a nossa identidade. Ver isso na tela com uma clareza que aparece em cena, muitas vezes sem explorar frases explicativas demais, mas expondo a verdade, é a grande façanha de Michael Haneke.

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