Oscar 2015 | Whiplash – Em busca da perfeição

Todo ano eu tento correr atrás para ver os filmes da lista do Oscar. Em 2014 consegui ver 22 dos filmes indicados e escrevi resenha de 12 dos principais filmes, todos aqui no blog em categoria “cinema”, com posts das últimas três edições do Oscar. Desta vez a intenção é continuar com o desafio. Então acompanhem aí, curtem, comentem, compartilhem, e vejam os filmes! A cerimônia do Oscar ocorre no dia 22 de fevereiro.

Que o jogo comece. The game is on!

EUA, 2014

Diretor: Damien Chazelle

Com Miles Teller, JK Simmons, Paul Reiser

Indicado às categorias de Melhor Filme, Melhor ator coadjuvante (JK Simmons como Terence Fletcher), Melhor montagem, Melhor mixagem de som, Melhor roteiro adaptado.

whiplash poster“Não, não é o meu tempo”, prossegue Fletcher até exigir de seus alunos a perfeição que reside oculta entre uma nota e outra, no tempo certo que ele idealiza. Whiplash – Em busca da perfeição segue este ritmo de provocação, de impactos entre as poucas relações expostas – em suas formas mais complexas – e os formaliza pela música, a grande protagonista do enredo que conduz os demais personagens. Andrew, um rapaz de 19 anos, é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração, olhando sempre para os bateristas que surgiram com grandes solos, provando-se gênios. Ele quer ser genial e logo descobre, com a humilhação e o treino exaustivo, que ela talvez venha e a tentativa é com sangue, suor e dor.

Essa penitência diária que é o pesadelo de músicos vem na forma do mestre de jazz Terence Fletcher, que convida Andrew a participar do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos. Este convite, porém, vem como o grande desafio para o ingênuo jovem que torna o mundo e a bateria quase inimigos para que a perfeição seja o grande resultado alcançado.

Whiplash exibe uma narrativa que se constrói entre embates: Fletcher que humilha Andrew, a resposta deste ao regente, e a grande dor física e mental no embate mais difícil, em que novamente Andrew se expõe às próprias limitações em alcançar o tempo certo de Caravan e Whiplash na bateria. É com suor e sangue que Andrew dá vida aos pratos, com um ódio que se firma entre os momentos de grande sofrimento da formação de um gênio – que, aliás, fica provado que não nasce apenas com um dom – e os takes que enfatizam o ritmo comemorativo que o jazz emana.

O grande mérito do filme é não se construir como um filme de motivação, colocando em jogo a fragilidade de seu personagem. A direção de Chazelle costura o filme de modo que as grandes cenas sejam bem delimitadas: o sangue no gelo, o sangue no prato da bateria, o heroísmo doloroso de Andrew, os limites esquecidos, a arrogância extrema de Fletcher e cada nota das músicas com as quais nos acostumamos ao assistir.

Os detalhes são postos em exibição, sem apostar em discursos de superação e estímulo. Fletcher, com sua postura abusiva interpretada com excelência por J.K.Simmons, faz pensar sobre o comodismo em afirmar apenas que o outro fez um bom trabalho. Claro que não seria preciso agir como ele, mas em uma sociedade onde a crítica sempre recebe uma reação negativa daquele que defende a sua opinião como uma propriedade imutável, Whiplash fala muito mais do que se poderia imaginar. Trata da real dificuldade entre obter o sucesso e o fracasso, entre se questionar até que ponto se chegaria à perfeição, se ela vale a pena. E como o estudo é uma dor interminável em busca de uma plenitude que nunca estará em nossas mãos. E, mesmo assim, o processo compensa nos segundos, nos minutos em que um desempenho consegue rasgar a impossibilidade e ser perfeito.

Mais ainda, Whiplash considera que há um espectador assistindo ao filme. E que a maioria desconhece as músicas Caravan e Whiplash. Então somos apresentados, em partes, a elas, como um professor que expõe as primeiras notas. Para que, quase sem querer, nós nos tornemos críticos dos bateristas que tocam no filme, que estão postos em teste, e principalmente, que saibamos ter a completa vivência de conhecer a grandeza destas composições memoráveis ao jazz. A música impregna a catarse e dá ritmo ao filme e a uma grande experiência em Whiplash.

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Um comentário sobre “Oscar 2015 | Whiplash – Em busca da perfeição

  1. Concordo plenamente… E o envolvimento é tão grande, que saímos até com falta de ar do cinema, tamanho envolvimento com os acontecimentos finais do filme… Com certeza vale muito pena ver!!! Crítica muito bem escrita, parabéns!

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