Vincent – A história de Vincent Van Gogh, de Barbara Stok

Publicado no site Indique um livro 

L&PM, 2014, 144 páginas

van gogh 2Inspirada na biografia e nas cartas trocadas com Théo, a HQ Vincent expõe a história do artista pós-impressionista Vincent Van Gogh. É possível dizer que, hoje, é unânime a adoração por ele. Geralmente não discutimos a profundidade acerca dos matizes de cores exploradas pelo artista e como sua fatura foi revolucionária. Porém, as obras de Van Gogh provocam emoções indescritíveis, como, bem, muitas obras conseguem incitar. Aquela necessidade de explicar o belo pela própria obra, sem encontrar palavras que resumem as sensações.

É aceitando esta popularidade de Van Gogh, e as várias adaptações ao cinema sobre sua vida e obra, que a história em quadrinhos de Barbara Stok ganha espaço como mais uma exposição da genialidade de Van Gogh. É curioso ver como ele se tornou um ícone, um personagem no imaginário coletivo, parcialmente pelas experiências conturbadas de sua vida, mas também pelo pouquíssimo reconhecimento que obteve em vida. É como se a sociedade se sentisse em dívida com ele. E, de fato, sempre estamos, em certa medida, com nossos antepassados.

O trabalho de três anos de Barbara Stok rendeu a ela o Prêmio Holandês de Melhor Autor de HQ 2009. Com um traço delicado, que beira ao infantil, a vida de Van Gogh se apresenta com uma simplicidade interessante. A HQ consegue aliar a cronologia dos fatos e as palavras do próprio artista às necessidades de um público leigo em história da arte. Não será encontrada uma análise das obras. É verdade que a HQ, neste tratamento mais simples e um tanto infantil acerca da vida de Van Gogh pode acabar perdendo a oportunidade de aprofundar, em alguns momentos, a complexidade que envolvia esta figura tão exaltada. Contudo, a obra obtém saldos positivos ao reconstituir os quadros do pintor, em dar voz às palavras escritas por ele ao irmão.

Crédito: Editora LP & M editores/Divulgação. Ilustrações do livro Vincent.

Vincent, apresentando-se como uma HQ que toma o primeiro nome do pintor como destaque em vez do grande título que ‘Van Gogh’ acabou por se tornar, faz com que ele se aproxime mais intimamente do leitor. Os diálogos simples, próximos das conversas rotineiras, auxiliam a compor um cenário verossimilhante e Van Gogh agora nos aparece como uma figura que preserva sonhos, inseguranças, desespero por não ter dinheiro para o aluguel e a tinta, um desejo de dizer ao mundo o que pensa da natureza, de expor o seu olhar singular.

A HQ alcança o êxito de apresentar, em cores, as explosões magníficas de Van Gogh. Tanto ao público adolescente quanto ao público adulto, Vincent fortifica a ideia de ícone dada a Van Gogh. Mas, desta vez, ele surge em tons delicados como uma pequenina figura simpática chamada Vincent, quem será exaltado por nós, estas figuras posteriores que, ainda com pesar, lamentam que ele não tenha tido um vislumbre de sua própria beleza. Assim, Vincent é um doce retrato para quem desejar vê-lo em mais uma adaptação. Contudo, vale apontar, também, para a urgência que é ver os quadros do artista pessoalmente. Pois são nelas que Van Gogh vive. Mais do que no ícone que veneramos.

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