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Meus contos no concurso Brasil em Prosa da Amazon

Pessoal, este post é para avisar que agora eu tenho dois contos publicados lá na Amazon!

Eu estou participando do concurso literário federal Brasil em Prosa, da Amazon e O Globo, com os meus contos ‘Na terra de abismos há outros’ e ‘Dos olhos ao mundo’. Eles estão sendo vendidos na Amazon por 3,32 reais. E o melhor, as capas são exclusivas e foram feitas pelo talentoso e lindo do Denis Pinheiro, ele tem a página Diderot e faz camisetas maravilhosas (aqui).

Comprem meus contos e divulguem! E se vocês gostarem, deixem uma avaliação com estrelinhas lá no site, pensem na alegria que eu vou sentir haha

Sinopse de Dos olhos ao mundo: O olhar do pequeno Luis fundava mundos. Com o amor do avô, o menino via a natureza se revelar pelo brilho de todas as coisas. Mas a vida deu respostas cruéis a ele e o olhar de Luis foi testado para a grande complexidade do mundo. A percepção viria para dar suas respostas.

Compre aqui: http://www.amazon.com.br/Dos-olhos-mundo-Marina-Franconeti-ebook/dp/B012Z2576M/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1438347566&sr=8-1&keywords=dos+olhos+ao+mundo

Segunda capa

Sinopse de Na terra de abismos há outros: Na rotina em que a melancolia, o tédio e o medo estão presentes, Eduardo nota que está vivendo em um abismo do qual levanta todo dia de manhã. Foram dois dias que mudaram a sua vida. E a salvação veio pela mão do Outro.

Compre aqui: http://www.amazon.com.br/gp/product/B012Z1OU02?keywords=na%20terra%20de%20abismos%20h%C3%A1%20outros&qid=1438347326&ref_=sr_1_1&sr=8-1

capa

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Olhos abertos a Plutão

Publicada no site Literatortura

A escuridão destaca a figura acobreada do planeta anão, o momento histórico em que a sonda, New Horizons, obteve aproximação máxima de Plutão. O olhar voltado ao avanço científico é, por vezes, um despertar sobre o óbvio: há mais do que a existência rotineira terrestre.

Não chega a ser um conforto pensar que há mais do que o caos e a vida admirável na Terra. Estas duas faces da nossa existência, com os mesmos dois pesos, às vezes parece pender mais para um lado. O caos, a morte, o descaso, o conflito com o outro faz pensar que a existência do homem tem como finalidade a morte, e a natureza, a maldade. Contudo, isso seria nos naturalizar, nos ver de maneira reducionista. A parte admirável da Terra não chega a ser um conto otimista sobre a vida humana. Mas sim a poesia que sobrevive entre o caos.

sonda new horizons aproximação máxima Plutão

Sendo uma poesia que sobrevive no caos, ela é menor, e portanto, insignificante diante da massa caótica e cruel da Terra? Não. Quer dizer que, talvez, a poesia opere de forma distinta. A poesia busca justamente não simplificar a existência em absoluta crueldade. Em ideias e respostas absolutas. Porque, como já se viu, o homem, na Terra, permeia todos os campos possíveis da existência. É esta massa indizível e confusa. O que a poesia faz é pulsar como modo de indicar que a vida tem seu infinito.

A foto de Plutão faz lembrar o doce curta Viagem à lua, de George Méliès. Visto como inauguração do cinema, gosto de pensar que Méliès, a todo instante em que pensamos e vemos esta viagem, inaugura mais uma vez o olhar. Obviamente, não quer dizer que só ele saiba fazer isso. É o que a arte e a poesia são capazes de fazer. Descer na superfície desconhecida da lua, com a promessa da conquista, não deveria reduzir a lua à mera terra desbravada. Ou seja, criar não é ter como exclusiva finalidade um resultado perfeito e considerado obra de arte. No fim das contas, os homenzinhos que nela descem, no curta, somos nós em todos os tempos tentando entender como supor os caminhos da vida humana. A questão é que não se trata de suposições, como se a história já estivesse registrada em algum lugar. Trata-se mais do caminho.

Pensar no curta do cineasta também é um indicativo do que o ser humano é capaz de fazer com a linguagem. Ver a lua de Méliès no Plutão registrado é a prova de que pensamos de maneira alusiva. Encontramos a totalidade do mundo nas partes dele. E é assim que construímos nossa existência. A lua ganha vida e rebate seu olhar, por Méliès. Ela é acertada pelo foguete humano. Mas gosto de pensar que o seu mistério se resguarda e, aquilo que a ciência não consegue registrar, a poesia e a arte, em forma de curta-metragem, falam pelo silêncio. O abrir os olhos – seja para a fotografia cotidiana, seja para a foto de um planeta anão – é mais do que absorver a informação dada em uma timeline: é entender mais do próprio corpo que vê e se situa. Entender que a Terra guarda possibilidades infinitas como o sistema guarda seus planetas.

viagem a luz melies

A foto de Plutão nada mais é do que uma prova das perspectivas distintas. Era o menor planeta do sistema solar, e agora posto em foto como grandioso acobreado e imponente. Em face da nossa existência e corpo, ele realmente é tudo isso. Mas comparado aos outros, é o planeta banido do sistema, difícil de visualizar e raro de ser registrado pelo satélite humano.

Os nossos olhos chegaram a ele. Mas será que, de fato, chegam ao que Plutão realmente é? Tal qual a poesia, Plutão se desvela aos nossos olhos sem deixar de preservar seus mistérios de planeta. Olhar a foto de Plutão pode, também, revelar mais da complexidade à qual devem se abrir os olhos humanos, mais do que apenas uma conquista formal pela ciência. Até porque a base para a ciência não deixa de ser artística: olhar a natureza sempre por um olhar que inaugura, interpreta e aceita o inaugurado.

Veja aqui, pela Revista Galileu, as fotos anteriores de Plutão, e aqui sobre a missão da Nasa à Plutão, pela BBC.