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A crítica genial às redes sociais no novo clipe animado de Stromae

Publicado no site Literatortura

stromae clipe 2Esta é a ironia de estar conectado às redes sociais e ver justamente o novo clipe do cantor belga Stromae criticando esta permanente conexão em que vivemos. Divulgado ontem pelo site Buzzfeed, o clipe Carmen é embalado pelo estilo já consagrado de Stromae no cenário do hip hop francês, em um rap com letra crítica e irônica, mas desta vez seguindo o ritmo da clássica criação feito para a ópera Carmen, de Bizet.

Dirigido pelo aclamado diretor Sylvain Chomet (de As bicicletas de Belleville, O mágico), o clipe expõe o primeiro contato de uma criança – Stromae, no caso – com uma inocente selfie feita ao lado do passarinho azul símbolo do Twitter.

“Em 1875, Georges Bizet comparou o amor a um pássaro rebelde. 140 anos depois (e em 140 caracteres), o amor é um pássaro azul”, disse Stromae ao Buzzfeed, afirmando a proposta do clipe em apresentar a ilusão que temos do amor como expresso inteiramente nas redes pelo número de seguidores.

Após o primeiro contato com o passarinho que emite um assobio – o tweet, ele e o celular se tornam cada vez mais presentes na vida do personagem. O passarinho destrói o prato de macarrão na mesa, simbolizando o isolamento do rapaz que permanece conectado no celular diante da família. O difícil contato com as pessoas. A ilusão de que há uma clara popularidade, pelo número de seguidores que aumenta, e o consumo incessante. A selfie na festa parece alegre pelas hashtags, enquanto o passarinho destrói o bolo e a sala está vazia.

A atmosfera do clipe encaminha para uma realidade em que todos – incluindo as autoridades – acabam sendo levados ao fim iminente, na boca de um grande pássaro azul que se alimenta destes que vivem em torno apenas das redes sociais. E, mesmo diante deste caos apocalíptico, ainda resta tempo para tirar mais uma foto e expor o horror de estar ao fim com o celular sempre à mão.

O curioso é constatar que Stromae liberou o clipe pelas redes sociais, no instagram, com uma foto sua tal qual a versão do desenho, além de outras dele no mesmo estilo (veja aqui). Já estamos inseridos em uma vida que se define pela presença no facebook, o contato pelo twitter, o significado das fotos publicadas. Contudo, como se pode ver, ainda resta espaço para a crítica a esse grande pássaro azul que nos consome.

Fonte: Buzzfeed

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O ano mudou e o blog também (um pouquinho)

Quando alguém fala “ah, tenho uma novidade”, sempre fico com medo e penso “ai meu deus meu mundo vai cair e agora vão cancelar minha série não vão lançar aquele filme antes do Oscar vão matar alguém em Doctor Who/Sherlock/Game of Thrones (nesse aí é mais comum)”, mas acabei descobrindo com os anos que mudança é algo positivo. Então mudança aqui é boa e é só para dizer que o blog precisa crescer em 2015!

Há cinco anos eu criei este blog e fui seguindo com ele encarando-o como uma grande caixa onde eu iria simplesmente arquivar meus contos, poemas, o meu treino na vontade de ser escritora. Com sorte, alguns poucos amigos acompanhavam, vieram vocês, muitos leitores desconhecidos que passaram a seguir este blog.

Ele surgiu em 2009, quando eu tinha só 16 anos, e o primeiro post foi um conto muito querido que enviei na ingenuidade para um concurso da Companhia das Letras do Vinicius de Moraes, representando meu colégio. Acabou que ele foi parar entre os cinco finalistas de São Paulo. Não ganhou, mas a experiência deu o empurrão para que eu usasse esse espacinho como a minha tentativa de arriscar a criar histórias, até porque esse negócio de escrever vicia.

Para resumir tudo, eu cresci e iniciei minha graduação de Filosofia, onde estou agora (não exatamente agora, quer dizer, quase, tem os trabalhos para fazer nas férias, então eu fico na dúvida sobre onde estou agora. São férias no meio das linhas de Kant e Hannah Arendt, o que é meio conturbado). No ano de 2014 este blog foi alimentado com 72 artigos que consegui publicar por aí, já que sou colaboradora dos sites Literatortura, Zona Crítica e Indique um livro. Visitem esses sites, são lindos. Tive também uma coluna que durou seis meses no Fashionatto, mas a correria da graduação me levou a focar nas matérias para os outros sites.

No fim, este blog foi recebendo o que produzi por aí. Mas acho que não é o suficiente. Então, este post é a iniciativa de dizer que haverá mais conteúdo neste blog aqui, sim. Mais contos, poemas, crônicas, posts indefinidos, e mais de vocês. Não dá para torná-lo apenas um arquivo.

Foi por isso que se você entrar agora no blog verá que ele foi repaginado. Antes era um visual mais lúdico, com aquela charmosa lua com um foguete nos olhos, do início do Cinema, daquele curta Viagem à Lua, de George Méliès. Eu a tinha escolhido porque aquela lua, em si mesma, já resume o que é ler e escrever: sempre um ato inaugural.

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A questão é que agora, depois de mais um tempinho escrevendo, eu percebi que o blog precisava ter mais de mim neste momento. Então, lá na imagem de capa está Dance at the Moulin Rouge, de Lautrec. Por quê? Só porque minha pesquisa na iniciação científica é sobre arte impressionista? Não apenas isso. Se você observar o quadro, parece que ele se encontra estático. O tempo parou, os homenzinhos de cartola e a mulher bem arrumada de rosa não olham para a protagonista do quadro. Mas ela dança, ela é o movimento. E quando a gente escreve é assim: o mundo parece ganhar movimento e a nossa característica mais singular é reger essa dança por si mesmo. Com suas meias vermelhas ou não.

Também tirei a frase que era o subtítulo, um verso de Alberto Caeiro, “sinto-me nascido a cada momento/ para a eterna novidade do mundo”. E coloquei uma frase minha. Arrisquei. Ela é uma junção deste conto aqui que escrevi, “Olha lá, tem uma janela acesa no caos” e “Galhos a dançar”, que escrevi em 2014. Aproveitei também para inserir na barra lateral os últimos livros que li e os filmes que assisti. Dá para curtir agora cada post, divulgar no twitter, no Google+, e pode me seguir no Twitter, @mafranconeti, espalhe!

Sendo assim, eu convido você, que está aí, que segue o blog pelo wordpress, que recebe as atualizações por e-mail (sério, obrigada, envio carinho, doces e nuvens felpudas rosas para você), amigo ou desconhecido que acabou caindo por aqui: seja bem-vindo. Pegue uma bolachinha, o café, senta aí e leia. Porque ser leitor é ser herói também.

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Mickey Mouse e um zumbi no curta-metragem para o Dia das Bruxas

mickey

Matéria publicada no Zona Crítica

Na sexta-feira, dia 31, é comemorado o Halloween, o dia das bruxas. O costume é norte-americano, mas quando o mês de outubro se inicia, é quase inevitável a vontade de procurar por enredos sombrios. No caso, não é bem sombrio. O Halloween também pode ser comemorado ao aliar o humor das animações infantis às surpresas de uma criatura assustadora.

Mickey Mouse, o rato mais conhecido na história do cinema, ganhou um curta-metragem que retoma a atmosfera de suas histórias clássicas. O rato magrelo de calças vermelhas – que se tornavam pretas nas películas P&B – desta vez se vê face a face a uma versão zumbi do Pateta.

O curta-metragem “Amigo Zumbi” foi escrito e dirigido por Aaron Springer, para o especial anual de curtas para o Halloween. Mickey não encontra uma ferramenta para consertar o motor de seu carro, mas se depara com um zumbi despedaçado, com os ossos à mostra e incrivelmente lento. Os detalhes da animação, a sincronia entre a trilha e a corrida desesperada de Mickey dão o tom de humor já conhecido dos estúdios Walt Disney em seus curtas ao breve enredo. Uma boa forma de entrar no clima do Halloween!

Você pode assistir AQUI 

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A Morte, objetos inanimados e eleições: o clima de outubro pelas listas!

Outubro foi um mês cheio de muitas novidades – Mostra Internacional de Cinema, algumas estreias de terror e os debates das Eleições 2014. Por isso o Zona Crítica não podia ficar de fora. Toda semana a gente pega um tempinho e faz uma lista bem bonita com duas indicações de filmes por colaborador. Este mês foi particularmente divertido, principalmente resgatar na memória os filmes onde a Morte era personagem! Dá uma olhada abaixo, você pode conferir as minhas indicações mas também pode clicar em cada título para ver a lista completa.

A Morte é protagonista no Cinema

O Sétimo selo: A morte está em todos os cantos do enredo de O sétimo selo, de Bergman. Após retornar das Cruzadas, o cavaleiro Antonius se depara com uma população desolada, que aos poucos se esvai pelo horror da peste negra. O questionamento sobre o sentido da vida, a existência de Deus e do Diabo e a impossibilidade de uma vida além da morte permeia todo o filme pela resistência do protagonista, que encontra a Morte na praia e a desafia para um jogo de xadrez. Está posto aqui, então, a tentativa do cavaleiro em barganhar e descobrir a resposta pela boca daquela que está permanente na guerra e na peste. A Morte é irônica e carrega um meio sorriso que tende ao obscuro, ela quase nos seduz por ser instigante. Pelo jogo de xadrez, ela acaba se mostrando implacável: a Morte tem seus passos premeditados, sabendo quando deve convidar cada humano a dançar com ela.

Volver: No filme de Pedro Almodóvar a morte se mistura ao renascimento da vida. Raimunda sempre retorna à La Mancha para limpar o túmulo da mãe no Dia dos Mortos. E este início do filme dá o tom para todo o enredo que apresenta a família de Raimunda lidando com a morte como um dado de sua existência. Raimunda, precisando ocultar o segredo de ter matado o marido para proteger a própria filha, a irmã de Raimunda que teme os mortos, e Irene, mãe de Raimunda, que retorna dos mortos para tentar se reconciliar com a filha. No fim, se o filme contém apenas figuras femininas, a morte acaba sendo mais uma personagem inserida por Almodóvar, já que é ela quem sustenta, define, fragiliza e fortifica essas mulheres que sobrevivem numa melancolia que tem seus momentos sublimes de alegria entre a família. A morte acaba sendo o tom agridoce de suas vidas.

Harry Potter e as relíquias da morte – parte 1: O livro Contos de Beedle, o Bardo, deixado por Dumbledore à Hermione Granger, (livro esse que até J.K.Rowling publicou depois) é peça chave para a trama do filme. Há uma cena em que a garota lê para Harry e Rony o Conto dos três Irmãos, em que cada um deles pede um presente à Morte: a Varinha das Varinhas, a Capa da invisibilidade e a Pedra da Ressurreição. Destes presentes, o único que se mostrou simples, sem qualquer desejo de ambição, foi a Capa. Por causa dela, o irmão pôde viver até a velhice às escondidas da Morte, que demonstra respeito pelo irmão que a enganou para viver uma vida cheia de virtudes.

Objetos (in)animados no cinema

Frankenweenie: Desafiando os pais, os projetos comuns de ciência da escola e o processo natural da existência, um garotinho resolve trazer o seu cachorro de volta à vida. Esta é a história de Frankenweenie, uma animação em preto e branco de Tim Burton. Nela, presenciamos esse retorno à vida de uma criatura pelas mãos de um pequeno menino cientista – uma clara referência à Frankenstein – e até que ponto é possível dar vida a um animal de modo que o passado possa ser recuperado. Victor é fã de cinema e gosta de criar curtas e na companhia de seu cãozinho Sparky. Após um acidente, o garoto se vê perdido sem seu amigo. Então, num dia chuvoso, o cãozinho retorna pela eletricidade, na mesa de operação do garoto. Mas as consequências vêm logo em seguida. O filme de Burton é uma amostra poética do quanto todos gostariam de ter o poder de trazer os momentos e as pessoas de volta à vida, mas Sparky vem abanando o rabo e trazendo à tona também o peso que existiria nessas escolhas.

Casa Monstro: Bem lá no fundo você já passou em frente a uma casa abandonada, viu um movimento suspeito e cogitou que poderia ser mal-assombrada. O filme Casa Monstro trata disso literalmente. A casa ganha vida, engole triciclos, crianças, brinquedos e transeuntes da calçada. Na véspera do dia das bruxas, o menino DJ e seu amigo resolvem investigar, ao que veem a bola de basquete sumindo no terreno da casa. Assim, o filme nos leva a conhecer essa casa que possui uma alma e fome por tudo aquilo que passar pela sua frente.

Filmes e eleições

Milk – A voz da igualdade: Entre os debates políticos, a pauta LGBT tem se mostrado merecidamente urgente. Vimos o discurso homofóbico de Levy Fidélix e a voz dele soa, infelizmente, em outras mentes que ainda creem não ser justo aprovar a união homoafetiva. Nada como dar voz, então, a quem realmente merece. O filme Milk – A Voz da igualdade, traz a trajetória de Harvey Milk, considerado o primeiro gay assumido a alcançar um cargo público de importância nos Estados Unidos. Em 1977, após um intenso eleitorado, Milk consegue assumir um cargo no Quadro de Supervisor da cidade de San Francisco. Assim, o filme apresenta os seus dilemas e o preconceito que nega os direitos de exercer o uso de sua voz publicamente e ser integrado à sociedade.

Dama de Ferro: O grande mérito do filme é trazer a complexidade de Margaret Thatcher pela atuação de Meryl Streep. Em Dama de Ferro, conhecemos por flashbacks, a trajetória de uma das poucas mulheres que ganhou destaque no cenário político mundial. O filme busca se abster de um posicionamento forte e algumas vezes acaba por optar pela dicotomia esquerda-direita e focar no drama humano da personagem. Contudo, a atuação de Meryl Streep abre o campo para tentar entender quem foi Thatcher. Ela foi apelidada como dama de ferro em razão de seu conservadorismo, pulso firme ao governar a Inglaterra como Primeira-Ministra. Ela proibiu manifestações sindicais, houve um gasto excessivo com uma guerra ambígua e complicada como a Guerra das Malvinas, ainda teve seu governo marcado pela priva tização e a recessão econômica após a Crise do Petróleo de 1979. Ou seja, falar de Thatcher é complexo. Mas o filme é um bom começo para visualizar o cenário e o destaque dado à personagem.

 

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Cenas mais engraçadas, pôsteres e as cidades no cinema: mais listas! The show must go on!

Já falei lá embaixo que neste semestre passei a escrever também para o site Zona Crítica, e toda semana a gente para tudo o que está fazendo – larga a louça, deixa o ponto do ônibus passar ou fala para o texto da graduação esperar – e faz duas indicações de filmes para a lista da semana. Abaixo você pode conferir as minhas indicações mas também pode clicar em cada título para ver a lista completa. Tem de tudo, tá lindo demais!

Célebres cartazes de cinema

Cisne Negro: Na época de divulgação de Cisne Negro, o que me despertou interesse pelo filme foram justamente as várias versões de pôsteres. Os minimalistas em preto e vermelho, o rosto de Natalie Portman rachado (colocando em questão a personalidade frágil da personagem), e finalmente o pôster que revela a caracterização de Portman como o Cisne Negro. O pôster funciona porque expõe a grande mudança pela qual a personagem passa ao alcançar a perfeição da criatura. Os olhos vermelhos ganham destaque na maquiagem que recria as asas negras, o rosto meio cadavérico não hesita e encara o observador. Num misto de mistério e sensualidade desconcertante, a personagem no pôster causa o estranhamento despertado ao longo do filme. É aí que o pôster já mostra como a transformação de Portman para o papel dá vida ao enredo.

Batman – O Cavaleiro das Trevas: Só de imaginar que o Coringa está do outro lado e que só há uma separação tênue de um tecido fosco afastando-o do observador já dá um arrepio. O pôster em que ele se encontra escrevendo “Why so serious?” foi muito bem executado porque cria uma sobreposição de cada ato do Coringa. Primeiro, ele não se revela tão cruel. O homem adornado por uma maquiagem branca, cabelos verdes e um sorriso rasgado nos cantos da boca que vemos ganhar forma no filme de Christopher Nolan inicia o seu ato teatral perguntando – quase com simpatia – por que estamos tão sérios. O desenho em sangue do pôster deixa suspenso o que acontece a seguir, como se congelasse a primeira pergunta para a grande resposta, na qual o Coringa já está diante dos nossos olhos e afirma “vamos colocar um sorriso neste rosto”. Tudo o que vemos é a expressão de Coringa enfraquecida pelo pano, mas a intenção quase revelada no sangue, na pergunta, no sorriso e no olhar assustador.

Lugares famosos e marcantes do cinema

Casablanca, em Casablanca: O casal Rick e Ilsa afirmam, numa das frases mais icônicas, “nós sempre teremos Paris”. Essa cidade acaba sendo o santuário dos protagonistas, eterna por guardar as lembranças que os faziam resistir. E Casablanca? A cidade marroquina é o presente permanente na vida de Rick e Ilsa, em que cada passo pode ser perigoso para quem revelar a sua ideologia abertamente diante da presença nazista. E é nela que Rick e Ilsa se reencontram, numa realidade onde não dá mais para recuperar o passado. Casablanca é o conflito permanente. Rick deve ajudar Ilsa a escapar dela com o marido. E, ao mesmo tempo, os dois desejam escapar desse presente para retornar ao tempo em que tinham Paris. O filme lança essas sobreposições do significado da cidade, em que Casablanca é o destino do qual não dá para fugir e Paris, um sonho utópico que talvez já não possa voltar mais. Casablanca é uma cidade dolorosa porque está em meio aos tiros e ao caos, vivendo apenas para isso, e guarda nela um bar e um piano com a música Time Goes By, que é capaz de trazer de volta toda a dor do passado impossível de retornar. Casablanca e Paris acabam sendo a grande representação dos tempos de guerra, onde é impossível saber se o horror irá acabar e se é possível retomar os tempos ingênuos dos sonhos.

Tóquio, em Encontros e Desencontros: Dois estranhos em uma cidade incógnita. Esta é a história de Encontros e Desencontros, em que Bob Harris, um ator de meia-idade casado se hospeda em um hotel para mais um de seus trabalhos, enquanto Charlotte, esposa de um fotógrafo, se encontra sozinha e melancólica na espera pelo marido que trabalha em outras cidades do Japão. Tudo soa ficcional e ilusório demais na Tóquio high-tech para o estrangeiro que se vê sozinho nela. O filme mostra uma sensação universal, de se sentir perdido e sozinho mesmo numa cidade cheia de pessoas. Como no título original Lost in translation, Charlotte e Bob estão perdidos até mesmo na tradução dos próprios sentimentos e ideias. Não apenas por conta do idioma tão diferente do inglês, mas também porque Tóquio se faz como uma redoma em que não encontram nada real em que se segurar. A ironia muito inteligente do filme é mostrar que o único lugar em que ambos encontram para viver é num hotel e entre dois amigos que encontram a mesma solidão no outro. Numa relação que dura poucos dias, mas que soa mais verdadeira do que as promessas ficcionais da cidade.

Cenas mais engraçadas do cinema

Make’em laugh, de Cantando na Chuva: A cena é quase metalinguística. O personagem de Donald O’Conner, Cosmo, quer fazer o amigo Don (Gene Kelly) rir e entender que a risada é importante em todo momento da vida. E então começa a cantar. O mundo é esquisito, com várias contradições como pessoas altas com rostos pequenos (‘Short people have long faces and long people have short faces’), e se o mundo é assim, cheio de tantas coisas, deveríamos ser tão felizes quanto esse grande número de acontecimentos. Mas não é o que acontece. Por isso mesmo, tanto a função que Cosmo está mostrando da figura do ator quanto dele mesmo, enquanto personagem de O’Conner, é fazer o público rir, perpetuar o riso para fazer a vida ser suportável. Pronto, ele começa um número musical de dimensão épica, jogando-se no chão, subindo nas paredes, dançando com uma boneca de pano, sem parecer ter dor alguma. Tudo por uma causa: fazer a gente rir. And the show must go on!

assista AQUI 

Dory, em Procurando Nemo: A animação Procurando Nemo conta a história de um peixe-palhaço que procura pelo seu filho raptado por um mergulhador. Mas o filme não seria o mesmo se não tivesse a peixinha Dory. As frases dela se tornaram tão marcantes que fica difícil escolher apenas uma. Da frase conhecida “Continue a nadar” e a tentativa de falar baleiês (sim, você já tentou imitá-la), Dory é uma das poucas personagens femininas nas animações da Pixar que ganha um destaque cômico que supera o protagonista da história. Ela sofre de perda de memória recente, o humor é ingênuo e a personagem se mostra complexa quando notamos que a amizade com Marlin é a única história da qual ela consegue se lembrar de verdade. A aventura pelo mar não seria a mesma sem a Dory e a doçura com que ela busca incentivar o amigo na sua procura.

assista AQUI

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Listas de cinema no Zona Crítica!

Neste semestre passei a escrever também para o site Zona Crítica, em que toda semana cada um indica dois filmes para uma lista temática. Estas aqui foram as primeiras das quais participei, é só clicar no título para ver o restante da lista!

Os filmes de Robin Williams

Jumanji: Os tambores de Jumanji arrepiam, seja em 1969, 1995 ou por aqui em 2014. O tempo pode passar, mas tudo o que acontece com quem encontra o tabuleiro de jogo Jumanji ainda me assusta. Eu costumava sonhar com as cenas todas as vezes que eu revia o filme. E hoje resolvi assistir mais uma vez e fiquei surpresa por notar que eu me lembro da maioria das cenas em detalhes. Tudo ganha vida a cada lance de dados no tabuleiro de Jumanji. E é o personagem de Robin Williams, o Alan Parrish, que sabe mais sobre os horrores que se escondem dentro do jogo de tabuleiro. O que se mostra mais tocante na atuação de Robin é a expressão infantil que ele concede a Alan. Até porque este é um garoto esquecido por 26 anos dentro do jogo, ele ainda era uma criança. Por isso, é incrível ver como Robin consegue demonstrar muito em poucos minutos, quando surge todo barbado no filme e enfrenta um leão, para depois descobrir que está sozinho no mundo. Até hoje o filme dá aquele arrepio que eu sentia quando era pequena. Se a luz da geladeira pisca e o som falha por aqui, você já acha que está na mesma atmosfera do filme. Cuidado ao aventureiro que resolver iniciar o jogo.

Patch Adams – O amor é contagioso: Robin Williams dá vida ao médico Hunter “Patch” Adams que resolve aplicar um método de cura bem diferente do comum. Com um nariz de palhaço e muito humor, ele propõe curar os pacientes por meio da leveza e da brincadeira, por um método que hoje respeitamos muito pelo trabalho dos doutores da alegria. Ele chegou a ser desacreditado pelos colegas de que isso seria capaz de mudar a vida de um paciente. Além da beleza da história, o filme cria vida mesmo pela presença de Robin. Não dá para esquecer a doçura ingênua do seu olhar a cada paciente, as várias cenas engraçadas em que ele rompia com todas as regras. Eu assisti a esse filme pela primeira vez quando tinha uns oito anos e a cena em que ele incentiva uma paciente a se jogar numa piscina de spaghetti foi o ápice. Eu fiquei eufórica, eu queria fazer o mesmo e parecia que o Robin convidava a gente a ser livre, com uma simples cena. A atuação dele e o nariz de palhaço eram os sinais de que a vida podia ser leve por um simples ato, a começar por um filme.

Melhores aberturas de séries de TV

Game of Thrones: Quando se espera por um seriado durante um ano, a abertura acaba se tornando um acontecimento quase catártico. Se a música ainda tiver um tom épico, colabora ainda mais para o coração palpitar com as primeiras notas. É isso o que acontece quando a abertura de Game of Thrones se inicia. É quase inevitável cantarolar junto com os instrumentos. Porém, o mais interessante da composição dela é notar as localizações dos Sete Reinos de Westeros surgindo da terra e se formando em castelos, torres, pirâmides. A cada temporada, como ocorreu na quarta (exibida este ano), a abertura se tornou mais cheia, sendo preenchida aos poucos até o episódio 8, conforme as novas cidades apareciam. Já são conhecidos King’s Landing, Winterfell e a Muralha. Agora, é possível ver também a engenhosa construção de Braavos – com a moedinha passando no ritmo do tema e o Titã que convida os barcos a ingressaram na cidade – e as cidades pelas quais a personagem Daenerys passou, fechando com a pirâmide em Meereen. A abertura também costuma variar a ordem das citações dos atores e, se algum ator novo surge por entre o elenco, é quase uma comemoração ver o seu nome entre os primeiros, como ocorreu com Pedro Pascal e seu personagem Oberyn Martell.

Friends: A abertura de Friends pode ser aleatória. Um sofá no meio da grama, acompanhado por um abajur, com amigos se divertindo dentro de um chafariz, aparentemente resolveram fazer isso no meio da madrugada – como o sofá foi parar lá? – e no fim a Monica apaga o abajur. Certo, parece não ter sentido. Mas por que está entre uma das melhores aberturas? Ela já se tornou um clássico. Esse cenário quase ingênuo e non-sense acaba dando o tom do enredo, uma comédia que consegue fazer rir pela simplicidade de um roteiro sobre cinco amigos vivendo em Nova York: Monica, Rachel, Phoebe, Ross, Chandler e Joey. A série é quase como a abertura da série: traz combinações que, à primeira vista podem ser estranhas, mas quando postas numa mesma cena acabam funcionando com naturalidade. A cada temporada a abertura muda com algumas das cenas dos personagens. É divertido ver como a edição combina o som das três palmas com algum momento sincronizado da série. E aí o espectador quase faz o mesmo ao assisti-la. Faz sim. Ao som de I’ll be there for you, a abertura apresenta a evolução tanto dos personagens quanto da amizade entre eles, pela versão mais jovem, nos 10 anos de série.

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Saiu o trailer de Into the Woods, musical da Disney com Meryl Streep

Notícia publicada no site Literatortura

meryl streep into the woodsEm 2013 começou a produção do filme Into the Woods. Quase dois anos de espera para saber o que seria dele. Agora um trailer foi divulgado só para aguçar a curiosidade. Into the Woods é uma adaptação da obra de Stephen Sondheim e do roteiro para a Broadway de James Lapine, vencedor do Tony Awards.

E a imprensa norte-americana já adianta: a Disney não será fiel ao musical. Conhecido por propor uma releitura dos contos de fada com linguagem adulta, o musical da Broadway teve algumas de suas cenas com mortes e sexo implícito cortadas para a versão da Disney.

No musical que estreou nos anos 80, dá-se a entender que a Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau tiveram um envolvimento e que a Rapunzel morria, mas isso não deverá acontecer no filme da Disney devido ao público-alvo.

Em entrevista ao The New Yorker, o autor do musical disse que “se fosse um executivo da Disney provavelmente faria a mesma coisa”. O que faz sentido, claro, já que não é o propósito dos estúdios de animação direcionado às crianças e adolescentes.

Porém, dá um pouquinho de receio ao pensar que, no fim das contas, o filme pode ser mais uma adaptação de contos de fadas. Nos últimos anos, o cinema foi povoado por eles, de Branca de Neve e o caçador à recente Malévola, da Disney. Ou por Cinderela que deve estrear em março de 2015. Ou a versão francesa de A Bela e a Fera, prevista para setembro de 2014. O gênero chama a atenção e não deixa de ser interessante ver novas propostas para os enredos clássicos.

Vale lembrar que Into the Woods, por conta da demora, acaba por surgir em um cenário que já se estabeleceu bastante entre os espectadores. Talvez até tenha se estabelecido tanto que o formato já se tornou meio óbvio. Ainda mais quando os cinemas os lançam um atrás do outro. Pode arrastar multidões para a sala e ser um grande sucesso, mas também pode deixar de apresentar algo novo ou ainda perder a chance de mostrar o enredo quase desconhecido de Into The Woods, que em si é inovador. E foi inovador nos anos 80 para o teatro.

O que deixa o espectador esperançoso é poder ver um musical voltar às telas e com um elenco respeitável. Dirigido por Rob Marshall, de Chicago, e do produtor de Wicked, o filme traz Meryl Streep, Anna Kendrick, Emily Blunt, Chris Pine, James Corden e…Johnny Depp. Que só mostra a sua mãozinha de lobo no trailer.

E Meryl Streep, vale ressaltar. Que, se quisesse, poderia fazer uma árvore muda durante todo o filme e se sairia bem. Mas está aqui como a bruxa que conduz e procura testar os personagens dos contos de fada. Nos bastidores teve até a brincadeira de que a atriz recebeu umas aulas de rap com o 50 Cent, porque foram vistos assistindo a um jogo de basquete.

Como diz o trailer, cuidado com o que você deseja. Eu, no momento, espero que o filme honre a espera. Pelo menos ele parece ser uma grande promessa. O filme está previso para 25 de dezembro de 2014 e 1º de janeiro de 2015 nos cinemas nacionais.

Veja o trailer AQUI 

Fontes: MSN Cinema  e C7nema