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OBRA DE ARTE DA SEMANA: Cena do massacre dos inocentes, de Leon Cogniet

cena do massacre dos inocentes

Leon Cogniet. Scène du massacres des innocents, 1824

Publicado no site Artrianon

O quadro Cena do massacre dos inocentes, de Leon Cogniet (1824), é um retrato doloroso e atemporal da ameaça da morte nas guerras. O seu contexto é específico e bíblico, mas a mensagem pode ecoar pelas inúmeras vítimas de atentados e o horror do esquecimento. A obra de Cogniet transparece a impotência do espectador diante da morte e o elo universal com a personagem do quadro, uma mulher representativa de tantas outras. Mais ainda, a pintura se comunica com as inúmeras cidades postas em ruínas no Oriente Médio e as famílias destroçadas ao fim.

O quadro Cena do massacre dos inocentes, de Leon Cogniet (1824), é um retrato doloroso e atemporal da ameaça da morte nas guerras. O seu contexto é específico e bíblico, mas a mensagem pode ecoar pelas inúmeras vítimas de atentados e o horror do esquecimento. A obra de Cogniet transparece a impotência do espectador diante da morte e o elo universal com a personagem do quadro, uma mulher representativa de tantas outras. Mais ainda, a pintura se comunica com as inúmeras cidades postas em ruínas no Oriente Médio e as famílias destroçadas ao fim. A cena do Massacre pode parecer, à princípio, uma denúncia da fragilidade das vidas existentes em cidades sitiadas. Entretanto, é preciso lembrar que sua primeira referência, dada pelo título, é o massacre de bebês em Belém por Herodes, passagem de Mateus 2.16-18, na Bíblia de Jerusalém.

“Então Herodes, percebendo que fora enganado pelos magos, ficou muito irritado e mandou matar, em Belém e no seu território, todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo de que havia se certificado com os magos. Então cumpriu-se o que fora dito pelo profeta Jeremias:

Ouviu-se uma voz em Ramá,

Choro e grande lamentação:

Raquel chora seus filhos,

e não quer consolação,

porque não existem mais”.

O episódio é dado pelo pintor com alguns elementos. No quadro de Cogniet, o horror é atmosférico, e cresce conforme a gradativa compreensão do espectador diante da figura feminina que o contempla, com os olhos que vivificam o assombro, e a fragilidade do bebê em seu colo. Se ele chorar, a morte imaginada pela mãe, será concretizada. O espectador é posto, portanto, não como público estático, e sim como aquele que precisa se aquietar para não denunciar a presença da jovem. Ou o espectador é justamente a presença da denúncia tão temida por aquele olhar desnudo da jovem mãe.

Com efeito, o artista escolhe retratar a cena por meio de dois recortes: a cena que se passa por toda a cidade de Belém, ao canto, com o desespero de uma mãe correndo a fim de proteger seus dois bebês enquanto um soldado a persegue. E, no primeiro plano, a cena de mais uma mãe que pode ser a próxima a ter o destino do segundo plano, tal como uma trama narrada em dois atos. Contudo, a união entre as cenas é o olhar posto pelo artista. Podemos ser o soldado que descobriu mãe e bebê, a quem ambos temem. O olhar de resignação inocente do bebê indica que seu destino será igual aos dos demais. Mas Cogniet preserva também a segunda possibilidade, de o observador ser o olhar secreto, de quem deseja preservar as duas figuras, a última conexão humana destes personagens, ao mundo. Este limite tênue e não resolvido na obra permite ver o horror como o patamar entre a racionalidade e a loucura, o grande choque do dar-se conta de que um ato vil e terrível pode se dar no instante seguinte, o que provoca um deslocamento no corpo e na existência. Uma previsão que a mente humana responde com o horror, despido da racionalidade a qual buscaria compreender o sentido da realidade e os motivos que legitimam o horror.

A comoção que Cogniet promove se dá pela sutileza que reside no olhar dos personagens, com uma melancolia impossível em um olhar de um bebê, e o horror e força nos olhos da mãe. Inúmeros pintores como Domenico Ghirlandaio, Tintoret e Rubens optaram por dar ao episódio bíblico o tom caótico de uma turba de soldados massacrando os bebês. É a pintura de Cogniet, porém, que possibilita encontrar o universo particular das inúmeras mães que estariam neste episódio.

Mais do que um tema considerado acadêmico e, portanto, executado por sua dimensão trágica, Cogniet concede à cena o horror do por vir, da morte que ainda está para acontecer, e esse suspense do imaginar é, por vezes, mais doloroso do que a disposição dos personagens na cena em seu ápice já clássico no imaginário. Isso acontece porque Cogniet retira a camada ficcional da personagem e fornece a ela, em sua forma particular, uma proximidade com o universal. Ela pode ser todas as pessoas naquela situação ao mesmo tempo em que é apenas uma figura oculta entre os muros. E, mesmo oculta, é a sua história que conhecemos apenas com o vislumbrar do horror em seus olhos antes da morte ou da sua salvação.

Por isso, a Cena do Massacre dos inocentes fala pelas pessoas em estado de vulnerabilidade em sua cidade sitiada. O olhar de cada um, neste contexto, guarda o horror o qual apenas quem é obrigado a viver diariamente com bombardeios e violência sabe dizer o que é. E o espectador dessa violência, ou do quadro, pode não ser propriamente o culpado daquele ato vil. Mas a sua presença, impotência e silêncio são mais um constituinte do horror o qual vira espetáculo pelas mãos que regem grandes Estados ou que corrompem religiões.

Referência bibliográfica: a exposição Visage de l’effroi – Violence et fantastique de David à Delacroix, no Musée de La Vie Romantique, 2015 (aqui)

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Os 85 anos de Audrey Hepburn

Coluna semanal para o Fashionatto

Neste domingo, o dia amanheceu mais doce para quem acessou o Google e viu a homenagem à atriz Audrey Hepburn. Nascida na Bélgica em 4 de maio de 1929, mas radicada na Inglaterra, a atriz completaria 85 anos. Hoje, sem dúvida, Audrey é ícone. Mas há muito mais por trás de um ícone e o significado dado a ele.

A presença de Audrey na minha vida começou lá pelos meus 12 anos de idade, quando eu abri uma revista na qual havia uma resenha do crítico Rubens Ewald Filho sobre a atriz e apresentando os filmes mais importantes da carreira dela que estariam numa mostra do canal de assinatura. Eu nunca vira aqueles olhinhos de gazela, a silhueta esguia e a doçura elegante em nenhuma outra atriz, a não serJulie Andrews da qual eu era e continuo sendo imensamente fã.

Resolvi assistir aos filmes da Audrey e a estética que hoje consideramos clássica ainda estava sendo descortinada diante dos meus olhos, ainda causava estranheza. Cinderela em Paris trouxe Fred Astaire como grande argumento para que eu o assistisse, pois gostava de sua filmografia e ficava encantada com o talento do ator. A questão é que nesse filme, Fred mais atua e canta do que dança. E está muito bem assim, principalmente a cena encantadora em que o ator cantaFunny face à Audrey e justifica não só o título original do filme, mas a aparência curiosa e singular de Audrey Hepburn. Parece ser um rosto engraçadinho que arrebata qualquer espectador que encontre nela aquele romantismo quase infantil e ingênuo que parecia estar diluído na Hollywood que agora assumia o arquétipo da mulher sedutora por meio das – fantásticas, obviamente – Marilyn MonroeRita Hayworth   e Elizabeth Taylor. Audrey está mais no time das atrizes que possuem algum mistério na sua postura plácida, como Ingrid Bergman(Casablanca).

A exaltação da sensualidade vinha claramente dos homens, mas as mulheres passavam a mitificar também a aparência dessas mulheres que, na verdade, tinham suas vidas igualmente complicadas por serem mulheres. Houve dificuldades para qualquer atriz nas primeiras décadas do século XX em encontrar papéis que saíssem do aspecto sedutor ou puramente inocente da mocinha cortejada. Esses estereótipos perseguiam as atrizes que pareciam ter que sustentá-los a cada minuto, como se acordassem sempre adornadas como uma boneca e sensual aos olhos dos homens. Rita Hayworth trazer a sexualidade pelo simples gesto de uma luva deslizando pelo braço em Gilda foi, sim, uma forma de libertação. É para se pensar: na cena ela deseja fazer um strip-tease, mas em seguida leva um tapa na cara por ser julgada como uma mulher posta ao desfrute do homem. Mas a vontade de Gilda é libertadora e a raiva dela ao receber o tapa também.

Uma mulher deveria ser respeitada por interpretar papéis sedutores justamente porque é de seu direito interpretá-las. O problema estava na polarização desses papéis, entre a sedução e a pureza. Uma atriz sabe ir além dessas dualidades. E isso nos leva à Audrey, mais uma vez. Pois ela conseguia equilibrar-se e trazer a ambiguidade desses papéis de maneira muito bem desenvolvida. A sua personagem Sabrina, claro, busca um casamento, mas somente o busca após ter conquistado a sua independência financeira e maturidade também. Se ela está em dúvida entre dois homens é porque claramente, como qualquer mulher no mundo, ela tem direito a essa dúvida.

A personagem Holly Golightly, de Bonequinha de Luxo, proporciona o alcance de Audrey a ícone fashion e cinematográfico. Baseada na obra de Truman Capote, a personagem tem mais nuances do que o filme pode trazer. Exatamente, podetrazer. Audrey Hepburn, à época, assumira papéis de garotas e interpretar Holly poderia manchar sua carreira, de acordo com os críticos. Afinal, Holly é um espírito livre que se envolve com vários homens, fazendo-lhes companhia em jantares, buscando um possível casamento rico que possibilite entrar na Tiffany e comprar as joias com as quais sonha. Contudo, Holly não é somente o que se definiria como uma bonequinha de luxo, essa mulher que ficaria à vitrine exposta por tais homens ricos e importantes que casarem com ela. E felizmente, Audrey consegue apresentá-la com sua complexidade, apesar de haver um público que poderia julgar a sua personagem tendo como base o estereótipo com os quais se acostumaram a ver durante a década e na carreira da atriz.

Nos meus 12 anos, quando vi Bonequinha de Luxo, me pareceu um bom filme, a personagem me soava simpática, mas eu não conseguia compreender as várias faces de Holly Golightly, apenas que ela era adorável e elegante. Com o tempo o filme se mostrou muito mais profundo, as cenas muito mais simbólicas e hoje ele possui um dos textos que mais me comove, com passagens que timidamente revelam muito de seus personagens, como os diálogos entre Holly e Fred e a relação da moça com o gatinho que ela resgatou e se recusa a nomear por medo de se apegar e perdê-lo.

Audrey Hepburn, quando apresenta essas personagens que se vestem com a simplicidade de uma legging, sapatilha, trend coat, um vestido preto apenas adornado pelas pérolas, uma sensualidade que se constrói nas entrelinhas e na simplicidade da elegância das roupas que ela parece ter escolhido por respeitar o próprio corpo, apresentam uma face mais realista da mulher que vai muito além do conceito hollywoodiano. Audrey possuía um corpo que era o oposto das curvas de Marylin Monroe, como sempre se afirma quando se comenta sobre Audrey. Mas há algo ainda mais profundo na aceitabilidade da forma de Audrey no cinema: a mulher não é somente uma forma, mas todas as formas. Aceitar que Audrey é magra e, portanto, ícone fashion, não quer dizer que agora todas as mulheres devam ser magras para se assemelhar a ela. Estaríamos cometendo o mesmo erro dos produtores que recusaram Audrey em alguns papéis por causa de sua silhueta esguia. O que a atriz traz para a discussão é que a moda e o cinema precisam ser abertos às mais diferentes faces e corpos, e não escolher novamente apenas baseado na dualidade.

Audrey foi atriz, modelo, mas embaixadora da Unicef também. Durante a Primeira Guerra Mundial, Audrey passou fome no período em que ficou na Holanda quando criança. Desejava ser bailarina, mas ao voltar à Inglaterra, a sua professora afirmou que Audrey nunca seria primeira bailarina por conta de sua altura. Ao interpretar Gigi, Audrey começou a receber destaque na Broadway e logo em seguida vieram os filmes, como A Princesa e o Plebeu, My Fair Lady, Charada, Quando Paris Alucina, e as indicações ao Oscar.

Audrey Hepburn parece ter seguido o conselho da música Moon River, a qual docemente canta em Bonequinha de luxo. Audrey atravessou o rio como atravessou Hollywood, um fabricador de sonhos, passou com elegância por esse mundo, e há nela uma magia quase indizível, que exala dos seus olhinhos de boneca, da sua elegância e de seu talento. Isso talvez dê conta apenas um pouquinho da explicação do porquê Audrey estar tão viva no nosso imaginário. A homenagem sempre é merecida.

Filmografia de Audrey Hepburn aqui

Se quiser conferir, aqui tem diversos vídeos de Audrey Hepburn no seu trabalho como embaixadora da Unicef.

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Discurso de Lupita Nyong’o emociona e mostra o valor da beleza

Publicada no site Fashionatto

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No Dia Internacional da Mulher, seria  importante que as palavras sinceras da atriz premiada pelo Oscar Lupita Nyong’o não fossem esquecidas. Fazemos parte de um gênero que dificilmente sabemos como defini-lo, de acordo com Simone de Beauvoir, seríamos uma espécie de signo que fica ao lado oposto do universal masculino. Por conseguinte, encontramos as diversas facetas possíveis de uma mulher que não precisa ser definida, necessariamente, pela vestimenta que usa ou por sua maquiagem. Muitas vezes, a nossa dificuldade está em identificar as nuances das exigências estéticas e o machismo que nos limitam. Creio que, em face dessas dificuldades, cabe à mulher a transgressão de vestir a roupa que realmente lhe agrada e que a expressa à sua maneira.

Numa indústria cinematográfica em que se encontra o padrão da bela mulher magra, loira, é um alívio e uma grande alegria ver o respeito e a admiração que tomou parte da carreira de Lupita. No domingo, ela ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por 12 anos de escravidão, seu primeiro filme. A personagem a quem Lupita dá voz possui uma ingenuidade de uma menina que conhece, desde cedo, o terror da escravidão que a faz sofrer ininterruptamente nas mãos do senhor de escravos, interpretado por Michael Fassbender. Ela dá um realismo extremo a essa menina que não vê nenhum futuro para si mesma, mas sabe que é seu direito ter liberdade sobre seu corpo e se sentir bela aos próprios olhos. Não bela apenas como uma mulher ornada por um vestido, e sim uma mulher bela porque sabe que merece a liberdade e assume o seu corpo como ele é, de fato, uma propriedade apenas sua.

Além de um trabalho admirável e construído com muita delicadeza e sagacidade, Lupita é uma beleza negra e isso importa muito num espaço em que, por vezes, a mera citação “a atriz é negra” parece causar alvoroço. Não pode haver eufemismo para essa palavra. Como o mais novo ícone fashion, Lupita escolhe roupas que valorizam a cor de sua pele. E isso é importante de se destacar. Lupita não pretende escondê-la em cores que denominamos sóbrias ou discretas. A atriz escolhe cores fortes, ousadas e mostra que uma mulher precisa saber como adaptar a roupa a si mesma, e não o contrário. A vestimenta deve saber exaltar o que já existe de belo nas formas femininas.

Lupita Nyong’o fez um maravilhoso discurso no Black Women in Hollywood, essa semana. Abaixo está o vídeo da atriz e em seguida uma tradução livre do discurso.

Video aqui

Tradução: “Eu queria aproveitar esta oportunidade para falar sobre beleza. Beleza negra. Beleza escura. Eu recebi uma carta de uma garota e eu gostaria de compartilhar apenas uma pequena parte com vocês: “Querida Lupita”, ela diz, “eu acho que você é realmente sortuda por ser negra e ainda ter esse sucesso tão grande em Hollywood. Eu estava quase comprando o creme Dencia Whitenicious para clarear minha pele quando você apareceu no mapa e me salvou”.

Meu coração sangrou um pouco quando eu li essas palavras. Eu nunca poderia ter imaginado que o meu primeiro emprego fora da escola poderia ser tão poderoso em si mesmo e que isso me tornaria uma imagem de esperança da mesma forma que as mulheres de A Cor Púrpura foram para mim.

Eu lembro de uma época em que eu me sentia muito feia. Eu assistia TV e apenas via peles brancas, eu fui provocada e insultada por ter uma pele cor da noite. E minha única prece  a Deus, o milagreiro, era acordar com uma pele clara. Amanheceria e eu estaria tão animada vendo minha nova pele que não olharia para mim mesma até estar diante do espelho, porque queria ver meu rosto claro primeiro. E todo dia eu experimentei a mesma decepção de ser tão negra quanto eu era no dia anterior. Eu tentei negociar com Deus: eu falei a Ele que eu pararia de roubar cubos de açúcar à noite se Ele me desse o que eu queria; eu escutaria cada palavra da minha mãe e nunca mais perderia o moletom da escola  se ele apenas me fizesse ser mais clara. Mas eu acho que Deus não ficou impressionado com as minhas barganhas, porque Ele nunca as ouviu.

E quando eu era adolescente, essa falta de amor próprio piorou ainda mais, como vocês devem imaginar que acontece na adolescência. Minha mãe me lembrava constantemente como ela me achava bonita, mas não havia consolo: ela é minha mãe, claro que ela pensaria que sou bonita. E, então, Alek Wek surgiu no cenário internacional. Uma modelo celebrada, negra como a noite, ela estava em todas as passarelas e revistas e todo mundo estava comentando o quanto ela era linda. Até Oprah disse que ela era linda, e isso o tornava um fato. Eu não poderia acreditar que as pessoas estavam achando que uma mulher que se parecia tanto comigo era bonita. Meu complexo por minha pele havia sido sempre um obstáculo a ser superado e, de repente, Oprah estava me dizendo que não era. Isso foi desconcertante e eu queria rejeitar porque eu tinha começado a gostar da sedução da inadequação.

Mas uma flor não poderia deixar de florescer dentro de mim. Quando eu vi Alek, eu imediatamente vi um reflexo de mim mesma que eu não poderia negar.  Agora, eu tinha um impulso nos meus passos, porque me sentia mais vista, mais apreciada pelos tão distantes guardiões da beleza, mas à minha volta a preferência pela pele clara prevalecia. Para os espectadores que eu julgava serem importantes, eu ainda era feia. Minha mãe diria novamente a mim, “você não pode comer beleza.Isso não alimenta você”. E essas palavras me atormentavam e me incomodavam. Eu realmente não as entendia até, finalmente, perceber que beleza não era uma coisa que eu poderia adquirir ou consumir. Isso era algo que simplesmente tinha que ser.

E o que minha mãe queria dizer quando ela falava “você não pode comer beleza” era que não poderia confiar na sua beleza como o seu sustento. O que é fundamentalmente belo é a compaixão por si mesmo e por aqueles à sua volta. Esse tipo de beleza incendeia o coração e encanta a alma. Isso foi o que trouxe problemas a Patsey (12 anos de escravidão) com o seu senhor, mas também foi o que deu vida à sua história até hoje. Nós lembramos da beleza de seu espírito até mesmo após a beleza de seu corpo já ter desaparecido.

E, então, eu espero que a minha presença em suas telas e nas revistas possam guiar você, jovem menina, a uma jornada similar. Que você sinta a validação da sua beleza externa, mas também possa encontrar uma profunda beleza interior. Pois não há cor para essa beleza”.