Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi são indicadas ao Prêmio Hans Christian Andersen

Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi são indicadas ao Prêmio Hans Christian Andersen

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A autora Marina Colasanti e a ilustradora Ciça Fittipaldi foram indicadas, representando o Brasil, ao Prêmio Hans Christian Andersen 2020. Considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil, as duas tiveram os dossiês com suas biografias e obras inscritos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), seção brasileira do International Board on Books for Young People (IBBY).

Na história do prêmio, três brasileiros já foram laureados: Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000, na categoria escritor; Roger Mello, no ano passado, na categoria ilustrador. Mello foi o primeiro ilustrador latino-americano a conquistar o prêmio.

No site oficial do IBBY, constam as biografias em inglês das duas artistas:

“Marina Colasanti nasceu em 1937 em Asmara (então Abissínia, atual Eritreia). Ela se mudou para o Brasil aos onze anos, depois de morar na Líbia e na Itália. Estudou pintura e gravura na Escola Nacional de Artes, mas começou a trabalhar como escritora e jornalista de um grande jornal brasileiro. Ela já havia publicado dois livros de ficção e foi editora da seção infantil do jornal quando publicou seu primeiro livro para crianças e jovens, Uma ideia toda azul (A true blue idea, 1979). Uma ideia toda azul, uma série de contos de fadas inovadores, com suas próprias ilustrações, recebeu muitos prêmios e foi publicada em vários países da América Latina, bem como na Espanha e na França. Profundidade no conteúdo e linguagem poética rica são marcas registradas de suas obras literárias para crianças e jovens e de mais de 100 contos de fadas. Seus títulos mais importantes para crianças incluem Ana Z. aonde vai você? (Ana Z. Where are you going?, 1993) e Longe como o meu querer (Far like my dear one, 1997), que incluem suas próprias ilustrações, além de A moça tecelã (The girl weaver, 2004) e Breve história de um pequeno amor (Brief story about a little love, 2013). Vários desses livros ganharam importantes prêmios literários no Brasil, incluindo o Prêmio Origenes Lessa – Melhor Ficção para Jovens e Prêmio Jabuti . Ela também recebeu reconhecimento como tradutora: sua tradução para o português de Stefano (2014) de María Theresa Andruetto foi incluída na Lista de Honra IBBY 2016. Marina Colasanti foi nomeada para o Prêmio Hans Christian Andersen em 2016 e 2018″.

Marina Colasanti

“Ciça Fittipaldi nasceu em 1952 em São Paulo. Estudou balé clássico aos 13 anos de idade e dançou com uma companhia de teatro em São Paulo de 1966 a 1970. Iniciou seus estudos em arquitetura e belas artes na Universidade de Brasília e, depois, fez um mestrado em artes e cultura visual na Universidade Nacional de Goiás em 2005. Seu interesse pela cultura indígena brasileira e uma estadia prolongada com a tribo indígena Nambiquara levaram a um de seus primeiros livros aclamados: Naro, o gambá (Naro, the polecat, 1988), parte da série Morená. Um interesse relacionado à arte tribal africana se reflete em suas ilustrações dos dois primeiros livros da série Bichos da Africa (African animal tales, 2003), bem como Os gêmeos do tambor (The twins of the drums, 2006) e Naninquiá, uma moça bonita (Naninquiá, the pretty, 2013), que são recontagens de histórias e fábulas tradicionais africanas, todas do autor Rogério Andrade Barbosa. Atualmente, Ciça Fittipaldi ensina desenho, ilustração e design de livros na Universidade Nacional de Goiás. Todos os seus trabalhos mostram sua vasta pesquisa, com métodos aprendidos com antropólogos e sua experiência como professora. Ela recebeu o prêmio Jabuti e muitos de seus livros foram reconhecidos como “Altamente Recomendados” pela FNLIJ (IBBY Brasil). Seu trabalho é visto regularmente em exposições no Brasil e no exterior, inclusive na Feira do Livro Infantil de Bolonha e no BIB. Ela foi indicada ao Prêmio Hans Christian Andersen várias vezes, mais recentemente em 2018″.

Ciça
Ciça Fittipaldi

Naninquiá, uma moça bonita, ilustração de Ciça Fittipaldi, premiada em 2o lugar no Prêmio Jabuti em 2014

O prêmio é concedido a cada dois anos, no primeiro dia da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, realizada no mês de março, na Itália.

Fontes: IBBY Official Website e Marina Colasanti

Encontrado texto inédito de Albert Camus sobre a resistência à ocupação nazista

Encontrado texto inédito de Albert Camus sobre a resistência à ocupação nazista

Albert-camus

A diversidade de vozes daqueles que viveram os dias e as particularidades de um período é material rico para se reconstruir um pouco da memória histórica. Ela ganha ainda mais destaque quando se trata de um texto desconhecido de um grande autor. Recentemente, o jornal francês Le Figaro divulgou um texto inédito escrito pelo autor franco-argelino Albert Camus (1913-1960). O documento é de 1943, período em que a França se encontrava ocupada pelo exército nazista.

“De um intelectual que resiste”, como foi intitulado o artigo, não contém assinatura, mas foi identificado como sendo de Camus por diferentes fontes. O historiador Vincent Duclert foi responsável pela descoberta. “De um intelectual que resiste é uma das raras obras inéditas de Camus que escaparam da investigação dos ‘camusianos’”, diz Duclert. E para explicar: é claramente identificado por duas fontes convergentes, no Comitê Francês de Libertação Nacional, enquanto os partidários do General de Gaulle e do General Giraud se enfrentam em Argel na segunda metade de 1943.

O jornal Le Figaro o publicou com exclusividade, permitido por Catherine Camus. O texto constava nos arquivos de Charles de Gaulle e está no novo livro de Duclert, “Camus, des pays de liberté” (Camus, países de liberdade, em tradução livre) lançado na quinta-feira (9) pela editora francesa Stock.

albert camus texto
A primeira página datilografada do inédito de Albert Camus. Succession Albert Camus. Le Figaro

No texto de três páginas, Camus examina o estado de espírito dos franceses sob o regime de Vichy. O documento era destinado às forças que combatiam o marechal Pétain. Este estado de espírito é, portanto, encontrado no texto de Albert Camus. E pode ser resumido em duas palavras: ansiedade e incerteza. A ansiedade é a de um país machucado que em breve terá que ser reconstruído, e isso o mais rápido possível “em uma luta contra o relógio” pelo “futuro da nação”, sublinha o intelectual . A incerteza é a de um futuro francês que não pode ser escrito sem a contribuição intelectual das elites. “Porque se a guerra mata homens, também pode matar suas ideias com eles”, explica Albert Camus, que finalmente se lembra da urgência de ver a Resistência Externa apoiar militarmente a do Interior.

De aparência administrativa, datilografado, este documento foi escrito em 1943 no subsolo, na França continental, por um Albert Camus, então com 30 anos. O contexto é bastante simples de traçar: de Argel, a Comissão de Informação do Comitê de Libertação Nacional solicitou “análises clandestinas de jornalistas e pensadores que permaneceram na França ocupada”, explica Vincent Duclert ao Le Figaro. Isso permitiu que as forças que lutavam contra o regime de Vichy tivessem uma ideia do estado de opinião na França continental.

Ainda de acordo com Camus, o dever de todos os engajados na resistência era “lembrar às pessoas todos os dias, todas as horas se necessário, em todos os artigos, em todas as transmissões, todas as reuniões, todas as proclamações”, em um tom urgente, o conteúdo da defesa da Resistência como reação ao nazismo.

O que Camus quer dizer com o ato de matar homens e ideias se baseia no fato de que a ocupação nazista eliminava quem ameaçasse reagir à dominação. Estava, assim, “matando” o espírito de uma geração.

O dia 4 de janeiro de 2020 foi relembrado como o 60º aniversário do desaparecimento de Albert Camus em um acidente de viação. Ele é autor de obras consagradas como O estrangeiro, A peste, O mito de Sísifo, entre outras.

Fontes: Europe 1Nexo JornalLe Figaro