literatura · poemas

Versos de Hilda Hilst sobre descanso

DO AMOR CONTENTE E MUITO DESCONTENTE 9Tenho pedido a todos que descansemDe tudo o que cansa e mortifica:O amor, a fome, o átomo, o câncer.Tudo vem a tempo no seu tempo.Tenho pedido às crianças mais sossegoMenos riso e muita compreensão para o brinquedoO navio não é trem, o gato não é guizo. Quero sentar-me e… Continuar lendo Versos de Hilda Hilst sobre descanso

palavras na quarentena

Passagem do ano, de Carlos Drummond de Andrade

O último dia do anonão é o último dia do tempo.Outros dias virãoe novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.Beijarás bocas, rasgarás papéis,farás viagens e tantas celebraçõesde aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfoniae coral,que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,os irreparáveis uivosdo lobo, na solidão. O último… Continuar lendo Passagem do ano, de Carlos Drummond de Andrade

literatura · poemas

Ordem invertida

A quarentena me fez retomar a escrita de poesia, que não faço há dez anos. Escrevi Ordem invertida pensando na palavra como se fosse um feitiço, para que a gente encontre algum conforto na interioridade das casas. Deixo que elas cheguem Aquecidas do centro solar E repousem nas mãos Como passarinho que regressa Ao ninho… Continuar lendo Ordem invertida

arte · contos · literatura · matérias

8 homenagens aos 208 anos de Edgar Allan Poe

Esta foi uma homenagem que a Amanda Leonardi escreveu para o site Notaterapia aos 208 anos do Edgar Allan Poe no dia 19 de janeiro. Para isso, ela sugeriu que eu e outros autores escrevêssemos contos ou poemas de 100 palavras em homenagem ao universo do escritor, e ainda pude ilustrar três contos! ********* Arte… Continuar lendo 8 homenagens aos 208 anos de Edgar Allan Poe

literatura · poemas

Palavra é carne

Escrevi este poema inspirada pelo trabalho de Ferreira Gullar (1930-2016), neste dia melancólico pela morte do poeta. O gosto da tangerina de hoje é o amargo da morte. Ela desfalece em tristeza, Como fruta de cheiro longínquo Abandonado pelo poema numa sala de estar. Mas ela sobrevive incólume na palavra escrita. As peras se entristecem… Continuar lendo Palavra é carne

arte · literatura · poemas

E ainda é meio-dia

O sol a pino anunciando a parcela De dia quase inesgotável De mais rotina vista da janela, De doçura inefável. E, veja só, ainda é meio-dia. Situado em tal eternidade, O sol promete inícios longínquos, O almoço é engolido com ansiedade, Das expectativas de sóis oblíquos. Mas já é meio-dia. Tempo esse que se consome em… Continuar lendo E ainda é meio-dia

crônicas · literatura

Olhos abertos a Plutão

Publicada no site Literatortura A escuridão destaca a figura acobreada do planeta anão, o momento histórico em que a sonda, New Horizons, obteve aproximação máxima de Plutão. O olhar voltado ao avanço científico é, por vezes, um despertar sobre o óbvio: há mais do que a existência rotineira terrestre. Não chega a ser um conforto… Continuar lendo Olhos abertos a Plutão

arte · prosa poética

Me vê uma colher de surrealismo

Nesta manhã eu tomei uma colher de surrealismo. Misturado ao cereal e ao leite cândido, os floquinhos coloridos do surrealismo se dissolveram e me puxaram para aquela piscina branca. O surreal brincava com a rima do cereal, como uma palavra atrevida que sabia o sentido engraçadinho que podia provocar no ouvinte. Com o coração agitado,… Continuar lendo Me vê uma colher de surrealismo

arte · filosofia · literatura · poemas

Ofício

Ideias discorrem pela canetaEsboço que já respira e incendeia.No tempo legislador da ampulheta,Ao acordar, a vida me esbofeteia. Busco nas esquinas a epifania.Foge de meu traço a imaginação?O mundo me reprime em anarquiaDo infinito busco uma só visão. Avante à luta! Com um lápis e espada Torno em escrever heroico meu ofício! É da luta que crio grande arte. Assim,… Continuar lendo Ofício