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Obras de Picasso e Monet são queimadas por mãe de ladrão, após roubo de museu holandês em 2012

Matéria publicada nos sites Literatortura e Fashionatto

É indiscutível o misto de indignação e tristeza quando sabemos de mais um caso de incêndio ou roubo envolvendo obras de arte. Não é preciso enfatizar o valor inestimável das obras, que vão além dos milhões de dólares que valem. Elas são tomadas como um registro cultural e artístico que compõe a identidade do homem na História. Em outubro de 2012, 7 obras foram roubadas do Centro de Arte de Roterdã (Kunsthal), na Holanda. Segundo as autoridades do país, há a possibilidade de terem sido queimadas pela mãe do ladrão a fim de evitar provas de que o filho cometera o crime.

Na última terça-feira, Olga Dogaru, mãe de um dos autores do furto, Radu, declarou aos investigadores que enterrou duas vezes as obras de arte, no jardim de uma casa abandonada no leste europeu da Romênia e em um cemitério. Mas resolveu queimá-las para protegê-lo. “Coloquei o pacote onde estavam as pinturas em uma panela, coloquei alguns pedaços de madeira, chinelos e borracha e esperei até que queimassem completamente”, disse Olga Dogaru, segundo o documento citado pela Mediafax. E ainda acrescenta “Após a prisão de meu filho em janeiro de 2013, tive muito medo, porque percebi que o que ele havia cometido era muito grave”.

Os seis romenos que participaram do roubo devem ser julgados por um dos maiores roubos de arte do século a partir de 13 de agosto. O roubo ocorreu na madrugada de 16 de outubro de 2012. Eles levaram menos de 90 minutos para roubar as seguintes telas: Cabeça de arlequim, de Pablo Picasso (1971); A ponte de Waterloo, Londres, de Claude Monet (1901); A ponte de Charin Cross, de Claude Monet (1901); Leitora em branco e amarelo, de Henri Matisse (1919); Autorretrato, de Meyer de Haan (em torno de 1889-1891); Mulher diante de uma janela aberta, de Paul Gauguin (1888); eMulher com os olhos fechados, de Lucian Freud (2002).

Este foi o maior roubo de obras de arte na Holanda desde 1991, quando 24 telas foram levadas do Museu Van Gogh, em Amsterdã.  A exposição, com os quadros roubados no ano passado, foi avaliada em bilhões e celebrava os 20 anos do museu. “O Kunsthal tem 20 anos e esta coleção era única. Tivemos exposições de outras coleções únicas e até agora tudo correu bem, como nos outros museus. É preciso ter em conta que nunca pode haver 100% de segurança”, diz o presidente do museu, Willem van Hassel, em reportagem ao site Euronews. Ton Cremers, especialista em segurança da rede holandesa de museus, afirmou também que seria impossível, aos ladrões, vender as obras, o que resultaria na destruição delas ou escondê-las em algum lugar. Infelizmente, ao que tudo indica, ocorreu a primeira opção. Como não está confirmado que as cinzas encontradas correspondem às telas queimadas, técnicos do Museu de História Natural da Romênia estão examinando-as para comprovar a informação. Resta esperar o resultado do processo de identificação, que pode demorar meses.

Outros casos de destruição de obras vieram à tona na mídia nos últimos anos. Em agosto de 2012, o quadro Samba, de Di Cavalcanti e outras obras foram destruídas em um incêndio acidental que ocorreu no apartamento do marchand Jean Boghici. Também há o registro de inúmeros roubos conhecidos na História. Em 2007, O Lavrador de Café, de Candido Portinari, e Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso, foram roubadas em apenas 3 minutos no MASP (Museu de Arte de São Paulo), durante a troca de turno dos seguranças. Mas 18 dias depois, elas foram recuperadas.

No Museu de Arte Moderna de Paris, em 2010, houve um roubo feito, surpreendentemente, por um único homem. Ele levou cinco obras de Henri Matisse, Georges Braque, Amedeo Modigliani, Fernand Leger e Pablo Picasso. Só no dia seguinte é que o museu se deu conta do roubo, porque o alarme estava quebrado há 3 meses.

Voltando um pouco no tempo, em 1990, houve um dos maiores roubos da história dos EUA. Os ladrões, disfarçados de policiais, adentraram no Isabella Gardner Museum, em Boston, levandotreze obras de arte, avaliadas, na época, em cerca de 300 milhões de reais. Apesar de ter passado 23 anos, as obras de Rembrandt, Degas, Vermeer e Manet continuam desaparecidas. O FBI oferece recompensa de 5 milhões de dólares para quem tiver informações sobre o paradeiro das obras.

A questão da segurança sempre entra em pauta nesses casos. Willem van Hassel, entrevistado no dia seguinte ao roubo no museu holandês, membro da direção do Kansthal, disse que “o museu tinha optado por uma vigilância eletrônica”, não havia guardas no local nem nas imediações no momento do furto. O fato ocorrido faz repensar o formato do museu, se somente a tecnologia pode garantir a segurança. A arquitetura do prédio não pode ser culpada pelos roubos, mas é esperado haver uma adaptação a fim de garantir a segurança das obras. Pode-se reconsiderar o espaço dividido entre as obras mais caras, o acervo e dificultar ao máximo uma possível fuga com as telas, deixando-as distantes da saída do prédio. Ademais, o museu ainda precisa continuar garantindo a interação entre o público e a obra sem que haja uma interferência grave na fruição com a mesma.

As obras roubadas no museu Kansthal, em Roterdã, não ganham importância somente por ter sido a primeira vez que estavam expostas ao público. Mas porque houve uma perda definitiva de obras que raramente vemos até mesmo em livros de Arte. Eram raras e, como em toda obra de arte, o seu valor está na fruição com o observador e a experiência que ela proporciona no momento em que a vemos no museu. A obra existe além de seu formato e do material utilizado na sua concepção. Ela traz à luz o artista, o contexto histórico e, mais ainda, o momento efêmero da sua criação, que logo se eterniza. É o momento em que ela ganha um significado. Não é somente um quadro, mas vira uma lembrança.

fonte.

Revisado por Carlos Cavalcanti

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