crônicas · literatura

Um resgate pelos livros não-lidos

Publicado no site Literatortura Em pleno Dia internacional do livro – fato esse que soube ao abrir o facebook – constato que sonhei algo bem estranho esta noite. Eu residia em algum lugar bem diferente da cidade de São Paulo e havia sido uma exigência do governador esvaziar inúmeras casas. Por isso, milhares de moradores… Continuar lendo Um resgate pelos livros não-lidos

cinema · literatura · poemas

Rosa-púrpura no real

As roupas se penduram no varalTremem ao ventoClamam por entre as pregasA presença dessa ficção.No varal suspendi minha bandeiraImplorando, acenandoAos dias de casa cheia.Volte, meu outroEm que me vejo.Outro que me acompanhava à padaria,Chorava comigo no cinema.Agora os filmes são solitários,Até os atores espiam a plateiaProcurando você,Meu outro euQuieto agora pela realidade cruel.Os atores se… Continuar lendo Rosa-púrpura no real

literatura · prosa poética

Pés suspensos em devaneios

Hoje, André acordou diferente. Os pés formigavam quando levantou da cama. Parecia que não era mais um adolescente. Olhou-se no espelho, a barba por fazer o tornava mais adulto, mas não era isso. Os pés formigavam, o coração disparava. Pode-se dizer que era um dia comum. André descia as escadas, sentava-se na mesa, cortava o… Continuar lendo Pés suspensos em devaneios

literatura · poemas

Verde esperança

Maria era uma mocinha sonhadora. No ano novo vestia brancoCrente de que paz iria garantir.Mas de tão envolta em sonhos,Maria  aceitava o que o mundo lhe dava.E assim aguardava o seu destino.Certo dia,Maria resolveu viajar no ano novo.Queria ver novos ares, revolucionar a sua vida!Mas parecia que o ano novo não começaria bem.A mala se extraviouE… Continuar lendo Verde esperança

literatura · poemas

Contar os estilhaços

Era um sonhador o Josué.Só se perdia em contas!Ao ponto de ônibus ele ia a péContando ladrilhos,Em somas soltas.O número regia o seu mundo,Contava copos, coisas, cartas,Até as frutas do seu Raimundo,Pra registrar tudo feito atas.Mas os estilhaços do coraçãoJosué não conseguia contar.Tudo se encontrava no chão,Amor pisado, esperança a chorar.Ah, que dó ver aqueles… Continuar lendo Contar os estilhaços

arte · contos · filosofia · literatura

Do anúncio à arte

João trabalhava numa agência publicitária. Ele projetava desenhos para pequenos anúncios publicitários. Pasta de dente que prometia um sorriso branco, um lápis de cor que possibilitava o melhor desenho, o desodorante que atrairia todas as mulheres quando usado. Vivia imerso num mundo de sorrisos imediatistas, anúncios que serviam para o hoje e, amanhã, já estavam… Continuar lendo Do anúncio à arte

literatura · poemas

Todo mundo

Todo mundo já se viu sozinho na multidãoApertou-se ao casaco querendo fugirResistindo à dor que sonha um dia sorrirNas tardes que contemplam o chão.  O calafrio denuncia o medo de escolherComo dar aos dias uma utilidade,Analisar os limites para viver.A escolha é a dolorosa liberdade.  O passado já está todo emaranhado,O coração, com a tristeza,… Continuar lendo Todo mundo

cinema · resenhas

Por entre os fios, a solidão

Medianera, o lado de um prédio que apresenta as falhas, as rachaduras, o que se tenta esconder com merchandising, propagandas falsas. Duas pessoas com dificuldade de mostrar seus sentimentos, veem a existência engolida pela multidão da cidade, aceitam viver anônimos. Essas frases não correspondem apenas a um filme e sim, dois: Românticos anônimos e Medianeras.… Continuar lendo Por entre os fios, a solidão

contos · literatura

Heróis de um carnaval

A capa tremulava ao vento e o glitter caía delicadamente da estrelinha que ornava uma simples vareta. Os passos do super-homem e da fada faziam-se com urgência. O caminho seria árduo, cheio de perigos, mas eles sabiam de suas responsabilidades. Em alguma parte do mundo mais uma ditadura se desfazia e o super-homem seria chamado… Continuar lendo Heróis de um carnaval

filosofia · literatura · poemas

Prateleiras e sonhos

O abrir da geladeira me frustraPor entre as prateleiras não há o que anseioEssa fome vai além da fruta, do pãoNão é material e nem consumívelTalvez seja uma procura em vãoVejo um espaço vazio ocupado por sonhosNão-tateáveisIntratáveis,Porque imperam a nossa existênciaVeem quando querem...são orgulhosos!Ora são sonhos sem sabor, incógnitasOra sonhos palatáveis, com gostinho de doçuraSonhar… Continuar lendo Prateleiras e sonhos